O princípio auspicioso de um fim trágico


Comentários

Anónimo disse…
Há 40 anos, nasceu uma grande esperança na Europa: a de um socialismo democrático.Os dirigentes do Partido Comunista checoslovaco pretendiam, numa sociedade de economia socialista, instaurar, pela 1ª vez na História, um sistema político democrático, com liberdade de imprensa e de associação, com pluralismo político e eleições livres.
Essa esperança lançou o pânico em ambos os lados da Cortina de Ferro: se ela se concretizasse, rapidamente alastraria a toda a Europa, "socialista" e capitalista.
Foi a União Soviética que se encarregou de fazer o trabalho sujo invadindo militarmente a Checoslováquia, derrubando seus dirigentes e substituindo-os por títeres a seu mando. O mundo capitalista rejubilou: por um lado, viu-se livre do exemplo ameaçador; por outro lado, pôde chorar lágrimas de crocodilo e acusar a URSS do crime anti-democrático. O "scialismo real" da URSS e satélites cairia de podre passados alguns anos, e o capitalismo estendeu os seus tentáculos a todo o mundo, com a chamada "globalização".
A possibilidade de um socialismo democrático ficou adiada por décadas, senão por séculos.
O Partido Comunista Português, caninamente fiel ào stalinismo soviético, foi dos poucos que apoiaram a invasão.
Todos os verdadeiros socialistas devem recordar e prestar homenagem a Dubchek e seus camaradas, injustamente esquecidos.
Anónimo disse…
Aonde é que há o tal socialismo democrático?Ah! o do Mario Soares.Vê-se muita bem este socialismo de rosto humano mormente reflectido na Mota-Enggil,no Pina Moura,etc e tal....
e-pá! disse…
Eu que vivi os tempos da guerra fria ou da cortina de ferro, quando, como turista, cheguei ao centro desta praça, na calmaria do Verão, vi-a, senti-a, tranquila, imponente, majestosa, linda.
A praça de São Venceslau em Praga!

É daqueles momentos, distantes, polémicos para quase toda a Esquerda, pejado de dissidências, rupturas, traições, controvérsias, desencontros, afastamentos, etc.
Uma situação fracturante.

Tudo isso me veio à memória mas prevaleceu o meu distanciamento em relação a um passado recente.

Quando aí cheguei, muitos anos após os graves acontecimentos, tive uma sensação única:
Estava a encontrar-me com a História.
A Minha.
A Contemporânea.
Aquela que eu tinha vivido à distância, mas tão perto.
Quando me entranhei naquele espaço físico foi de emocionar até às lágrimas...

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