Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
No comentário que fizemos ao post de 4.Jun.06 - "GNR EM TIMOR", alertavámos para as dificuldades da cadeia de comando da força expedicionária portuguesa em Timor.
Nestes últimos dias a situação político-militar na ex-colónia, apesar dos incansáveis esforços de Xanana, têm-se degradado vertiginosamente.
Ontem, a Igreja católica de Timor veio a público afirmar que nada tinha a ver com a instabilidade política e com os problemas existemtes no seio das forças armadas e da polícia. Quando a Igreja tem essa necessidade podemos ter a certeza que de facto está imiscuida nesta questões.
É um dado adquirido que a hierarquia religiosa timorense não suporta o actual 1º. ministro. Daí a que haja um vísivel mobil para o crime. Não estamos no tempo de Pio XII e do nazismo. Hoje, as coisas tornam-se mais claras porque as pessoas estão mais atentas e mais esclarecidas. Segundo creio a politicamente "inocente" Igreja também quer cobrar a sua (quota)parte do trabalho que desenvolveu no apoio à resistencia maubere contra a ocupação indonésia. Quer o ensino religioso nas escolas e detesta um primeiro ministro muçulmano que não lhe oferece isso.
Em resumo, quer o protagonismo político (no circuito de influências) e quer ser declarada como religião oficial desse atribulado estado.
E por agora assim estamos.
Outro assunto, refere-se à deslocação a Lisboa de uma delegação australiana para discutir problemas à volta do comando das forças de intervenção estrangeiras em Timor. Mau sinal emtermos políticos. Uma encoberta pretensão de ser reconhecida como potência regional, hegenomónica. Potência militar e, sejamos claros, económica. Está aqui também em jogo o petróleo do mar de Timor e, de certo modo, a sustentabilidade do desenvolvimento da nossa ex-colónia. Também aqui o alvejado 1º. ministro timorense não foi conivente com as leoninas pretensões australianas. Daí que o governo australiano tenha repetidas vezes critado Alkatiri e, liminarmente, incitado à sua demissão.
Parcialmente, já conseguiu resultados. Hoje, Ramos Horta mostrou-se disponível para ocupar o cargo de Primeiro-ministro de Timor-Leste.
As complicações estão longe do seu fim. Entretanto, a força da GNR vai andar de Herodes para Pilatos ou ficará confinada ao seu aquartelamento.
Considero, assim, que a decisão Socrates/Freitas do Amaral tomada quando da deslocação a Lisboa da delegação enviada por John Howard,
foi politicamente ingénua.
Esperemos que não tenha consequências directas para as forças portuguesas.
E, mais ainda, desejamos que Timor-Leste encontre a PAZ.
Deixem-se de falsas solidariedades !
Perante isto... é difícil dizer seja o que for.