Ainda o 10 de Junho. Homenagem a Alcino Monteiro


Não sei se as palavras têm o mesmo significado para todos, mesmo para aqueles que se exprimem com desenvoltura e não são prevaricadores ortográficos ou sintácticos.

Já quanto aos factos, sei de ciência certa que, sendo os mesmos para todos, só alguns os interpretam do mesmo modo.

Para mim, herói é alguém abnegado, ao serviço de uma boa causa, com final vitorioso.

Na Alemanha nazi houve militares de grande coragem, enorme abnegação e inexcedível desprendimento pessoal, alguns, mesmo com recta formação moral. Traiu-os a ignóbil causa, mancharam-nos os crimes cometidos por alguns e desonrou-os o anti-semitismo.

É por isso que não há monumentos que os recordem. Discursos que os evoquem, missas que lhes sufraguem a alma ou paradas militares em sua honra. Não houve heróis, apenas vítimas.

Há quem, de cabelo rapado e suástica no coração, porque na Alemanha a tatuagem da cruz é inaceitável, vá à missa por alma de Hitler, faça a saudação nazi e mate um ou outro cidadão cuja cor de pele lhe desagrade. A polícia e os tribunais cumprem o seu dever.

Não sei a que propósito me lembrei da Alemanha.

Em 10 de Junho de 1995 foi assassinado em Lisboa Alcino Monteiro, um português mulato, cruelmente espancado, até à morte, por um bando de facínoras. Eram nazis os criminosos que o abateram. Há 11 anos.

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