Ainda no rescaldo das eleições europeias

Como foi possível terem passado três dias e eu ter-me perdido do país? Sonhei que a candidatura ao Parlamento Europeu, que o Governo e o PR patrocinaram, tinha obtido menos de 28% e que os protagonistas andavam felizes!

Pareciam a família do defunto morto no desastre de viação e que, “graças a Deus”, não lhe deformou a face, o que os deixou muito contentes e a rezar uma noveninha de ação de graças.

Esta cultura judaico-cristã que dá graças por quem partiu uma perna, quando podiam ter sido as duas, por ter ficado tetraplégico quando podia ter morrido, é responsável por esta estultícia de quem se julga com legitimidade para governar com menos de 28% dos votos expressos pelos portugueses.

Quando um Governo goza de uma maioria e de um PR e que, todos juntos, não tiveram sequer 28% dos sufrágios; quando o PR entra em retiro espiritual, em rigoroso silêncio, sem tirar conclusões; quando esse Governo julga que governa, só porque sabe aumentar os impostos e o desemprego, entra-se num mundo surreal em que alguém tem de levar, em mão, a Belém e a S. Bento, o resultado das últimas eleições.

É preciso tratar a esquizofrenia e confrontar os estarolas com o sufrágio popular.

Comentários

e-pá! disse…
"Quando um Governo goza de uma maioria e...".
A minha dúvida é se o Governo goza de uma maioria ou se goza com a maioria (... dos portugueses)

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