É o tempo de ser bom

O frio chegou, intenso e persistente, a causticar os pobres, os sem-abrigo e todos os que não podem beneficiar da queda abrupta dos preços dos combustíveis. O País atingiu um estado de desânimo que a decadência ética e a mediocridade dos governantes acentua.

Há lares onde a magra pensão dos velhos é o arrimo dos mais novos varridos na onda de desemprego para a miséria e a desolação. Noutros, vivem-se os dramas que a violência e a adversidade transportam. Em todos se antecipa a ansiedade da borrasca que aí vem.

É tempo de ser bom, de fazer um intervalo no desespero, de gozar a pausa de uma sopa quente e do suave encanto dos afetos que afloram depois de prolongadas ausências, mas a chaga do desemprego não se esvai, os tempos que se abeiram não anunciam melhorias e o empobrecimento é o futuro que ameaça eternizar-se.

Este é um período triste numa Europa que perdeu o sentido da união e da solidariedade, um lapso de tempo em que Portugal se tornou mais periférico e empobreceu, quando é de bom tom fingir alegria e sentimos que nos tiraram os anéis que levaram os dedos.

Há pouco, numa cerimónia pífia, o inepto PM tartamudeou as tradicionais boas-festas ao PR, com ar de cangalheiro num funeral em que os defuntos se fingiram vivos. O PR respondeu com palavras a despropósito, como é hábito, a lembrar o Prof. Pangloss, a dizer que tudo corre pelo melhor, da melhor maneira, no melhor dos mundos, na versão atual de um Leibniz de dimensão paroquial. Que falta faz Voltaire!

Os ministros estavam compostinhos. O PM e o PR, muito bem.

É o tempo de ser bom.

Comentários

e-pá! disse…
O Natal é cada vez mais um tempo de ilusões. Tornou-se um período em que andamos a fazer de conta que nos amamos uns aos outros.

Não sendo uma festa bíblica (não é reconhecido que o profeta católico tenha nascido nesse dia) esta data mais terá a ver com as celebrações da brunária pagã que assinalava o dia mais curto do ano e o nascimento (natividade) do 'novo Sol, com festanças, beberanças e orgias.

Passados alguns séculos (terá começado no Séc. V) e mantem-se fiel às suas origens e acrescentou-lhe uma outra vertente: o consumismo.

No actual momento e de novo só a hipocrisia que os detentores de cargos políticos emprestam à data, tentando rivalizar com a hierarquia religiosa que se mantem apostada em tornar tudo muito caridoso e transcendental.

Foi neste afã que Passos Coelho se deslocou a Belém e confirmar que (ainda) continua em S. Bento, por obra e graça de um crente de nome Aníbal.
Não diria que Santo Aníbal é um crente, mas um protetor de poucos e algoz de muitos.

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