A nova Constituição do Iraque

Eis o caminho que leva a democracia que os EUA prometeram implantar no Iraque:

A nova Constituição terá por base a lei islâmica - um monstruoso conjunto de prescrições religiosas que retira às mulheres os direitos que tinham conquistado em 1959, reconhecidos por Saddam, no campo do casamento, divórcio e heranças.

A obrigação de respeitar os «princípios democráticos» e os «direitos fundamentais» foi postergada pelo projecto constitucional já divulgado, que assume que «o islão é a religião oficial do Estado, a principal fonte de legislação e nenhuma lei pode entrar em contradição com o Islão».

Enfim, as sentenças de Maomé em vias de transitarem em julgado.

Fonte: Diário de Notícias de 27-07-2005.

Comentários

Nuno Moita disse…
Pelo menos foram eleitos e o Saddam “esqueceu-se” de reconhecer um direito basilar –o direito ao voto. Embora é claro que não concordo com a imposição de um estado/religiao.
Caro Nuno:

Eleições sob ocupação militar?

Eleições durante uma guerra civil?

- Não. Não é democracia nem confere superioridade moral sobre o déspota deposto.

Além disso, democracia não é apenas a vitória da maioria. É também, e sobretudo, o respeito pelas minorias.

Não há democracias teocráticas, nem teocracias democráticas.
Anónimo disse…
o problema é que Saddam era dos poucos que consegiu travar o fanatismo religioso islamita..

essa é qu é essa..

(apesar de considerar que era intolerável o desrespeito pelos direitos humanos praticado por Saddam)
Mano 69 disse…
Mais uma vez Carlos Esperança no seu melhor, uma no cravo «(...)democracia não é apenas a vitória da maioria.» e outra na ferradura «É também, e sobretudo, o respeito pelas minorias.»

E as eleições em Timor-leste foram como? Feitas debaixo de uma quase guerra civil, com a ajuda da ocupação militar/policial. E o resultado não foi justo e livre? E a minoria muçulmana perdeu alguma coisa, direitos, liberdades e garantias?

E quem é que disse que os governantes do Iraque são teocráticos ou se baseiam na teocracia?
MF disse…
Muito bem Carlos Esperança. Parece que os povos continuam a preferir escrever a própria história do que passar procurações a invasores. O Sadam era anti-democrata. Mas quantos ditadores houve na Inglaterra?, na França, e por aí fora? Amputar a história do seu curso normal sempre teve as piores consequências para o ocupante. E ou me engano muito ou a retirada do Iraque vai dar nas televisões. Ai vai, vai!
Não o tenho visto por cá. Olhe que não necessita de convite!
Abraço
mf:

Não é meu hábito ir regularmente seja onde for.

Pelas iniciais não o descubro.

O meu e-mail anda na NET mas aqui fica:
aesperanca@mail.telepac.pt
Anónimo disse…
gostava de saber o que os americanos querem fazer dos cristãos antes protegidos por saddam...

muitos já fugiram...a maioria diga-se. estes cristãos são bem mais antigos no iraque que a fé islãmica...para quem não saiba.

Como os americanos irão os proteger?

Nem os cristãos coptas que fugidos do egipto conseguem se safar dos tentaculos da justiça islãmica... mesmo nos eua...

uma familia copta foi assassinada porque o pai desta familia se sentia protegido nos eua, frequentando este sites islãmicos e dizendo abertamente o que sentia.

pois isto foi há uns meses...

encontraram-no e mataram toda a gente da sua casa.

e ainda temos de gramar com mesquitas na nossa terra?

tolerante dos intolerantes é o que os americanos são e resto dos liberais europeus.
Anónimo disse…
Enjoyed a lot! »

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