Notas Soltas - dezembro de 2014

1.º de Dezembro – Só a incultura e ausência de patriotismo poderiam ter eliminado esta data identitária do calendário dos feriados. Voltará, após o ausência dos que ignoraram a História e os sentimentos dos portugueses.

Ramalho Eanes – O ex-PR, que exerceu bem o cargo, para que não fora preparado, deu uma entrevista à RTP onde, com a sua indiscutível seriedade, se distanciou do atual PR, que pretende manter o Governo indiferente ao calendário do OE-2015.

Mário Soares – Nunca um homem com tantos defeitos foi tão grande. Culto, corajoso e cosmopolita, é a grande referência desta segunda República. O degredo e as prisões não quebraram o ânimo de quem, aos 90 anos, conserva invejáveis a lucidez e a coragem.

CIA – Com anos de atraso, conhecemos sevícias, violência e gratuita prática de crimes que a lei internacional e a consciência humana repudiam. O mais poderoso país terá de redimir-se dos exemplos que o envergonham.

EUA – A pena de morte não é apenas uma injustiça e crime legalizado por Estados que exoneram a humanismo do seu Código Penal, é uma atrocidade que se torna dramática quando se descobrem os erros judiciários que levaram à condenação de inocentes.

BES – A falência do GES/BES arruinou a economia, o prestígio do País, a confiança na banca e a honestidade dos políticos que, à sua sombra e com o seu dinheiro, construíram as suas carreiras. Assiste-se ao melancólico ocaso das figuras emblemáticas do regime.

CML – O voto contra a atribuição da Chave de Honra da cidade de Lisboa a Mário Soares, o maior vulto da 2.ª República, pelo solitário vereador do CDS, revela a matriz reacionária do único partido português que retirou da sede a foto do seu fundador.

Nigéria – O rapto de meninas cristãs por bandos islâmicos que as reduzem à escravidão é uma prática recorrente na zona do Sahel, onde o protestantismo evangélico e o Islão se digladiam num proselitismo que exacerba a nocividade e perigosidade das religiões.

Paquistão – Para os que condenam a descolonização portuguesa, eis o exemplo de um país que não passa de uma sigla unida pelo Corão, isolado pelo tribalismo e palco da violência sectária que escolhe crianças das escolas como alvo do terrorismo.

Cuba – O fim do boicote americano foi a decisão cuja demora não beneficiou os EUA e lesou gravemente a vida dos cubanos e a abertura do regime. Parabéns a Raul Castro e a Obama, cujo humanismo superou a vingança, e ao apoio interessado do Papa Francisco.

Vítor Crespo – Partiu o herói de Abril e alto-comissário que presidiu à transferência de poderes para Moçambique. O País recorda-o mas o PR e PM, ausentes do funeral, não se fizeram representar, nem apresentaram pêsames à família. Ingratidão ou vingança?


Violência doméstica – Em 2014, foram assassinadas 40 mulheres pelos maridos, o que coloca Portugal numa posição indigna que obriga os portugueses a olhar para os dramas silenciosos que o empobrecimento multiplica.

PR – A Mensagem de Natal foi feita a duas vozes, com Cavaco e a Esposa a alternarem na alocução. A surpresa não pôs em causa o carácter unipessoal do órgão de soberania. A eleição de uma mulher para o cargo terminará com a exótica figura de primeira-dama.

Vaticano – A chegada de Francisco não altera o que cada um pensa da religião católica mas foi saudável a chegada de um jesuíta, em contraste com dois antecessores ligados ao Opus Dei. Corajoso na luta travada, merece vencer e sobreviver.

Sonny – O cancelamento da exibição do filme «Uma entrevista de loucos», sob ameaça de terrorismo contra as salas de cinema e clientes, é uma cedência indigna à chantagem, abdicando de uma das maiores conquistas civilizacionais, o direito à livre expressão.

TAP – Não se pode confundir a greve patriótica de vários sindicatos, na defesa de uma empresa estratégica, com o apetite dos pilotos que, há muito, pretendem apropriar-se de ações gratuitas, num estranho mimetismo com governantes e banqueiros.

Ébola – A morte de 7518 pessoas, dos 19.340 casos de infetados, no ano que findou, na África Ocidental devia fazer morrer de vergonha e remorso os países ricos, que ignoram os dramas silenciosos do continente mais martirizado pela fome, epidemias e tiranos.

Fracking – A técnica para transformar em energia o gás de xisto nos EUA produz nova ameaça ecológica, a descida violenta do preço dos combustíveis, com problemas sociais graves na Rússia, Brasil e Venezuela. Portugal, nem assim, conseguirá reduzir a dívida.

Comissão Europeia – O primeiro relatório sobre a economia portuguesa após a partida da Troika não foi mera apreciação técnica, é a humilhante ingerência interna, perante o silêncio cobarde de quem, não podendo fazer pior, nem sequer defende a honra do País.

António Guterres – A notável entrevista ao Público é exemplo de carácter, inteligência e cultura de que só um homem de exceção é capaz. Deviam empalidecer de vergonha os que, não tendo a sua envergadura, podiam esforçar-se por imitá-lo na generosidade.

Madeira – A sucessão de A. J. Jardim conduziu à derrota do autocrata e demagogo que, durante 40 anos, fez da Região uma coutada e da democracia um simulacro, apoiado na gestão ruinosa, na rede de cumplicidades e no endividamento irresponsável.

Ilhas Selvagens – A ambição sobre as águas territoriais, ricas em gás, levou a Espanha a solicitar à ONU a respetiva soberania. Nesta altura precisávamos de um Governo, um PR e um MNE decididos e com prestígio para defenderem os interesses nacionais.

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