A crise do PSD

O PSD não aspira a ser Governo mas gostaria de derrubar o actual. Não tem um nome credível para avançar mas tem um alvo para descredibilizar. Não produz um programa mas não gosta do do PS e também não gostaria se fosse diferente ou mesmo antagónico.

O PSD acha que o PS é um partido autoritário porque o líder goza de autoridade, e apela aos seus militantes para que, à semelhança dos do PSD, se revoltem e dêem entrevistas a dizer mal do líder. No fundo quer que o PS se comporte como o PSD enquanto deseja ser o que o PS é.

Marques Mendes depôs Santana Lopes, na única medida higiénica no PSD dos últimos anos, e Filipe Meneses correu com ele até Manuela Ferreira Leite correr com Meneses que quer, agora, correr com ela, enquanto Passos Coelho se colocou em lista de espera para substituir Manuela até que Cavaco o considere a má moeda e arranje outro.

Passos Coelho tem como programa privatizar a CGD, embora os tempos estejam maus para tão rudimentar programa, mas a crise pode fazer esquecer a falta de ideias e, em desespero, colocar no Governo o improvável Passos Coelho.

O PSD já teve experiências trágicas com Durão Barroso e Santana Lopes. Podia ser péssimo para os tempos mais próximos mas auspicioso para o futuro. Para o País, claro.

Um partido que, depois de Barroso e Santana, gerasse um Passos Coelho passaria as próximas décadas a tomar medidas tão relevantes como propor o dia nacional do gato ou a congratular-se com o próximo milagre, que já foi encomendado para a Irmã Lúcia.

Resta-lhe a fina educação de alguns deputados e a criatividade dos cartazes da JSD.

Comentários

e-pá! disse…
O PSD desbaratou, há muito tempo, quaisquer perspectivas de êxito relativamente às próximas legislativas.
Entrou em periodo de sobrevivência política...quase de hibernação!

Entretanto, Pedro Passos Coelho está a fazer um percuro tipicamente à americana, com tempo, step by step, calculado ao milímetro, com suporte mediático, ...
A caminhada de um fundista.
Enquanto para alguns (ou algumas) o tempo escasseia, a ele sobra...
Partiu muito lá de trás, tem mostrado muitas fraquezas políticas, sociais e culturais, mas está a trabalhar para burilá-las e, a meta é o período pós-eleitoral.
Aí, será a "nova geração" (velha na política) que se levanta, se embrulha na querela política e, obviamente, vai procurar assentar arraiais num espaço centro-direita e, eventualmente, cultivar o natural populismo dessa área.

O "desaire" de MFL serve-lhe politicamente.
É a sua estratégia pessoal. Parte de uma fasquia baixa, para não dizer muito baixa e facilmente obterá resultados. Não é dificil.

Em resumo: o PSD não tem estratégia partidária. Tem - para já - interesses pessoais em jogo.

Um "descanso" para Sócrates!

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