Notas soltas: novembro/2014

António Guterres – O desinteresse pela Presidência da República privará Belém de um grande vulto. Será sempre uma referência ética do regime, um humanista e o mais bem preparado, culto e sensível primeiro-ministro de Portugal.

Durão Barroso – A apressada condecoração tentou fazer esquecer a saída sem glória de um cargo onde começou por ser o mais americano dos europeus e acabou o mais alemão dos portugueses. Deixou a CE com a Europa menos coesa, mais pobre e sem estratégia.

Cavaco Silva – Ao dar a Barroso, cúmplice da invasão do Iraque, malquisto presidente da CE, a condecoração que Tomás outorgou a Salazar, indicou o candidato que desejava para a sua sucessão, mas o interessado goza de antipatia igual à do patrocinador.

Timor – Xanana enredou-se na governação e nos negócios. A expulsão dos magistrados que, de acordo com a Constituição, erigiam o Estado de Direito, minou o seu prestígio e o do Governo. A Portugal resta resistir à arrogância e a Timor arrepiar caminho.

EUA – A vitória dos Republicanos, que recuperaram a maioria no Senado e assumiram controlo total do Congresso, deixa o presidente Obama bloqueado no resto do mandato. A tendência conservadora acentuou-se e as consequências serão nefastas.

Pires de Lima – O ministro da Economia, sem o currículo de insucessos dos colegas da Justiça, Defesa, Educação ou MNE, protagonizou na AR uma aviltante recreação, sem precedentes. Por menos, pelos corninhos, Manuel Pinho demitiu-se de um governo PS.

Blair – O contrato secreto com uma petrolífera saudita, descoberto por dois jornalistas,  rende-lhe 52 mil euros mensais. Não lhe tremeu a mão a assinar um contrato entre uma ditadura teocrática e a China, tão firme como na criminosa invasão do Iraque.

Catalunha – O barril de pólvora que ameaça Espanha e aviva a desagregação europeia, é um litígio secular com Madrid. Aceitar um referendo que não envolva todos os povos de Espanha é abrir a porta a novas cisões e à desforra contra 300 anos no país comum.

Justiça – A ministra entregou à PGR dois funcionários como autores do maior desastre informático do Governo, acusando-os de sabotadores. Perante o veredicto, de que não houve qualquer sabotagem, a ministra permanece. Não assume a culpa nem a calúnia.

Taxa turística – A sua aplicação em Lisboa transforma Portugal no 18.º país da União Europeia a adotá-la, restando 10 que a não cobram. A especulação política do Governo foi a tentativa de justificar os 23% de  IVA da restauração, contra 1 euro.

S. N. S. – “Grande emergência de saúde pública” (OMS), com mortes e pânico, revelou a excelência da Direção-Geral da Saúde e do Instituto Ricardo Jorge, identificando a origem e a disseminação da legionela, e contendo-a. Obrigado, Dr. Francisco George.

Podemos – O jovem partido espanhol ainda não foi a votos e já é o 1.º nas sondagens. O desejo de mudança carrega expetativas. Pablo Iglesias, líder do novo projeto, é arauto da esperança que desafia o mapa partidário com convulsões imprevisíveis.

Vistos gold – Quando a corrupção infeta o mais alto nível do aparelho de Estado, o País atinge o apogeu da degradação ética. O PM deixou cair o MAI e ficou com os ministros da Justiça, da Educação e Ciência e do MNE em pior estado do que ele próprio.

Miguel Macedo – A alegada grandeza ética, a cujo coro se juntaram Sócrates e Soares, era a única saída para a insustentável permanência no Governo. O regresso à imunidade da AR devia aguardar a aclaração da coincidência das relações com o chinês preso.

Paulo Portas – As grandiosas decisões deste governante acabam sempre na Justiça, dos sobreiros aos submarinos. Até os vistos gold!

P. R. – O silêncio perante a degradação ética do regime e o funcionamento anómalo das instituições do Estado não são compatíveis com quem tem ainda dois anos de mandato e garantiu proteger, até ao fim, o Governo. Este é que não se aguenta.

Jerusalém – Dois palestinianos, armados com um cutelo e uma arma de fogo, mataram quatro fiéis e feriram oito, durante a oração da manhã, numa sinagoga de Jerusalém Ocidental. Que péssimo apoio à causa palestiniana!

Sócrates – Nenhum juiz determinaria a prisão de um ex-primeiro-ministro sem indícios tão sólidos que pudessem arriscar a confiança nos Tribunais. Podiam ter sido evitados o circo mediático e a grosseira violação do segredo de justiça que atiçaram velhos ódios.

PS – Apesar das coincidências, que ensombraram a eleição do secretário-geral, espera-se de António Costa mais do que pode fazer, reparar os males da pior maioria, do pior Governo e do mais irrelevante PR desta segunda República.

BE – Vítima do ruído que escondeu a Convenção, valeu-lhe o empate, em três votações sucessivas, a atenção televisiva merecida pela lufada de ar fresco que trouxe à política, pela luta persistente e abertura à federação de várias sensibilidades de esquerda.

Segredo de Justiça – A violação sistemática, um crime grave e repetido, a favor do Sol, Correio da Manhã e TVI, numa seleção cirúrgica de órgãos sensacionalistas, seguida de acusações escassamente explicadas, lesa os arguidos e abala a Justiça.

Carlos do Carmo – A distinção do maior fadista português com o prestigiado galardão Grammy, em Hollywood, foi uma honra para o cantor e para Portugal, honra a que só foram indiferentes os duros de ouvido ou de entendimento.

XX Congresso do PS – Com o espetro da prisão de Sócrates a pairar nos corredores e a esgotar o espaço mediático, António Costa deixou à Justiça o que lhe cabe e falou, para o País, de política.  Ninguém conseguiria gerir melhor um Congresso em tais condições.

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