Eutanásia - Princípio do fim do tabu

Pela primeira vez em Portugal foi ontem apresentada e amplamente debatida a suspensão e abstenção de tratamento em doentes terminais.

A partir de um documento apresentado pelo Serviço de Bioética e Ética Médica da Faculdade de Medicina do Porto, os especialistas falaram da "hospitalização da morte", longe da família e dos avanços científicos e tecnológicos. O próximo passo será enviar a proposta aos partidos na Assembleia da República.

Comentários

Anónimo disse…
A iniciativa representa um passo importante na humanização da morte.
É evidente que vamos assistir a outra guerra, semelhante à desencadeada pela IVG. Os tabus, incritos na matriz cultural e religiosa, são difíceis de ultrapassar.
CA disse…
Lamento desiludir mas não deverá haver nenhuma reacção negativa da Igreja Católica.

Aquilo de que se trata não é de eutanásia mas sim de evitar tratamentos que só aumentam o sofrimento das pessoas.

A eutanásia que a Igreja Católica rejeita é a morte activamente provocada.
Vítor Ramalho disse…
A cultura da morte continua a seu caminho a favor das trevas e do retorno à barbárie.
Anónimo disse…
Lamento também desiludir. Suspender o tratamento quando clinicamente mais nada há a fazer no ponto de vista clínico, também é eutanásia (palavra derivada do grego e que significa "bem morrer"), e a que se chama eutanásia passiva ou ortotanásia,por oposição à eutanásia activa, em que a morte é clinicamente provocada para evitar o sofrimento desnecessário do doente. Já Bacon fazia esta distinção, utilizando as designações de "interna" e "externa". Ambas antecipam a morte do doente.
No meu comentário anterior não referi nenhuma posição da Igreja Católica em relação à eutanásia. Apenas referi os contextos derivados da "matriz cultural e religiosa" da sociedade, muito sensível com tudo aquilo que diga respeito à morte.
Em relação à Igreja Católica, outros, que não eu, conhecerão melhor as linhas com que se cose ou com que nos "coze", em lume brando, claro, já que não pode recorrer à fogueira para "matar" ou "mandar matar" em nome de Deus.E, pelos vistos, Deus, misericordioso como é, perdou todos esses atentados à vida, muito mais nefandos do que a eutanásia activa.
E isto tudo para dizer que sou defensor da legalização do recurso à eutanásia activa, declarada pelo próprio em documento escrito, reconhecido notarialmente, e desde que praticado em hospital público, supervisionado pela respectiva comissão de ética.

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