Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
Parece indiscutível a clivagem entre Alkatiri, por um lado, e Xanana, a Igreja (e Horta?) por outro.
Alkatiri terá sido (?) um bom defensor dos interesses timorenses, na discussão do petróleo. Daí ter-se tornado figura pouco grata para a Austrália.
Para a Igreja, já o não era há muito.
O campo dos 'rebeldes' também parece claro, já se encontraram com os austrálios e opõem-se a Alkatiri. O que é estranho, se Alkatiri defendeu no petróleo interesses patrióticos.
A GNR no meio disto, posta às ordens do Presidente e do Primeiro-Ministro... não pode ser doutro modo, mas parece uma contradição. Vamos lá ver se não há bronca grossa.
Sei que é politicamente incorrecto dizê-lo, mas não me parece que estas farroncas de soberania do Freitas facilitem seja o que for, na solução do problema. Desde logo pela distância e pela logística. E porque afinal não se trata duma força propriamente militar, com funções militares explícitas.
Terá o Freitas dados que o levam assim a afrontar e a negar a pretensão da Austrália?
Pessoalmente, manifestações nacionalistas de papel comovem-me pouco. E interessam-me ainda menos.
dia a questão da intervenção militar estrangeira em Timor ou, se quisermos ser mais abrangentes, em qualquer País.
Continuo convicto que as missões militares ou militarizadas(Portugal e outros)que foram enviadas para Timor, salvo o devido respeito pelos orgãos de soberania desse País que o solicitaram, deviam ter o aval da ONU e estar sob um comando unificado (nomeado pela dita organização).
As intervenções militares em territórios estrangeiros necessitam (deviam necessitar)deste suporte político militar, em conformidade com o direito internacional. Não foi esta uma das questões que foi colocada (batalhada)pela comunidade internacional a quando da intervenção anglo-yankee no Iraque?
Convém mantermo-nos coerentes.
Depois há outro problema: os governantes de qualquer País (não estou a referir-me concretamente a Timor) que estejam sob pressão popular podem socorrer-se do apoio de forças militares "amigas" para consolidarem o poder?
E se for o caso de um déspota?
Vale a pena ter presente, p. exº., o caso da Guiné entre Nino Vieira e Assumane Mané. O pedido de auxílio militar à Guiné Connakri foi politicamente fatal para Nino, embora, no imediato, o tivessem ajudado a resistir à contestação interna.
Recuando mais na História, as intervenções militares da URSS na Hungria e Checoslováquia ou a dos EUA em Granada, p. exº, não provocaram o repúdio da comunidade internacional e descredibilizaram os interventores?
As relações internacionais a todos os níveis, sejam políticas, militares ou económicas, devem ser regidas por princípios consagrados no direito internacional e respectivos tratados.
A situação em Timor das forças estrangeiras pode gerar problemas para elas próprias e para o poder político timorense.
É que as motivações são díspares e, convenhamos, mais que muitas...
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