UE: da ausência de ‘gratidão’ a um Governo servil ao ultraje aos portugueses…

O relatório de Bruxelas sobre a situação de Portugal depois de – formalmente e não de facto - findo o PAEF, melhor dizendo o intolerável ‘raspanete’ ditado pela Comissão Europeia e BCE, mostra à saciedade em que sarilho estamos metidos.

Para além das diatribes sobre o salário mínimo que não merecem resposta link, porque revelam a grave esquizofrenia à volta de um 'redentor' empobrecimento dos portugueses,  a CE não se coibiu de lançar outros e diversos avisos link.

Grande parte do relatório assenta em análises enviesadas por um pessimismo confrangedor em redor das fragilidades do crescimento económico e, noutros parâmetros, ameaça com uma nova crise da ‘dívida’. Neste campo, contraria, em absoluto, a propaganda do actual Governo que jura a pés juntos existir um crescimento sustentável e que a divida é pagável (e não necessita de reestruturações).

O documento de Bruxelas é um longo repositório de mais medidas de austeridade a que chama eufemisticamente ‘reformas estruturais’ (mais despedimentos [‘requalificações’] na função pública, reforma das pensões, alterações da legislação do arrendamento, etc). Esta maquilhagem que pretende incidir sobre os cortes atrás de cortes (e justificá-los) dando-lhe o epiteto de ‘reformas’, tornou-se enjoativa e, no mínimo, é pouco imaginativa (dado o seu carácter circular e repetitivo).

E o actual Governo que alinhou servilmente nessa fábula, durante todo o período de intervenção directa da troika, tem dificuldades no presente em sacudi-la. Quem muito se agacha... alguma coisa deixa à mostra. Sendo assim, condoído, tem de encaixar – sem poder estremecer - com a acusação de laxismo ("O apetite pelas grandes reformas estruturais parece ter desaparecido nos últimos meses. Além disso, um consenso sobre uma estratégia de crescimento de médio prazo parece não estar à vista" link).

A presente troika, de composição eminentemente europeia, abstém-se de especificar o que, no seu entender, são as ‘grandes reformas estruturais’. Pensamos que se referem à polémica e adiada ‘reforma do Estado’. Se for esse o caso, a Comissão manifesta uma de duas situações possíveis: ou, ignora a situação partidária nacional e o (fim do) ciclo político, ambas as situações nada propícias a consensos; ou, pretende alterar o regime passando por cima do ordenamento constitucional. Não se percebe. Mas no caso da última hipótese a gravidade da intromissão é incomensurável.  Trata-se de um ultraje ao País.

Todos sabemos que o Mundo muda velozmente mas a verdade é que, em 1986, quando entramos oficialmente para a Europa (então CEE) as condições de associação eram bem diferentes. Na verdade, é legitimo perguntar se foi para esta Europa que entramos.

Existe uma outra rábula que é preciso desmistificar. O Governo não se cansa de apregoar que ao longo de 3 anos lutou para (e no seu entender terá conseguido) ganhar o respeito dos seus parceiros europeus. Não teve êxito e acabou vexado por um bando de burocratas.
Pior balanço para uma legislatura não é concebível…

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