No rescaldo das eleições europeias

Aos europeus não imaginam a tragédia que a desagregação da UE origina. Entre utopias e ressentimentos, a União Europeia, que preservou a paz e garantiu o desenvolvimento, pode transformar-se numa arena onde os nacionalismos fiquem à solta e expludam os regionalismos.

A falta do aprofundamento social e político, aliado às severas medidas de austeridade, destruíram a economia e, com ela, a solidariedade social. A União Europeia, um sonho cosmopolita, vai-se transformando num pesadelo que esqueceu os objetivos.

No que respeita a Portugal não sei como podem sentir legitimidade o PR, cujo apelo ao voto parece ter ajudado a abstenção, e a coligação que a alegada a falta de alternativas como álibi para perpetuar a política que só o PR e menos de 30% dos leitores sufragam. Foi, aliás, a votação, com os olhos postos nos problemas domésticos, que inquinou as eleições para o Parlamento Europeu.

Marinho Pinto, o mais popular dos eurodeputados, que, sozinho, vale o dobro do CDS e metade do Governo, tem cultura e passado políticos para não se deixar cair na tentação do populismo. Depende dele e das pessoas de que saiba rodear-se o seu futuro político e um módico de estabilidade nacional. Julgo conhecê-lo bem para me dar tranquilidade e ver quem o acompanha no Parlamento Europeu para a perder.

O PS, ao votar uma inútil moção de censura, segue a reboque do PCP que, desta vez, se deixou excitar com a vitória e avança para uma aventura vazia de consequências, em vez de esperar que a dupla Paulo Portas/Passos Coelho sentisse necessidade da moção de confiança, cuja vitória previamente assegurada, apenas a humilharia.

Os próximos tempos vão ser estimulantes na política e trágicos na economia.  Não se vê como substituir este PR, esta maioria e este Governo. E é urgente. São perigosos.

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