LXXV aniversário da proclamação da II República espanhola



LA COGIDA Y LA MUERTE

A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.

El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones del bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
¡Y el toro, solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde,
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en punto de la tarde.

Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!

Federico García Lorca

Nota - No dia em que se comemoram 75 anos da II República de Espanha, ficam os versos de Lorca, lembrando os que foram fiéis à República, ao seu presidente MANUEL AZAÑA e ao regime democrático.

Comentários

Anónimo disse…
Memoria de la dignidad (I) Memoria de la dignidad (II) Maragall homenajeará en mayo a la Segunda República


Al cumplirse 75 años de la proclamación de la Segunda República no caben ni el miedo ni las reservas mentales para reivindicar la memoria de quienes la promovieron y el sacrificio de quienes la defendieron con su vida, pagaron con la cárcel por sus ideas o hubieron de tomar el camino del exilio. Frente a la proliferación de historiadores revisionistas, es preciso recordar, como hizo el presidente Rodríguez Zapatero hace unos días en el Senado, que aquél fue un régimen democrático, combatido con saña por la España oscurantista y retardataria que apoyó el golpe militar.

No hay gestos más inmorales que equiparar a víctimas y verdugos, condenar a las primeras al olvido y justificar a sus perseguidores, e insinuar que algunas razones asistían a quienes desencadenaron la matanza. Así lo entendió el Consejo de Europa a mediados de marzo cuando condenó la dictadura y sus crímenes. Por eso el Gobierno debe cumplir su promesa de tramitar la ley de la memoria histórica: para recordar que los valores y la herencia de la República, lejos de ser peligrosos como ha dicho el obispo Blázquez, forman parte de la cultura democrática que inspiró la transición. La reconciliación no debe fundamentarse en la amnesia.


Noticia publicada en la página 8 de la edición de 13/4/2006 de El Periódico - edición impresa.
cãorafeiro disse…
que bonito... gosto sempre de ver poesia nos blogs, quando não é inserida para encher chouriços naqueles dias em que um blogger não está inspirado.

não é este o caso, como é óbvio.

a espanha da segunda república voltou ao poder, 75 anos depois. mas a memória das vítimas continua ameaçada pelo silêncio dos carrascos.

«Os carrascos precisam de esquecer, as vítimas não devem consentir-lho»
(slavenka drakulic, como se não existisse)

quando as vítimas não sobrevivem aos carrascos, cabe a nós, que não estamos mortos, manter viva a sua memória, protegendo-a dos herdieros dos carrascos.
Anónimo disse…
A Espanha na sequência de uma fraticida guerra civil, teve a diginidade suficiente para sarar as profundas feridas que a dilaceraram. Mais, teve uma tremenda coragem cívica para ultrapassar fantasmas do passado que, historicamente, relevantes, só podiam gangrenar uma sociedade plurinacional carente de paz e desenvolvimento.
Hoje, novamente, a Espanha confronta-se com novamente com problemas de pacificação da sociedade. Das nações que vivem no
seio da sociedade espanhola. Hoje, como ontem, agitam-se espantalhos que vivem da exploração do medo, da sede de vingança e da intolerância. São os sectores mais recuados do largo espectro politico espanhol. São os resquícios franquistas encapotados - encastrados - em diferentes forças políticas.
Quando os povos e as nações desse espaço geográfico que designamos como "ESPANHA" estão à beira de passos históricos - estou a falar, p. exº., do estatuto da Catalunha e das tréguas bascas - saibamos apoiar "nuestros hermanos" e o presidente Zapatero nesta difícil mas gloriosa caminhada.
Tenhamos a dignidade de oferecer o nosso apoio aos amanhãs radiosos, justos e de reconciliação.
Sem medos e sem peias.
Anónimo disse…
"Mi infancia son recuerdos de un patio de Sevilla,
y un huerto claro donde madura el limonero;
mi juventud, veinte años de Castilla;
mi historia, algunos casos que recordar no quiero."

Antonio Machado
("Retrato," Campos de Castilla)
cãorafeiro disse…
é pá:

Espanha na sequência de uma fraticida guerra civil, teve a diginidade suficiente para sarar as profundas feridas que a dilaceraram

não concordo: enquanto não for desmantelado o monumento do vale dos caídos, feito por prisioneiros republicanos em regime de trabalhos forçados, as feridas da guerra civiel não sararão.
Anónimo disse…
cão rafeiro (salvo seja!):

"Sarar as feridas"...é a resposta democrática, digna, às atrocidades da guerra civil. As cicatrizes (sequelas) estão vivas por toda a Espanha...o que é outra coisa.

Agora, quanto ao Valle de los Caídos (só os de um lado...) considero, em termos democráticos, uma ignomínia. Politicamente representa o extreminio e a humilhação dos adversários e, pior do que isso, a sua exclusão social (e obviamente política);
Humanitáriamente, representa o "trabalho forçado" eufemistico parente da escravatura. A mobilização "forçada" de 20.000 republicanos enquadrados por pelotões de castigo trouxe muitas mortes aos espanhóis (directas e as posteriores vitimas de silicose).
Mas Franco não esteve sozinho - a Igreja espanhola concedeu bençãos e hossanas à basílica do Valle de los Caídos. Na realidade manchada pelo sangue dos prisioneiros republicanos...nos seus claustros ouvem-se as vozes de homens livres...
A Falange, organização política fascista que, em grande medida, gerou o PP, não quer ouvir falar do desmantelar deste escabroso monumento, autêntica variante dos campos de concentração nazis.
Zapatero, tem uma carta (código de honra) em casa que lhe legou o seu avô indeflectível republicano fuzilado pelos franquistas. Deve dar uma vista de olhos por esse codice...

O que o mundo civilizado espera é que Valle de los Caídos funcione, para o futuro, pedagocicamente, da mesma maneira do que Auschevitz.
Um monumento a relembrar os crimes contra a Humanidade. E, ao menos,resta mudar-lhe o nome!

Mas nada disto, que continuam a ser importantes referências históricas moldando as identidades dos povos, deve obstaculizar ou perturbar os actuais tempos que se vivem em Espanha:
- a reconciliação entre os diferentes povos que habitam, vivem e labutam num território que na falta de melhor designação é conhecido como "ESPAÑA".
Anónimo disse…
Os espanhóis parecem conviver bem melhor com a memória da SUA guerra civil do que alguma esquerda portuguesa e a guerra nem sequer foi nossa.
Anónimo disse…
Nenhum espanhol convive bem com a "sua" guerra civil.
Tenta "apagá-la" da sua memória quotidiana, mas "ela" está lá no inconsciente colectivo.

A esquerda portuguesa não convive bem nem mal, somente, não tirou daí as devidas ilações.

A direita portuguesa foi, primeiro, cumplice e, depois, cobarde. Assim se mantém!

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