Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
A exibição do poder das armas não é pedagógica. Também não infunde temor ou sequer respeito. O poder, hoje, assenta noutros valores.
De facto, continuam as guerras, em minha opinião, todas elas de difíceis ou anacrónicos festejos.
Os tempos são outros.
Até agora, no Mundo, não temos vivido a Paz, gozamos momentos (escassos) de "silêncio das armas", que sendo parecido é outra coisa.
De modo que as paradas fazem-me lembrar Esparta, onde as "virtudes" bélicas eram exaltadas e gravadas em pedra.
Assim:
"Surgiu então, parece, um homem sábio e astuto,
Compôs um conto, uma doutrina feiticeira
Vedando a verdade com véus de falso saber.
Cingiu assim os homens com o jugo do pavor,
Infundiu-lhes encantos e temores feiticeiros,
Mudando a desordem em lei serena e ordem"
Crítias, ...
(tio de Platão, um dos líderes dos 30 tiranos atenienses por conta de Esparta)
Caminhamos por aí?
As virtudes bélicas hoje em dia chamam-se "relações publicas" factor importante para angariar mão-de-obra e recursos para as forças armadas.
Não quererá o e-pá que o desfile dos três ramos das forças armadas portuguesas decorra, como em Atenas, num recinto privado e somente para consumo interno.
A democracia não precisa de provas de força, sejam elas quais forem, mas também não necessita de ser constantemente (re)lembrada que é preciso acautelar o presente contra os salvadores da pátria.
Utilizar o passado para profetizar a desgraça é sempre contraproducente…
"A democracia não precisa de provas de força, sejam elas quais forem, mas também não necessita de ser constantemente (re)lembrada que é preciso acautelar o presente contra os salvadores da pátria."
A minha concepção é: sempre que um País (qualquer que seja) está em crise política, económica ou social é preciso acautelar contra o surgimento de "salvadores da pátria".
Quanto maior for a crise, mais cautela.
Continuo a não concordar consigo, continuo a achar que o prazo de validade dos salvadores da pátria é sempre muito curto...
A História não nos ensinou isso!
O último que tivemos durou 48 anos... e o seu prazo de validade foi interrompido por um acidente "de cadeira".