"Alegres" pré-campanhas...

Manuel Alegre anunciou que formalizaria a sua candidatura à Presidência da República no fim deste mês ou no início do próximo.

Tal anúncio motivou um chorrilho de reacções, no interior do PS, que mostram o desgoverno e as múltiplas linhas de fractura que condicionam, nos actuais tempos, as hostes socialistas.

Se no PSD existem "barões" e/ou "senadores" – movidos por diferentes blocos de interesses - que colocam sérias dificuldades às sucessivas direcções partidárias (a actual ao contrário do que se propagandeia não está imune a essas manobras…), no PS, a situação tem outras nuances, existindo (e persistindo) a influência das “grandes e pequenas famílias políticas” que se movimentam na sombra, colocando a Esquerda, sistematicamente, em profundas dificuldades, no momento da definição de objectivos estratégicos.

Ninguém terá a certeza - para além do movimento cívico que o apoia desde a primeira hora - de que Manuel Alegre é o melhor candidato para unir a Esquerda nas próximas eleições presidenciais. Muitos mais duvidarão da capacidade de Manuel Alegre em penetrar na área política do Centro-Esquerda e "arrastá-la" para o seu terreno eleitoral.
Todavia, Manuel Alegre, tem neste campo um background político e eleitoral, invejável, que não pode ser desvalorizado, nem ignorado..., muito menos, "achincalhado"!

A Esquerda não pode protelar ad eternum a discussão das próximas eleições presidenciais, enquanto – como se viu no Congresso do PSD em Carcavelos – a Direita mostra uma convergência política e uma vontade concertada na reeleição de Cavaco Silva.
A actual estratégia política da Direita passa, obrigatoriamente, por Belém. O combate à Direita, também, passará por aí. Razão pela qual as eleições presidenciais têm de estar na ordem do dia dos partidos de Esquerda. Não pode continuar como se fosse um assunto marginal...

Não é esse o entender de algumas “famílias políticas” do PS que não digeriram, nem conseguiram tirar ilações, das últimas eleições presidenciais, o que mostra um deficit de adaptação estratégica, de certo modo incompatível (ou indesejável) com a vida política.
Continuam a anunciar que “quanto o tempo chegar...” tomarão uma decisão.
O tempo de discutir, dialogar e, finalmente, decidir, poderá ter chegado… ontem!

Mas, ontem, a agenda presidencial foi dominada por José Lello, Capoulas dos Santos, Vítor Ramalho … e quejandos!
Que se preparam para fazer ao PS o mesmo que, no passado recente, de modo veemente e desabrido condenaram a Manuel Alegre. Neste momento, invocam a "sua" coerência política. Imagine-se!

Comentários

Graza disse…
"... muito menos, "achincalhado", Por mim podem votar em Cavaco, o Vieira da Silva, o Lello, o Capoulas, o Ramalho, o Santos Silva e o Dr. Soares se Alegre o enjoar. Nunca pensei ver no PS uma sanha tão deplorável contra Manuel Alegre como aquela a que assisti desde a sua última candidatura, diria até, que essa foi uma das maiores surpresas que alguma vez o PS me deu, talvez no fundo eu não conhecesse muito bem este PS, mas esse pode ser um problema meu e não do PS.
MFerrer disse…
Cara Graza,
E se ao invés se perguntasse qual foi a participação e a contribuição do MA para a perda da maioria do PS?
Para o retrocesso das medidas correctas na Educação e na Saúde?
Qual a contribuição do MA na dispersão de votos e no reforço do arrivismo de esquerda e do seu infantilismo político?
Antes de se começar a insultar a esmo e de se tratar pessoas honestas por "quejandos" talvez fosse mais correcto perguntar a MA de que lado está.
É que se escolhe o Bloco como a sua base de apoio está tudo dito!
Se houve sanha, essa foi a de MA contra a direcção do PS. E todos sabemos porquê, não é?
e-pá! disse…
Nota à margem...

A utilização da expressão quejandos, i. e., "o que tem a mesma natureza ou qualidade", está implicita no post quando se questiona:
..."Muitos mais duvidarão da capacidade de Manuel Alegre em penetrar na área política do Centro-Esquerda e "arrastá-la" para o seu terreno eleitoral."...
Graza disse…
Caro Ferrer.

Não há problema algum nisso, mas este Graza era o nome de combate quando dava uns pontapés na bola no recreio da escola e vem de Grazina, João Grazina.

Se reparar no meu blog, o Arroios, não vê nele uma linha ou estratégia, sistemática ou ocasional, de ataque às forças políticas que considero de Esquerda. É contra os meus princípios. Permito-me no entanto sublinhar pela negativa uma vez por outra, factos ou pessoas como: “Inveja Social”, ou as desconversas do Lello e os desatinos do Gama na Madeira e mais pouca coisa, pelo contrário, o meu posicionamento face à questão Freeport e outras, até pode fazer passar-me como um indefectível de Sócrates, e se escrever lá na barra de pesquisa: BE, PCP e PS, verá da forma equilibrada como enquadro sempre o que digo. Já com a Direita não tenho contemplações.

Estive, mesmo antes da primeira hora, com a Campanha de Alegre às anteriores Presidenciais, sei o que lá se disse, sei o que lá se pensou, sei como Manuel Alegre corporiza uma forma de estar livremente na política. Sei o que dele se disse e sei o que dele se pensou, e sei como muita gente no PS não entende esta forma de ser livre. Os ataques de que foi alvo estão registados.

Nesta mesma linha, recuso-me por isso malhar aqui no PS e entrar num arrolamento de factos em que MA saudavelmente divergiu, porque isso só queria dizer que haveria uma outra forma diferente de fazer. As minhas baterias estão apontadas para a Direita e para Cavaco, mas é óbvio que dispenso os Vieiras os Lellos os Santos Silvas e … vá lá, o Ramalho até é bom rapaz, o problema dele é não ver outra coisa à frente dele que M. Soares.

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