Stephen Hawking e a fé

As declarações de Stephen Hawking, um eminente físico mundial, estimularam o velho debate, que é permanente, sobre a relação entre ciência e religião. Ele limitou-se a dizer que «Deus já não é necessário» e que «no passado, antes de entendermos a ciência, era lógico acreditar que Deus criou o Universo. Mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente».

Crentes de todo o mundo, uni-vos. A debilidade dos argumentos teístas e a angústia que sentem pela eventual perda do deus em que acreditam porque se habituaram desde cedo, criou desassossego nas sacristias e templos e só não chegou aos claustros dos conventos porque a clausura os resguarda.

A necessidade de um ente imaginário é a explicação, por defeito, para o que se ignora e, sobretudo, para o pavor da morte. Descoroçoados, os clérigos, que viram perdidas a reputação e a utilidade, desafiam os descrentes a provarem que Deus não existe, quando argumentos mais musculados e persuasivos deixaram de estar ao alcance.

É evidente que ninguém pode provar a inexistência do que quer que seja, como exigem os que invertem o ónus da prova. Como se pode provar que um elefante invisível não faz ginástica sobre as nossas cabeças? É impossível provar a inexistência do monstro do Lago Ness, do Abominável Homem das Neves e das sereias, estas, aliás, afiançadas por milhares de marinheiros e testemunhos tão credíveis como o de Cristóvão Colombo, que deixou escrito tê-las avistado nas costas da América. Fez pior ao mito a descoberta das hormonas do que a máquina fotográfica e, sobretudo, a rapidez e boas companhias nas viagens modernas.

Não são as afirmações de sábios que abonam a exatidão dos factos. São estes que põem à prova os conhecimentos dos cientistas. Foi assim que a Terra inverteu o movimento de rotação, para desespero dos crentes e gáudio dos pirómanos da Inquisição.

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