BPN - Caso político ou de polícia?

Depois das intervenções de emergência ocorridas em vários países europeus, chegou a vez de o Estado português entrar no capital dos bancos. O Governo sentiu-se "obrigado" a nacionalizar o Banco Português de Negócios (BPN) para evitar o efeito de contágio em todo o sistema financeiro.

Comentário: O que surpreende é esta informação do DN (site indisponível): «Os accionistas do BPN, entre eles destaca-se o ex-presidente Oliveira e Costa, (...) vão ser indemnizados pelo Estado português».

Será possível?

Comentários

Indemnizado porquê? Era o que mais faltava! Parece-me do mais elementar bom senso não indemnizar ninguém antes de serem apuradas responsabilidades, inclusivamente criminais, pois efectivamente o caso tem todo o aspecto de ser de polícia.
e-pá! disse…
Caso político ou de polícia?
- ambos!


Este é um escândalo de gestão danosa, persistente e de forma continuada que abusivamente foi incorporado na crise financeira que, partindo da Wall Street afectou o Mundo.

O BPN andava na corda bamba há muitos anos.
Os meios da alta finança nacional - e poderei estender às ex-colónias africanas - não foram surpreendidos.

O nanedotico é o BPN querer, neste momento, apanhar boleia na crise que o Mundo vive.

É perigoso confundir tudo e todos, como gostamos em Portugal.

Os accionistas do Banco, aqueles cujo volume de acções permitia, administravam os depósitos e os investimentos dos (anónimos) clientes. Outros eram convidados para gerir, ou colaborar nos corpos sociais, por questões de proximidade política, entenda-se partidária ou pura amizade pessoal.
Agora, uma coisa são os responsáveis pela administração ao longo dos anos, outra será os incautos (de boa fé, suponho) depositantes.
Os primeiros devem ser investigados pelo MP pelo menos por gestão danosa (um deficit de 700 M€ + um empréstimo recente de 200 M€) não são patacos. Para onde foi o dinheiro?
Poderá ainda haver outro tipo de crimes para além da má gestão...

Quanto aos clientes do Banco temos duas categorias:
1.) Os vulgares depositantes de balcão que já têm da parte do Governo, garantias do seu ressarcimento.
2.) E os investidores (individuais ou colectivos) através deste Banco, cujos activos ou hipotecas devem ser sujeitos a uma moratória até ser esclarecida as condições e a regular tramitação desses investimentos.

Voltando atrás, aos administradores, directores e altos responsáveis, quer do BPN ou da holding SLN e instituições satélites, verificamos que este caso constitui um haraquiri do PSD, nesta área das Finanças. O capital de confiança do PSD - perante os portugueses - para gerir dinheiro de potenciais investidores, vai exaurir-se, num ápice. A fama de bons gestores esvai-se pelo cano abaixo. Os danos partidários serão pesados e levarão muito tempo a reparar.

Vasculando, como penso que deve ser feito, aparece de tudo um pouco, desde cavaquistas, a barrosistas, a santanistas, i.e., muitos dos que gravitaram à volta dos anos de Poder PSD, lá estão ou já lá estiveram.
Neste momento, com um ar celestial.
Não sabiam de nada. Ou esqueceram tudo.
Será legítimo esperar que esqueçam que, para as prebendas, o Banco existiu. E assim não haverá reformas, pensões, indemnizações, gratificações, etc.
Só terão à sua espera - aquilo que qualquer português teria direito - a investigação criminal dos eventuais ilícitos praticados.
O cheiro a chamusco é tão intenso que tendo começado na Lapa já se aproxima de Belém...!

O BPN foi um desastre. Mas, com toda a consideração que tenho pelo governador do BdP, Dr. Vitor Constâncio, o papel regulador e fiscalizador da instituição que dirige tem de ser revisto, repensado e, necessariamente, modificado. Não funciona de certeza. Viu-se tanto aqui, como no BCP. Portanto, a metodologia não serve.
Um homem com mais de 50 anos não acredita em tudo o que lhe entregam para ler. Deve estar bem informado e será selectivo nos créditos a atribuir a relatórios "compostinhos" e ajeitados.

Mas, uma coisa de cada vez.

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