A História os julgará

João Cravinho continua a defender a opção Ota. Em parceria com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o ex-ministro das Obras Públicas do Governo de António Guterres, realizou um estudo sobre a localização do aeroporto e concluiu que Alcochete serve apenas o desenvolvimento regional.

NOTA: Falta-me competência técnica mas não me falta discernimento para ver que o País se desloca perigosamente para Sul de Lisboa.

A ingerência do PR exorbitou as suas funções e deslocou as decisões políticas para os grupos de interesses privados, enquanto o centro do País, em vez de presidentes da Câmara, tem comissários políticos dos partidos. Medíocres, por sinal.

Comentários

Anónimo disse…
Pois é, Esperança. Era inevitável que, mais dia menos dia, a acção governativa do autoritário e centralista sócretino também atingisse os seus interesses. Depois dos utentes do SNS, dos professores, dos funcionários públicos, dos desempregados, dos contribuintes, dos reformados, etc, etc, chegou a sua vez. È a vida... Habitue-se! E não arranje bodes expiatórios.
Mas não espere pelo julgamento da História. Daqui a um ano e meio há eleições. Aproveite-as para você mesmo mostrar o seu julgamento. Deixe-se de palavras e passe aos actos...
Anónimo disse…
Sou crítico em relação a muitas medidas tomadas pelo governo de Sócrates. No entanto, não posso deixar de louvar a sua pertinácia em reduzir o défice público. E para isso, teve de enfrentar a poderosa força dos sindicatos de determinadas profissões que, por incúria de anteriores governos, do PS inclusivamente,conseguiram obter privilégios desproporcionados em relação às reais possibilidades da economia e do Orçamento do Estado, e que, em relação aos trabalhadores do sector privado, constituiam uma verdadeira afronta. Pensão de reforma calculada pelo último vencimento, segurança total na ocupação do posto de trabalho (imunidade absoluta a qualquer despedimento), pagamento generoso e principesco das despesas de saúde, pagamento de horas extraordinárias, (coisa que a maioria das empresas não assume), progressão automática na carreira, fosse qual fosse o mérito, facilidade em justificar as faltas ao serviço por doença fictícia, através de atestados médicos, que nenhuma autoridade controlava (havia médicos que se dedicavam a esse sujo negócio, atropelando o seu código deontológico) e, acima de tudo, uma produtividade raquítica.
Os número são esclarecedores. Os vencimentos dos funcionários do Estado, em Portugal, representavam 15 por cento do PIB, quando na UE esssa percentagem era de 11 por cento, valor em que se posicionava a Espanha.
Habituámo-nos a um Estado gordo e pouco eficiente, por culpa dos políticos. Desde o consulado de Cavaco Silva a despesa primária disparou de uma forma não sustentada, sem que tivesse havido a sensibilidade política de reformar o Estado, praticamente intacto no seu modelo de funcionamento, tal como o herdámos de Salazar e Caetano, e, por outro lado, sem reformular o modelo estratégico do desenvolvimento da economia, com os empresários e os governantes a acordarem tarde para o fenómeno da globalização.
Com mérito, Sócrates enfrentou o mostro. Ganhou algumas batalhas, perdeu outras, tendo ficado algumas pelo caminho.
É certo que lhe faltou coragem ou vontade (ele está inclinado para o modelo neo-liberal) de fazer frente ao grande capital financeiro e aos grandes interesses instalados, que possuem os seus camuflados representantes no aparelho de Estado. Também está a falhar na Educação e na Saúde, onde a fuga às dificuldades parece, ilusóriamente, no ponto de vista, assentar numa perigosa deriva para a continuação das privatizações. Entregar a Saúde e a Educação aos privados é entregar o ouro ao bandido. Veja-se o descalabro das universidades privadas e a sua falta de qualidade pedagógica, para já não falar da facilidade com que atribuiem diplomas de licenciatura, inclusivamente o da licenciatura de Sócrates. Veja-se também o que se passa no Hospital Amadora Sintra, onde apenas são valorizados pela administração os serviços mais rentáveis, os de grande rotatividade de utentes, como é o caso da obstetrícia e da pediatria e da cirurgia, procurando-se "enxotar" para os hospitais de gestão pública os doentes portadores de doenças de elevada cronicidade (sida, hepatite, tuberculose etc.).
Perante este quadro, não me parece que Sócrates seja um mau primeiro ministro, qualificação que sem qualquer hesitação atribuo a todos os seus antecessores até Cavaco Silva, este sim, um dos grandes culpados da actual situação do país (os efeitos das políticas estratégicas só se podem avaliar a longo prazo).
e-pá! disse…
ALCOCHETE INTERNATIONAL AIRPORT
- The day after

