Cúmplice e refém



Sob o título em epígrafe, Vasco Graça Moura (VGM), no seu habitual artigo das quartas feiras no Diário de Notícias (site indisponível), desfere hoje um ataque violento a Mário Soares.

Com a truculência e os níveis basais de desonestidade intelectual que o caracterizam, VGM destila o rancor habitual contra todos os que se situem à esquerda ou à direita do PSD, o que constitui a sua imagem de marca.

Pressente-se uma central de intoxicação da direita de que são indício, entre outras, as graves acusações que a imprensa classificou como conspiração santanista.

Esta central, que conspurca, persegue, denigre e assassina caracteres, funciona de forma difusa contra figuras de esquerda, por células independentes, um pouco à semelhança da Al-qaeda, felizmente sem o recurso ao terrorismo armado.

VGM, sozinho, é uma célula a descoberto, a disparar adjectivos, calúnias e disparates.

Neste artigo, VGM passa a esponja sobre os últimos e desastrosos três anos de Governo PSD/CDS com a mesma ligeireza e forma expedita com que o CDS se desembaraçou da foto de Freitas do Amaral.

VGM foi o primeiro a dizer de Cavaco Silva que era «o PR ideal para convocar novas eleições e correr com os socialistas do Governo, na primeira oportunidade». É preciso denunciar as ameaças e combater o arrieiro, não deixando impunes os dislates, nem abandonando o combate democrático que nos espera.

Comentários

José Serrano disse…
Agora irão aparecer uma série de meninos de coro a dizer de sua justiça sobre a figura de Mário Soares.
Já Marcelo o fez, com maior subtileza diga-se, no passado domingo, dizendo que Portugal precisa mais de um economista. De certo confundindo as funções que deve ter um Presidente da República.
A verborreia de hoje não acrescenta nada a quem já conhece VGM e o que esperar dele.
zeu s disse…
A candidatura presidencial decorre antes de mais da vontade individual de um cidadao quando este entende poder servir o Pais naquela posiçao unipessoal e intransmissivel de mais alto Magistrado da Naçao, Chefe Supremo das Forças Armadas, ultimo garante das instituiçoes.
Respaldados por esta justificaçao, ao sabor das sucessivas conveniencias eleitorais, e fruto da ainda pouca consistencia politica dos lideres recem empossados, os partidos nucleares da democracia lusitana foram adiando as suas posiçoes, nao suscitando o interesse devido a este acto eleitoral.
Chegamos ao que chegamos, estamos em fins de julho e apenas se perfilam tres certezas, Cavaco será candidato, os comunistas terao o seu campeao derrotado na primeira volta, e Soares reflecte numa mais que provavel candidatura.
Do Bloco nao ha sinais vitais, so pode ter uma de duas posiçoes: estrebucha mas engole o candidato dos socialistas ou desencanta o velho professor Rosas (o miguel pau para toda a obra é improvavel). Num suposto colectivo em crescimento serao sempre os mesmos rostos umbilicais, será sempre mau.
Dos populares, em tempo de seca, nem agua vem, pequeno clube com um lider a part time so parece possivel a candidatura de damasio ou vilarinho, de resto afinam pelo diapasao cavaquista, será sempre mau.
Os comunistas correm nao para a classificaçao, mas apenas para mostrar que estao vivos depois de Cunhal morrer, vao cair à primeira, será, como de costume, sempre mau.
Marques Mendes tem nas presidenciais a oportunidade de unir e engrandecer um partido que teima em fugir-lhe da mao, enredado que anda, depois da saida de Cavaco, em lutas intestinas sucessivas. Pode constituir este, um momento chave, redentor, congregacionista, para o regresso a dinamicas antigas que catapulte os laranjas para um protagonismo mais consentaneo com os seus pergaminhos, o mais certo é vir a ser bom.
José Socrates pouco poderá ganhar com as presidenciais e o PS perderá com certeza. Socrates porque nao consegue um candidato, todos se afastam para actividades mais comezinhas e os que se oferecem sabemos nao serem socialistas. Restava Manuel Alegre, mas esse, Socrates nao queria.Quanto ao PS é altura de nos questionarmos, onde estao os baroes? onde estao os notaveis camaradas? para que servem no partido, se nao servem para o pais? será sempre mau.
Mario soares entra na corrida e, se por um lado nos garante qualidade no debate, vigor no combate e categoria no desempenho do cargo para o qual será eleito, por outro lado indicia a orfandade do PS, a incapacidade para gerar quadros efectivamente reconhecidos e admirados, o deserto que continua a ser a participaçao politica de elementos de outras areas da sociedade neste tipo de missoes.Será bom mas tambem é mau.
Marcelo Rebelo de Sousa é a excepçao a este ultimo considerando, com uma brilhante carreira profissional no mundo universitario, cultor de uma destreza comunicacional impar, apresenta-se como a unica reserva da area nao politicamente activa para esta candidatura. Mau, muito mau, nao poder ir ate ao fim ja que tem a sua base sociopolitica ja ocupada.


Abraço a todos os que no vosso blogue discutem o importante
Zeu s:

Não preciso de lhe pedir autorização para publicar o texto, mesmo que eventualmente habite o Olimpo.

Depois de escrito pertence ao Ponte Europa.

No entanto, gostava que me dissesse com que nome pretende que esse texto seja subscrito.

Parabéns pela achega enriquecedora.
zeu s disse…
Caro Esperança, só poderá ser devido à silly season o facto de considerar o meu contributo digno de post no vosso prestigiado blogue.
Como velho socialista de antanho apenas escrevi para dar o meu bitaite rosnado ao verdadeiro cao moura, a voz do dono.
Vou lendo com interesse as vossas opinioes e desta vez decidi participar.
Aproveito para mandar um abraço a todos os que conhecem o cafe atenas que sei serem muitos, e a si tambem amigo.
Apareçam em cafeatenas.blogspot.pt, para discussoes mais localizadas e pueris, lá todos me conhecem.
Continuem e ate sempre que me dê na veneta, abraço.
desanimado disse…
Este senhor tem uma dívida de gratidão para com Cavaco. Meteu-se numas embrulhadas na época da Expo-92 - Sevilha - e foi salvo por Cavaco. Há-de passar a vida a pagar-lhe !

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