A bíblia e a cabidela

A Bíblia – segundo as Testemunhas de Jeová –, fala na questão do sangue cerca de 400 vezes e de forma sempre coerente. A Bíblia – segundo os mesmos exegetas –, refere a questão do sangue, quer como alimento quer como forma terapêutica, dizendo que não há reaproveitamento do sangue tirado da circulação do corpo.

Devo dizer que desconhecia a contabilidade e não me dei conta, entre tanta tolice, dessa magna questão com que o livro dos livros conduz a variadas idiossincrasias.

Eu, que devo a vida a sucessivas transfusões e me deleitava com uma cabidela de leitão, não acredito que o livro que proíbe a cabidela imaginasse o perigo para a saúde causado pelo aumento do ácido úrico e da creatinina. Deus era então omnisciente, mas não podia adivinhar a ação devastadora da cabidela na gota e do perigo para a função renal.

O que talvez Deus soubesse, na sua imensa sabedoria, era o perigo das análises para os condutores que substituem o sangue pelo álcool ou, dito de outra forma, que o misturam em doses a que o Código da Estrada impõe limites.

Foi assim que um condutor, reincidente no álcool e na fé, se recusou a tirar sangue para a contra-análise do balão, que acusava 2,87 g/l de álcool no sangue. Invocou objeção de consciência mas os juízes da Relação de Évora, para onde tinha recorrido, percebendo a fé, não perdoaram oito condenações por embriaguez, e, mais atentos ao Código Penal do que à Bíblia, condenaram o delinquente a sete meses de pena suspensa e à inibição de conduzir durante dois meses.

Aceita-se que exagere em missas e orações mas deve moderar o consumo do álcool.

Fonte: DN, 13-11-2014

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