Neste momento, ao Centro do País, ao Litoral Oeste e ao Interior beirão e serrano, só lhes resta, face a estes desequilibrios de investimento e às gritantes perspectivas de assimetrias no desenvovimento, exigir a REGIONALIZAÇÃO, JÁ!.

O Norte, pode ficar como está. Já tem Pedras Rubras para as situações domésticas e alguns do seus idolos foram, no que respeita ao âmbito internacional, os grandes premiados com a escolha.
E, por outro lado, nós cá pelo Centro do País, sabemos que, quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão.

A decisão de localizar o novo aeroporto internacional em Alcochete é a gota de água que faz transbordar o copo, à revelia de todas as contenções ou contemporizações.

Deste modo, impende a necessidade de uma resolução sobre a regionalização tomada, de imediato, pela AR.
Porque se formos para um novo referendo, o povo não vai votar a pergunta que lhe seja feita, mas julgar o governo... já sabem a cantiga do "enterro" daqui para o futuro... de todos os referendos. Felizmente, fizemos o da IVG antes de importarmos da Europa civilizada, estas novas teorias... de uma "moderna" democracia, muito mais pragmática e eficiente.
Como parecemos uns provincianos ingratos... Não é?
Anónimo disse…
Não me parece que o centro do país precise de mais infraestruturas do que o sul, nomedamente o Alentejo.

O centro está por si só sempre potenciado pela proximidade quer a Porto quer a Lisboa.
e-pá! disse…
Caro anónimo das Sex Jan 11, 11:44:00 PM

Como estamos tão estrategicamente colocados é, hoje, muito fácil migrar-mos para o Sul ou para o Norte.
E, no futuro, será imperativo?
CA disse…
Mas então o novo aeroporto de Lisboa devia ser nacional para servir a região centro mesmo que o resto da nação ficasse a perder com isso?
Anónimo disse…
Baralhar e dar de novo

