Patriotismo, heroicidade e crime

A noção atual do patriotismo, sentimento cultivado pela primeira República portuguesa e assimilado por todos os que se reveem nos melhores costumes e tradições do seu país e no orgulho da sua história, é um sentimento nascido no século XVIII, que tanto pode revelar-se na defesa das fronteiras como na luta contra a opressão do Estado ou contra as decisões que comprometam a independência e autodeterminação do povo.

Não se pode, em bom rigor falar de patriotismo, quando as fronteiras era talhadas pelas guerras, costume ainda hoje em uso, ou pela via matrimonial, quando os núpcias reais não se limitavam a encontrar uma reprodutora mas a anexar vastos territórios.

Falar de patriotismo, para definir códigos de honra e o direito dinástico do século XIV, é ignorância ou maldade para instigar velhas rivalidades ou acicatar novos ódios.

Em 6 de dezembro de 1383, o Mestre de Avis, que viria a ser D. João I e a dar início à segunda dinastia, apunhalou o Conde de Andeiro, não tanto pela alegada ligação a D. Leonor Teles, com quem D. Fernando era parco a cumprir as obrigações matrimoniais, se é que alguma vez as cumpriu, mas por interesses da Ordem de Avis.

É curioso verificar como passou a ser um ato heroico, quando perpetrado pelo Mestre de Avis, por interesses da Ordem que seria secularizada em 1789, refundada em 1917 e que ora tem, como grão-mestre, D. Aníbal, que acumula com as funções de PR.

Curiosamente, a sentença de morte executada por dois patriotas, condenável hoje, mas heroica ao tempo, contra o rei D. Carlos, cúmplice da ditadura de João Franco, é vista como ato cobarde pelos mesmos que exaltam o assassinato heroico perpetrado pelo Mestre de Avis, sem os riscos e a consciência do martírio com que Manuel Buíça e Alfredo Costa, 525 anos depois, fuzilaram o rei e o príncipe herdeiro.

Mudam-se os tempos…

Comentários

septuagenário disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
septuagenário disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
septuagenário disse…
Nem 1/10 (um décimo) dos licenciados que emigraram recentemente para a Inglaterra, conseguem interpretar este post.

Reli e também ainda não assimilei.
castrantonio disse…
Quem não entendeu volta amanhã...

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