As vaidades, as ambições e o frenesim político

Da toca das vaidades saem coelhos de orelhas arrebitadas em busca da cenoura do novo partido que salvará Portugal. Todos têm um projeto contra os partidos, capaz de salvar o País com o novo. O seu.

Saprófitas de partidos a cuja manjedoura se alimentaram, trânsfugas que não suportam o desemprego político, noviços ansiosos de iniciação, serventuários de patrões, avençados de órgãos da comunicação social, que debitavam análises imparciais a favor do poder de turno, encontram-se agora disponíveis para a aventuras de um partido diferente dos que existem, empenhados no combate à corrupção e na salvação da Pátria.

Muitos vão morrer no Alcácer Quibir eleitoral. Boa sorte aos que tiverem êxito mas seja qual for a percentagem de eleitores que se incomodarem a votar, 230 deputados enchem 100% do hemiciclo de S. Bento.
Compreendo a vergonha de quem votou nos partidos que apoiam o atual Governo e os remorsos judaico-cristãos de quem reconduziu o PR, mas desconfio de quem desistiu de lutar, dentro dos partidos, pela sua melhoria, e de quem nunca se quis comprometer com os que existem.

Claro que os partidos, tal como a democracia, não são eternos. Espero que a vaidade e a demência não atirem Portugal para o atoleiro ingovernável, embora o estado em que vai ficar, e que o PR quer prolongar até ao fim, seja uma herança a que é tentador renunciar.

Depois de Passos Coelho e de Cavaco Silva compreendo que qualquer cidadão se julgue qualificado para os substituir.

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