A palavra dos leitores. Eleições presidenciais



A candidatura presidencial decorre antes de mais da vontade individual de um cidadão quando este entende poder servir o Pais naquela posição unipessoal e intransmissível de mais alto Magistrado da Nação, Chefe Supremo das Forças Armadas, ultimo garante das instituições.

Respaldados por esta justificação, ao sabor das sucessivas conveniências eleitorais, e fruto da ainda pouca consistência política dos lideres recém empossados, os partidos nucleares da democracia lusitana foram adiando as suas posições, não suscitando o interesse devido a este acto eleitoral.

Chegamos ao que chegamos, estamos em fins de julho e apenas se perfilam três certezas, Cavaco será candidato, os comunistas terão o seu campeão derrotado na primeira volta, e Soares reflecte numa mais que provável candidatura.

Do Bloco não ha sinais vitais, so pode ter uma de duas posições: estrebucha mas engole o candidato dos socialistas ou desencanta o velho professor Rosas (o Miguel-pau-para-toda-a- obra é improvável). Num suposto colectivo em crescimento serão sempre os mesmos rostos umbilicais, será sempre mau.

Dos populares, em tempo de seca, nem agua vem, pequeno clube com um líder a part time só parece possível a candidatura de Damásio ou Vilarinho, de resto afinam pelo diapasão cavaquista, será sempre mau.

Os comunistas correm não para a classificação, mas apenas para mostrar que estão vivos depois de Cunhal morrer, vão cair à primeira, será, como de costume, sempre mau.

Marques Mendes tem nas presidenciais a oportunidade de unir e engrandecer um partido que teima em fugir-lhe da mão, enredado que anda, depois da saída de Cavaco, em lutas intestinas sucessivas. Pode constituir este, um momento chave, redentor, congregacionista, para o regresso a dinâmicas antigas que catapulte os laranjas para um protagonismo mais consentâneo com os seus pergaminhos, o mais certo é vir a ser bom.

José Sócrates pouco poderá ganhar com as presidenciais e o PS perderá com certeza. Sócrates porque não consegue um candidato, todos se afastam para actividades mais comezinhas e os que se oferecem sabemos não serem socialistas. Restava Manuel Alegre, mas esse, Sócrates não queria. Quanto ao PS é altura de nos questionarmos, onde estão os barões? onde estão os notáveis camaradas? para que servem no partido, se não servem para o pais? será sempre mau.

Mário Soares entra na corrida e, se por um lado nos garante qualidade no debate, vigor no combate e categoria no desempenho do cargo para o qual será eleito, por outro lado indicia a orfandade do PS, a incapacidade para gerar quadros efectivamente reconhecidos e admirados, o deserto que continua a ser a participação política de elementos de outras áreas da sociedade neste tipo de missões. Será bom mas também é mau.

Marcelo Rebelo de Sousa é a excepção a este último considerando, com uma brilhante carreira profissional no mundo universitário, cultor de uma destreza comunicacional ímpar, apresenta-se como a única reserva da área não politicamente activa para esta candidatura. Mau, muito mau, não poder ir ate ao fim já que tem a sua base sociopolítica já ocupada.

Abraço a todos os que no vosso blogue discutem o importante.

Autor: Zeu s

Comentários

Mano 69 disse…
«- Meu amigo, respondi, sorrindo-me com incredulidade, actualmente a politica em Portugal é como a religião na edade media: absorve e domina tudo.
- Nesse caso aliste-se no partido, que lhe proporcionar os meios.»


in BONANÇA, João (1887) Historia da Luzitania e da Ibéria: desde os tempos primitivos ao estabelecimento definitivo do domínio romano
Lisboa: Imprensa Nacional, p. 8 (do Prologo)
Anónimo disse…
best regards, nice info
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