Como cidadão interessado, tenho acompanhado com o mínimo de atenção o processo de decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa. Os argumentos dos políticos deixavam-me sempre cheio de dúvidas e os diferentes estudos técnicos demonstravam invariavelmente ora uma coisa ora o seu contrário, como se fossem talhados à medida, a fim de fundamentar opções previamente assumidas. Por outro lado, procurava, a maior parte das vezes sem sucesso, detectar a influência de grupos de interesses que, de uma forma egoísta, tentassem sobrepor-se ao interesse nacional, que é aquele que valorizo.
O estudo do LNEC, que comparava os sete factores críticos de decisão entre a opção da Ota e de Alcochete, pareceu-me constituir uma base credível para formular a minha opinião sobre o assunto. E assim, concordei com a decisão do governo em escolher o Campo de Tiro de Alcochete para a futura localização do novo aeroporto.
O que verdadeiramente me seduziu no estudo do LNEC, refere-se à questão ambiental e aos factores da competitividade. A integridade do grande aquífero da margem sul do Tejo ficava assegurada e, em relação à competitividade, valorizei a proximidade de Alcochete aos portos de Lisboa e de Setúbal e aos principais eixos da ferrovia convencional e do TGV, factores estes assumidos como fundamentais no Plano Estratégico da Região de Lisboa e Vale do Tejo, elaborado no final da década de noventa do século passado, para assegurar o grande objectivo de transformar esta região administrativa na porta atlântica da Europa, e no que isso implicava em valor acrescentado para a economia portuguesa no movimento de passageiros e de mercadorias e nos serviços a gerar em cadeia, ganhando-se assim competitividade em relação a Madrid (aeroporto de Barajas).
Mas, agora, aparece o estudo de João Cravinho, um defensor da opção da Ota, a complicar o meu raciocínio e a minha opinião, que eu julgava já definitiva. A autoridade e a independência de João Cravinho é inquestionável, assim como a sua probidade. A fundamentação em que se apoia, para formular o seu argumento mais demolidor em relação à opção assumida pelo governo, apresenta o mesmo rigor científico do evidenciado no estudo do LNEC. João Cravinho é peremptório: a opção de Alcochete apenas serve o desenvolvimento regional, enquanto a opção da Ota serviria o desenvolvimento nacional.
Ao impacto desta conclusão de João Cravinho, junta-se o alarme desencadeado pela notícia do jornal Público, de hoje, onde se revela a exclusividade concessionada à Lusoponte na exploração do transporte rodoviário nas duas margens do Tejo, entre Vila Franca de Xira e o mar, o que limita a margem de manobra do actual governo na adjudicação da construção e exploração da nova travessia do Tejo entre Chelas e Barreiro, vocacionada para o TGV, para a ferrovia convencional e para o trânsito rodoviário, empreendimento este imprescindível para a viabilidade do novo aeroporto em Alcochete. E ao alarme suscitado por esta notícia, junta-se também uma enorme desconfiança. É que o ministro das Obras Públicas que concedeu essa duvidosa exclusividade à Lusoponte, na sequência do concurso para a construção e exploração da Ponte Vasco da Gama, é agora, por obra e graça do Divino Espírito Santo, o presidente do conselho de administração daquele consórcio. Trata-se do engenheiro Ferreira do Amaral. Coincidências do destino.
Continuo a ter dúvidas!
Anónimo disse…
Como anexo ao meu comentário anterior, deixo este importante artigo do jornalista Ricardo Garcia´onde se evidencia a precaridade e a fluidez dos estudos técnicos das grandes obras de engenharia.


O mito dos estudos definitivos

Ricardo Garcia
Jornal PÚBLICO de 12.01.2008


É cada vez mais comum aos políticos dizerem que tomam decisões com base em estudos técnicos "rigorosos" ou "definitivos". O exemplo agora do novo aeroporto de Lisboa aniquila a imagem de ponderação e independência que tais afirmações possam sugerir. Em primeiro lugar, os estudos do passado - que há apenas dois anos José Sócrates brandia para justificar a Ota - afinal mostraram não ser nem rigorosos, nem definitivos. E, depois do que se passou neste processo, ninguém garante que amanhã não surja alguém com mais uma alternativa credível para o aeroporto.
Pode-se argumentar que as decisões só podem ser tomadas com base nas informações disponíveis num determinado momento. E que a qualidade das informações de hoje, sem dúvida, é melhor do que há dez, vinte ou quarenta anos. Mas não nos enganemos: a primazia da razão técnica sobre as decisões políticas é meramente ilusória.
Se isso fosse verdade, a Ota não teria sido escolhida em 1999, pelo então governo socialista de António Guterres. Na altura, a opção foi motivada por razões ambientais. Mas o documento técnico que a inspirou - o parecer de uma comissão para avaliar comparativamente a Ota e o Rio Frio - dizia que os estudos de impacte ambiental tinham tantas lacunas que não serviam de base para uma tomada de decisão.
O Governo, porém, tomou uma decisão porque achava que o devia fazer naquele momento. O mesmo se passa agora. O estudo do LNEC não é exaustivo e admite as suas próprias limitações. Mais do que isso, se um especialista em transportes conseguiu convencer o Governo de que havia uma alternativa na Margem Sul do Tejo, então racionalmente seria de se esperar que o Executivo lançasse um trabalho muito mais vasto de identificação de localizações possíveis, com as técnicas, as metodologias e os instrumentos agora disponíveis. Na longa novela do novo aeroporto de Lisboa, a única oportunidade em que isto foi verdadeiramente feito foi há quase três décadas.
Talvez o país não tenha tempo, nem recursos, nem paciência para voltar a estudar tudo, partindo do zero. Talvez nem o deva fazer, de modo a poder "andar para frente", segundo a lógica do primeiro-ministro José Sócrates.
Mas que não fique a ideia de que, finalmente, se chegou, por via do LNEC, à resposta científica definitiva de onde deve ficar o novo aeroporto de Lisboa. A decisão é política, e não técnica. É certo que o Governo seguiu a inclinação do LNEC para Alcochete. Mas nada impedia que valorizasse mais os factores críticos do estudo que são mais favoráveis à Ota.
Sem qualquer demérito, o estudo do LNEC não ficará para a história como a melhor avaliação que o país fez de onde construir o novo aeroporto. Será apenas aquele que inspirou a decisão de agora.
CA disse…
Alexandre de Castro

