Iraque - julgamento de Saddam


Os aliados confundiram a rapidez da vitória com a virtude da expedição, a febre de destruição com a sede de liberdade e usaram a crueldade do regime deposto para legitimar a agressão.

A passividade perante a fúria devastadora de bandos ensandecidos deveu-se à cultura dos soldados americanos. Suspeitando que os sumérios fossem terroristas e os assírios financiadores da Al Qaeda, nas tábuas de gesso, com mais de cinco mil anos, desconfiaram da escrita cuneiforme, e numa cabeça esculpida, da época suméria, viram um busto de Saddam.

Numa biblioteca a arder, com preciosidades únicas, julgaram ver uma livraria do ministro da informação.

A passividade e incultura dos invasores criaram cáfilas de díscolos numa orgia destruidora e hordas de saqueadores em busca de despojos.

No Iraque, o povo que sobrou devastou palácios, arruinou o património, ajustou contas antigas e recentes, desfez o país que restava.

Os invasores não se limitaram a arrasar o país quiseram apagar uma civilização.

Agora, três anos decorridos, o País está em risco de separar-se, a sharia integra a Constituição, as rivalidades étnicas e religiosas acentuam-se e, apenas um elo de união se fortaleceu – o ódio ao invasor.

O julgamento de Saddam transformou-se numa farsa em que o ditador humilha e desmascara o tribunal que o julga. Os crimes de Saddam não têm defesa e o tribunal não tem legitimidade. É difícil apurar a verdade a um tribunal protegido por invasores que se basearam na mentira.

Ontem, «Saddam atacou o ministério do Interior, dirigido por um xiita e acusado de montar esquadrões da morte que assassinam sunitas, e disse que se tornou um órgão que matou milhares de iraquianos e os torturou».

Hoje não compareceu ao julgamento.

Comentários

Anónimo disse…
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse…
quarentaom:

Pode expor as suas ideias e fazer a respectiva propaganda no «Espaço dos leitores».

Por isso apago o seu extenso texto (1102 palavras) completamente alheio ao «Iraque - julgamento de Saddam»
Anónimo disse…
Todos os dias que passam, e já lá vão alguns anos, jogam a favor do Saddam.
A eminência de uma guerra civil torna, aos olhos dos iraquianos (xiitas, sunitas, curdos, etc), o ditador Saddam um "cimento" de coesão. Embora exercendo um poder tirânico e sanguinário concebeu a coesão nacional na existência de um Estado Árabe laico.
O grande perigo é que - em qualquer País - os factores de coesão nacional (lateralmente às suas bases de sustentação) são politicamente valorizáveis.
Assim, o triste espectáculo que o julgamento de Saddam oferece ao Mundo, é mais um daqueles "milhares erros tácticos" de que, recentemente, falou Rice.
Na verdade, os erros são como as cerejas. Uns acarretam outros. E dpois há erros capitais que não tem perdão.

Primeiro, as mentiras invocadas para a invasão.

Segundo, uma invasão feita ao arrepio da ONU e, logo, de costas voltadas para o Direito Internacional.
Este último erro, acarreta no seu ventre as circunstâncias que condicionam o julgamento de Saddam e da sua clique. Os EUA e o "actual governo" enfeudado aos interesses americanos não têm moral (ética) suficiente para o julgar. Por outro lado os EUA não têm espaço de manobra para o enviar para o TPI. De modo que a farsa segue dentro de momentos...

Armar-se em "polícia do Mundo" é difícil!
JN disse…
O lamaçal que era e é este pais, leva a estas coisas!
Mais pragemáticos foram os Romenos.
Pum, acabou-se!
Mano 69 disse…
«Suspeitando que os sumérios fossem terroristas e os assírios financiadores da Al Qaeda, nas tábuas de gesso, com mais de cinco mil anos, desconfiaram da escrita cuneiforme, e numa cabeça esculpida, da época suméria, viram um busto de Saddam.»
Ó Carlos Esperança

Tenha dó, linguagem cifrada aqui não. Eu sei que este trecho é de "fino recorte literário" mas o que se passa no Iraque é morte, destruição, fanatismo, repressão, etc., etc..

A poesia pode, e deve, combater a tirania mas é só no papel...
Anónimo disse…
Mano 69:

Apenas referi, sem brilhantismos de alto cunho, o que foi a orgia de destruição durante a invasão.

Abraço.
Anónimo disse…
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