RTP – A entrevista de Marques Mendes

Quinta-feira previa uma boa entrevista do novel presidente do PSD a Margarida Marante. Marques Mendes é um adversário que respeito e considero.

No Congresso de Viseu revelou-se superior a Durão Barroso e Santana Lopes, embora perdendo. Não é demagogo e considero-o um político sério. Foi um excelente líder parlamentar no consulado de Marcelo. Tem experiência política, provas dadas como governante e instinto político.

Tudo parecia a seu favor, menos o PSD. E assim foi. O grande ataque ao PS foi pela promessa não cumprida de não aumentar impostos, tendo aumentado o IVA em 2%. Tinha razão, mas o último governo que integrou tinha prometido um choque fiscal, com redução de impostos, e fizera exactamente o mesmo: aumentou o IVA em 2%.

A sugestão ao Governo para vender património não convenceu. Estão frescos os negócios ruinosos de Manuela Ferreira Leite e o impensável orçamento de Bagão Félix. Quanto às SCUTS até tem, a meu ver, razão. Mas o PSD não iniciou em três anos as obras necessárias à colocação de portagens e o PS tomou uma opção política diferente.

Depois veio o facto de ter retirado a confiança política a Valentim Loureiro e Isaltino de Morais. Foi um acto de coragem e um exemplo que outros partidos deviam aproveitar. Andou bem a justificar o saneamento dos dois autarcas. Foi hábil e elegante para com Santana Lopes, que despediu da Câmara de Lisboa.

O azar foi Judite de Sousa trazer à colação Alberto João Jardim. Aí, Marques Mendes começou a derrapar, parecia um Ford antigo a patinar no gelo. O companheiro Jardim tem coisas com que nem sempre está de acordo.

O pior é que a gravidade do seu caso ultrapassa a dos outros. Judite insistiu e Marques Mendes parecia um náufrago que não encontrava a tábua de salvação.

Foi patética a incapacidade de afrontar Jardim, que já o humilhou. Faltou-lhe o golpe de asa para o desmascarar, minguou-lhe a coragem de o desautorizar perante o País e o PSD. Perdeu a oportunidade de se impor. A partir daí outros lhe vão faltar ao respeito e disputar-lhe o lugar.

Após esse momento lembrou-me o candidato a um emprego que exigia o domínio de três línguas, informática e gestão. O candidato não preenchia uma só condição e o entrevistador perguntou-lhe:

- Então o que veio cá fazer?
- Só vim dizer que não contasse comigo.

Foi o que Marques Mendes acabou por dizer ao País. Subentendeu-se.

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