Os 10 Mitos de Scolari

Passado o Campeonato do Mundo e não correndo o risco de ser acusado de traidor, "neo-inglês", "pró-francês" ou outra tolice qualquer, é hora de afirmar, contra a corrente (mais uma vez), os mitos em que este país se envolve à volta de Scolari (o Filipão).
1º mito: da unidade- Scolari uniu os portugueses. Sim, se considerarmos que utilizou como máximo denominador comum, unificar as antipatias absolutas de mais de 80% dos portugueses que, como se sabe, não gostam de Pinto da Costa e que simpatizam com qualquer um que julguem que lhe faça frente ou o antagonizem. É simples. Quem quiser ficar bem, ter conversa de salão, agradar à galera, basta invectivar Pinto da Costa. Quer dizer, basta fingir que se antagoniza com Pinto da Costa. Foi o que Scolari fez, mal desembarcou no país.
2º mito: da competência- Scolari foi campeão do mundo. Bem, com o Brasil não é difícil ser campeão do mundo. Ser treinador do Brasil é um risco em ganhar o troféu. Só Parreira e Zagalo não conseguem. Por razões óbvias!
3º mito: dos resultados- Scolari conseguiu uma final no Campeonato da Europa, ser o primeiro do grupo de qualificação sem derrotas e ficar em 4º lugar no campeonato do mundo. Foi à final do EURO 2004, a jogar em casa, contra a Grécia e... perdeu. Humberto Coelho, 4 anos antes, conseguiu chegar às meias finais, derrotado aos 119 minutos contra a França, que jogava em casa. António Oliveira, 8 anos antes, com uma equipa inexperiente, chegou aos quartos-de-final e foi derrotado por 1-0, de forma injusta. Ser o primeiro no grupo de qualificação, também a nossa selecção de esperanças o foi e deu no que deu. Ser 4º no Mundial? Mas, o 4º lugar existe? Não! Só existem os 3 primeiros. Como diria o Mourinho, é o primeiro dos últimos. Sobretudo quando se jogou com o sofrimento que se jogou. Os resultados de Scolari inserem-se na lógica normal de resultados das selecções nacionais desde os campeonatos de júniores e, em séniores, a partir de 96, em que Portugal esteve presente em quase todas as fases finais de grandes competições internacionais (a excepção foi o apuramento para o Mundial de 98, em que fomos "roubados" pelo árbitro francês Marc Bata, lembram-se?).
4º mito: da responsabilidade- Scolari mostrou a sua "responsabilidade", ao não querer assumir qualquer das derrotas neste Mundial. Com a mesma candura com que não assumiu a péssima prestação da nossa Selecção de Esperanças no último Europeu em Portugal. Para dirimir o problema da convocatória (tardia) dos jogadores, Scolari sublinhou a sua autoridade. A convocatória era quando ele quisesse. Ele era o responsável. Mas esqueceu-se de assumir essa responsabilidade e autoridade, após o desaire da participação no EURO-2006.
5º mito: da autoridade- Scolari faz acreditar os protugueses que é só ele quem manda. E não outros! Pois, o problema é saber quem é que manda nele! Havemos de saber.
6º mito: da lealdade: Scolari faz de selecção um grupo coeso e de lealdade. Por isso, quem está fora é mau, quem está dentro é bom. Nada aconteceu quando Nuno Gomes confessou que antes de Scolari os jogadores nem sempre davam o máximo nos jogos da Selecção Nacional. Uma afirmação destas seria de tal modo grave que deviam ter sido tiradas consequências da mesma. Mas aqui nada aconteceu. Tudo envolto num estranho manto de "lealdade" scolariana. Esta visão faz Scolari cometer erros atrás de erros, que ninguém quer saber: mantém a jogar pontas-de-lança que não marcam, jogadores que correm pouco, bem como os que entram e saem, consoante as suas conveniências.
7º mito: da integridade- Scolari nunca chamou Victor Baía à Selecção Nacional. Há razões, diz-se. Mas ninguém as sabe. Não são desportivas: Baía foi o melhor guarda-redes da Europa em 2004 (escolha da UEFA) e vencedor da Liga dos Campeões. Há razões para não o ter convocado para o EURO 2004? Só podem ser razões não desportivas. Então que as explique. E Quaresma, porque não foi convocado este ano? Foi o melhor jogador da Liga Nacional e campeão. E porque convocou Tiago em 2004, quando estava lesionado? E porque não convocou então Boa Morte, que estava em boa forma? etc e por aí fora...
8º mito: do visionário- Scolari é um homem de visão e de vitórias. Em quê, pergunto? Scolari nada ganhou no nosso futebol. Aliás, em bom rigor, nos últimos quase 40 anos, a única liderança do futebol que ganhou títulos (futebol sénior) para Portugal foi a de Pinto da Costa. Vários títulos europeus e internacionais. Estes são os factos. Mais ninguém ganhou nada! Será que já alguém explicou isto?
9º mito: do futuro- O pior pode ser o futuro. Esta selecção vive ainda do fabuloso trabalho de Queiroz e de outros treinadores nacionais que formaram os actuais jogadores. Qual deles é descoberta de Scolari? Nenhum. Diz-se que se Scolari sair agora, será um passo atrás no futebol português. Em quê? A nossa selecção de esperanças está um desespero. As selecções mais jovens não dão resultados. As referências da actual selecção estão em vias de sair (Figo, etc). Futuro de quê? Um seleccionador que insiste em alimentar uma guerra estéril com um clube nacional, que dá resultados e é campeão. Do qual não quer jogadores. No estádio do qual não põe os pés. Para quê? Para contento do ego pequenino das classes bem-pensantes e alegria do pagode, dos que que não suportam Pinto da Costa e, mais do que tudo, amam apenas quem o enfrente? Para quê? Ganhámos o quê com isto até hoje?
10º mito: do amor à selecção: criou-se a ideia de que Scolari ensinou os portugueses a amarem Portugal. Dá a ideia de que antes ninguém gostava da Selecção. Valha-nos Deus! Sejamos razoáveis. O EURO 2004, por ser em Portugal, pela fortissima mediatização que gerou, e a partir daí também neste Mundial, mobilizou muito mais os portugueses. Foi isso que mudou e não os níveis de amor ao país. Mas a par deste sentimento positivo, Scolari quis criar sobre si próprio um culto que eu rejeito. O de que quem não está comigo está contra a Selecção e está contra Portugal! E isto é inadmissível e a razão de ser deste texto. Quer gostem mas sobretudo quer não gostem.
Amo o meu país. Adoro a minha Selecção. E respeito o meu Seleccionador. Mas não tenho de concordar com tudo o que faz. E sobretudo, não me eximo de exercer livremente as minhas críticas. Viva Portugal! Um abraço.

