Momento de poesia


Ausência

O tempo passa, mudam as luas,
E eu carpindo saudades tuas…

Quem me dera trocar este sossego
Pela eterna canseira
Das águas do Mondego,
Que vão parar, felizes, na Figueira…

Ou ter sorte do vento,
Que quando quer, de passagem,
Vai agitar, sonolento,
Os pinhais da Boa Viagem!

Ser a ficha de ocasião,
Que se ganha e que se perde,
E sentir, no pano verde,
O calor da tua mão…

Ser onda que embala barcos
E feita espuma desmaia
Nos areais de Buarcos…
(Não há corpo que se esconda
De uma onda
A desfazer-se na praia…)

Ser esse sol que se entorna
Na nudez da tua pele
E suavemente a torna
Queimada, cor do mel!

Eu queria, até,
Ter esta sina singela:
Ser chávena do café
Na “Caravela”!
(Era bom,
Ficar tinto da cor do teu batom…)

Queria ser… Sei lá que queria!
O meu querer é tão incerto,
Que aspira nem sabe a quê
Mas qualquer coisa servia,
Desde que estivesse perto
De quem agora me lê…

a) Armando Moradas Ferreira

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Coimbra - Igreja de Santa Cruz, 11-04-2017