Nunca existiu nenhum estudo que escolhesse a Ota. A Ota só foi escolhida depois da eliminação política de todos os outros locais.

O estudo do LNEC tem um objectivo mais político do que técnico: salvar a face os objectivos ocultos do governo. Não é realmente um estudo técnico completo nem definitivo.

Se os estudos da CIP ou do LNEC não estivessem condicionados, a Ota ficaria muitíssimo pior. Mas isso seria mostrar publicamente que a obstinação de Mário Lino/Sócrates pela Ota era quase criminosa.

A obstinação de Lino/Sócrates teve mesmo assim um efeito: impedir um estudo técnico completo e rigoroso sobre todas as localizações e soluções possíveis.

Alcochete é uma localização razoável. Agora há que observar o modelo de negócio e o que se vai fazer com as acessibilidades. Como o João Miranda escrevia hoje no DN, Alcochete pode servir para Lino/Sócrates fazerem uma Ota encapotada.

Nas pontes do Tejo percebe-se hoje a gravidade de entregar monopólios a privados sem pensar no futuro.

Aquilo que o governo quer fazer com os aeroportos (entregar o monopólio a uma única entidade privada) é muitíssimo mais grave para o país do que a entrega do monopólio das pontes sobre o Tejo a jusante de Vila Franca. Impõe-se evitar isso!

A menos que Mário Lino/Sócrates já se estejam a ver na administração dessa empresa daqui a uns anos.
Anónimo disse…
Esta história do aeroporto, até mete nôjo...o jogo de interesses, é enorme e o país que se lixe.

Os políticos, actuam, conforme a maré...hoje dizem uma coisa, amanhã dizem outra. O que eles querem é estar, sempre, à tona d'água.

Para mim, TGV, só a ligação de Lisboa à rede europeia. Aeroporto nacional... só no centro do país.

Como o meu país é pequeno...
Anónimo disse…
Caro "Ca":
Agradeço o seu comentário resposta. Confesso que não percebi nas suas palavras se queria manifestar concordância ou discordância com o meu anterior comentário. Inclusivamente não cheguei a perceber qual das várias localizações estudadas para a localização do novo aeroporto de Lisboa tem a sua preferência.
As suas observações, na generalidade, não colidem com as que eu manifestei, incluindo as que se referem à reserva perante alguns estudos técnicos, que se limitam a a apontar a solução pretendida pelos seus clientes, embora não inclua nesse rol o estudo do LNEC.
Li as 25 páginas do Sumário Executivo do estudo do LNEC (ler o próprio estudo, para mim, seria inútil, por ser um leigo na matéria). Foi uma leitura proveitosa, que aconselho. Pareceu-me de uma grande independência ao privilegiar tangencialmente o Campo de Tiro de Alcochete, e respondeu às minhas principais preocupações que, como já anteriormente disse,incidiam sobre a protecção do grande aquífero e a proximidade aos portos marítimos e aos traçados das vias férreas.
Anónimo disse…
Eu queria escrever:
"...qual das várias localizações estudadas para o novo aeroporto de Lisboa tem a sua preferência.".

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