O Chefe de Estado-Maior do Exército e o 25 de Abril

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O Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) tem a honra de comandar o principal ramo das Forças Armadas mas não tem a glória de se ter distinguido no 25 de Abril.

O CEME exerce funções legítimas, que um Governo democrático lhe confiou, mas não pode reclamar-se de ter arriscado a vida ou a carreira no movimento glorioso do 25 de Abril.

O CEME goza de confiança política mas não goza da gratidão dos que vibraram com o fim da guerra colonial, com o desmantelamento da PIDE, com o derrube do fascismo, com o fim do degredo, do exílio e das prisões arbitrárias.

Ao CEME exornam-lhe os ombros quatro estrelas enquanto o melhor aluno do seu curso só tem galões, mas não sabe o que é a gratidão de um povo a quem o libertou da ditadura.

Por isso, hoje, na Figueira da Foz um grupo de democratas evocou Gertrudes da Silva, Fausto Pereira, Sousa Ferreira, Diniz de Almeida, David Martelo, Lucena Coutinho, Ferreira da Cal, Garcia e Góis Moço.

Lembraram-se os milicianos e os soldados que foram libertar Peniche e marcharam sobre Lisboa para ocupar a Região Aérea de Monsanto, bem como o 1.º Sarg. Enf. Neves que, apesar de reformado, se apresentou para participar na Revolução de Abril.

Lá esteve também o capitão de Abril Monteiro Valente e outros que comprometeram as carreiras e a vida para que o actual CEME ocupe o cargo com legitimidade democrática.

Os que um dia saíram daquele quartel para nos dar a liberdade não puderam hoje entrar para comemorar o acto mais importante da História de Portugal, no séc. XX.

Não importa. Os quartéis são casas do CEME. As ruas são os quartéis onde se vive a liberdade.
O CEME, cujo nome ignoro, passa. Os heróis de Abril não morrem.

Comentários

Anónimo disse…
Isto era bom era no tempo dos SUV.
Não sabem o que é?
"Soldados Unidos Vencerão".
Cabeleira grande, anarquia nos quartéis, manifs por tudo e por nada.
Isso é que era Democracia!
Isso é que era Liberdade!

(Ó Esperança, por favor, não goze com a malta, tá bem?)
Anónimo disse…
Cada comentário vale o que vale e traduz a largueza ou estreteza de filosofia de vida que se tem. Talvez por isso alguns sejam "assinados" anonimamente. Mas o do "... tá bem?" não desprestigiaria tanto o anonimato se respeitasse, ao menos, a sua língua pátria. Não ficaria mal, a tal anónimo, dizer "...está bem?". É que o uso incorrecto da língua ajuda a difundir o erro. E se me vierem dizer que o anónimo autor conhece bem a forma correcta de dizer mas foi intencional ao dizer mal, ainda se torna mais grave do que o seu desconhecimento.
Veiga
Anónimo disse…
Grande comentário (o primeiro)!
Tantas ideias para debater e o comentador seguinte pega no "tá"...
Percebemos. Está bem.
Anónimo disse…
A classificação da grandeza do comentário... deixo consigo.
Mas o que comentei contribuiu para alguma melhoria da sua parte, como atestou. Valeu a pena.
Quanto às "tantas ideias para debater" pego agora noutra (sim, que estas coisas também são ideias para debater, há-de fazer o favor de concordar!), e certamente também perceberá. Mesmo sob "assinatura" anónima também não fica mal não usar expressões depreciativas como "...não goze com a malta", que em nada abonam em favor de ninguém. Eu sei que é lugar comum usar-se essa expressão; mas nem por isso perde os seus contornos depreciativos.
A manifestação de opiniões, o debate de ideias, deve sempre pautar-se pela lisura. É a minha opinião e, no fundo, também será a sua, presumo. Doutro modo, e no mínimo, caímos na anarquia de que se queixa e nas manifestações, neste caso de palavras sem conteúdo.

Mas, pegando na ideia central do seu comentário, se me dissesse que esses acontecimentos estavam um pouco à margem da democracia e da liberdade, entendidas na sua maior dimensão, enfim... Mas tenha para si que essas cabeleiras grandes, as quais não têm o meu louvor, posso adiantar, também têm a sua explicação e merecem a minha compreensão: traduziam de certa maneira o libertar das tensões acumuladas na sociedade por meio século de opressão.
Voltando um pouco atrás, da democracia e da liberdade também faz parte, intrinsecamente, podermos, sem receios, tecer os comentários que trocamos. E vão 32 anos em que o podemos fazer sem olharmos para o lado e sentirmos necessidade, por segurança, de saber quem nos ouve ou nos lê. Até 25 de Abril de 1974, se blogs houvesse, não era aí que me encontrava, por razões óbvias... E quero pensar que, pelas mesmas razões óbvias, também não era aí que alguém o(a) encontrava. Oxalá não me engane, que, desse modo, nalguma coisa estaremos irmanados.
Por isso doi-me um pouco a alma quando ouço/leio manifestar-se repúdio pela justiça de se honrar aqueles para com quem a dívida nunca estará totalmente saldada. Foi o que fez ao "condenar" a condenação do impedimento de acesso, por causa nobre, ao aquartelamento em causa. Fez-me lembrar os que hoje dizem que, no fascismo, dissseram sempre o que quiseram, sem medo. Claro que compreende que esses tais apenas teciam loas ao regime ditatorial de então. Hoje, diversamente, uns e outros, podemos dizer a nossa opinião. Também, diga-se de passagem, pouco mais que isso resta, digo eu.
Anónimo disse…
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