A condecoração de Durão Barroso

Depois de estender o cachaço à venera que o venerando PR lhe dependurou, à guisa de belfa que segurava o cambão que os solípedes rodavam para elevar os copos da nora, no vaivém que os enchia no poço e os despejava na caleira agrícola, o agraciado regougou:

"Nenhuma distinção podia dar-me maior satisfação do que esta (...) por significar para mim o reconhecimento do meu país, por significar para mim também que foi correta a decisão que tive de tomar em 2004".

Barroso, o homem cuja pituitária cheirou gases tóxicos, no Iraque, a partir de Londres, que trocou o governo, que se desfazia e não sabia remodelar, pela sinecura de Bruxelas, confundiu Cavaco com o País, o reconhecimento com a cumplicidade e «a decisão que teve de tomar» com a fuga ansiosa que a mentira de Aznar, contra a ETA, lhe abriu.

A decisão a que alude, numa frase prenhe de narcisismo, onde repete a primeira pessoa à exaustão, carregada de pronomes, o dissimulado mordomo dos Açores, que declarava que o seu Governo estava a procurar que António Vitorino fosse ocupar o lugar, tinha o compadre Martins da Cruz, demitido por querer colocar a filha em Medicina, por ínvio diploma feito à medida, a tratar do emprego e a preparar-lhe a fuga.

Era agradável poder dizer-se do mais alemão dos portugueses, e do mais americano dos europeus, que tivesse sido outro Jacques Delors, um homem de Estado, um político com consciência social, o estadista que cuidasse a Europa solidária dos pais fundadores, uma comunidade coesa no aprofundamento político, social e económico, que não deixasse naufragar os países pobres nas ondas da crise das dívidas soberanas e dos malabarismos do capital financeiro.

Barroso não é um europeu amigo de Portugal, é o americano que acabou a comissão de serviço na Europa, iniciada ao serviço de Bush e de Blair e finda como guarda-costas da senhora Merkel junto dos países que humilhou e ajudou a empobrecer.

A criatura que Cavaco embalou na venera é o presente envenenado que vai andar por aí, hoje a deixar que o mestre da banalidade, como lhe chamou Saramago, fizesse prova de vida a atá-lo na fita colorida e, no futuro, à espera da desmemória do povo donde fugiu.

Comentários

e-pá! disse…
Gostei do 'regougou'!.
O cherne metamorfoseado em raposa...

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