O ‘fim do resgate’ e o riso das hienas…


Hoje teve lugar mais um debate entre o Governo e os partidos representados no Parlamento como é habitual.
O ritual prosseguiu com um confronto político e verbal entre o Governo e a Oposição e louva-minhas dos partidos integrantes da coligação. Nada de novo até aqui se o actual momento político não tivesse pejado de equívocos e vítima de infelizes deslizes que ensombram o futuro. 

Na verdade, foi possível constatar como a Direita prossegue os festejos comemorativos da saída da troika ocultando quanto a desejou introduzir em Portugal já o que um ‘programa de resgate’ desenhado, imposto e posteriormente supervisionado pelo FMI, Comissão Europeia e BCE ia de encontro ao seu programa ideológico que não ousou apresentar aos portugueses há 3 anos.

Ainda é cedo para fazer um balanço sério e preciso de 3 anos de intervenção externa já que o brutal e inegável empobrecimento do País arrasta consigo múltiplas consequências, ainda em incubação.
Visíveis, para já, são epifenómenos conjunturais que tornam o festim da Direita despropositado e ridículo. Assim, afirmar que ao cumprir o programa ficamos ‘livres’ para decidir o futuro é tentar iludir a vigilância semestral a que ficamos sujeitos, ignorar o ‘pacto orçamental’ da autoria da Srª Merkel e, finalmente, estarmos de novo frente à incontrolada especulação dos mercados financeiros.
Decorridos estes 3 anos continua presente uma dívida externa (agravada) aparentemente o leitmotiv do bailout, um défice (mais baixo) mas ainda acima dos limites pactuados na chamada 'lei de ouro' (orçamental), uma economia periclitante (sem que se vislumbre qualquer indício de sustentabilidade), uma carga fiscal insuportável, etc.
 
Por outro lado, o rebate social deste ‘ajustamento’ continua (e ameaça prosseguir) com o seu dramático cortejo que levos à criação de exército de desempregados, ao esmagamento dos salários e pensões, à redução drástica dos apoios sociais e à deterioração galopante dos serviços públicos.
O governo acha que cumpriu o seu dever. E, hoje, evidencia evidentes sinais de doentia sobranceria eivada de uma pungente irresponsabilidade. Por exemplo, o primeiro-ministro no Parlamento teve a desfaçatez de ameaçar os portugueses e uma das poucas instituições que tem cumprido (tribunal Constitucional) com novas tropelias. Assim: “Se medidas importantes que nos permitem criar poupanças do lado da massa salarial, não tiverem conformidade constitucional, novos aumentos de impostos ocorrerãolink.

Interessa descodificar o que ‘escorregou’ nesta frase.
- ‘Poupanças do lado da massa salarial’ serão mais esbulhos nos salários?
- Quais os limites da carga fiscal que este Governo admite como compatível com a sobrevida?
- Quais as balizas para o empobrecimento colectivo?

Perante este dantesco quadro a coligação governamental limita-se a aplaudir e elogiar o ‘fim do resgate’.
Fazem lembrar a história da hiena, predador que se movimenta em matilha na pradaria africana. Trata-se de um animal feio, mal-cheiroso, que se alimenta de dejectos e que espantosamente faz ecoar na noite o seus grunhidos em forma de gargalhada…
Ninguém sabe do que ri a hiena, como os portugueses não compreendem o que a maioria parlamentar teima em aplaudir.

Comentários

Andam hienas à solta e ninguém as controla.

Riem-se de nós.

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