Comentários

Anónimo disse…
"Viva Portugal" ou...
Viva Pinto da Costa?
Mano 69 disse…
Mais valia estar mudo e quedo...
Anónimo disse…
Rui N. Dinis:

Bem-vindo à colaboração no Ponte Europa. Há temas em que a minha manifesta ignorância me não permite tomar posição.

Abraço.
Camarelli disse…
vinte minutos, um golo de quem?
figo + nuno gomes... o passado, portanto, sem scolari.
com pauleta estivemos quase sempre a jogar com 10 e até menos (tanto fora de jogo sabota o trabalho dos colegas)
Anónimo disse…
António carlos:

Parabéns pelo brilhante artigo!

Ele Infelizmente fica cá porque ganha MUIIIITO BEM.

Ah! LUIZ FELIPE provou que Deus e as nossas Senhora EXISTEM, mas graças a deus não gostam de Futebol
Anónimo disse…
O homem comum é exigente com os outros;
o homem superior é exigente consigo mesmo.

Marco Aurélio (161-180)
Anónimo disse…
com mitos ou sem mitos,
uma coisa é certa:

quem é afinal a selecção violenta e agressiva?!...

não disse Scolari que a Italia também é forte "fora do campo"?

Parabéns Selecção, faltou um pouco de sorte e de jeito!
Anónimo disse…
deixa-me adivinhar: és do fc porto.
Anónimo disse…
Quais as razões para que o Brasil não fosse campeão do mundo?
Para si são óbvias, para mim não.

Humberto Coelho chegou à semi-final do Euro e perdeu contra a França (certo), mas o campeonato não foi na França mas na Bélgica-Holanda.

Claro o Oliveira, com aquela brilhante prestação no Mundial da Coreia/Japão onde até se agrediu o árbitro ou as manifestações lindas na meia-final contra a França deram no que deram... ...todos olham para Portugal como um grupo de violentos e com Scolari nada disso se passou...

... pode ser contra quem quiser, mas...

... ah! não foi só o Porto a ganhar, tb Carlos Queiroz o fez, ou já se esqueceu...
Rui Nelson Dinis disse…
Sou dos 1,5 milhões de quem o Senhor Scolari não gosta. E sou da Académica. Também sou português (sem impostos em atraso nem dívidas à segurança social).
Mas penso pela minha cabeça. Sou dos que ninguém põe de fraldas e de repente a babar pelos cantos da boca e a bater palminhas ao primeiro palerma que aparece. Não faz o meu género.
Está satisfeita a sua curiosidade? Espero que sim. Cumprimentos.
Rui Nelson Dinis disse…
O Brasil só não é campeão do mundo quando tem azar (como em 1982) ou quando tem seleccionadores manifestamente inaptos. Conhece o Parreira e o Zagalo? Parece que não...
Quem agrediu um árbitro no Mundial da Coreia não foi o Oliveira. Que me lembre. Foi um menino d'oiro do futebol português. Hoje há outros meninos.
A imagem da selecção portuguesa neste Mundial ficou prejudicada. Só nós aqui é que nos andamos a iludir nesta matéria. Leia os jornais e os sites estrangeiros e percebe isso. Assisti a parte do Mundial fora de Portugal e fiquei certo disso.
A selecção portuguesa deixou uma imagem pobre, de jogadores fiteiros, que mergulham para a "piscina", que dão cabeçadas às escondidas, que provocam adversários e encomendam cartões vermelhos aos árbitros. Essa foi a imagem que deixámos. Houve pouca humildade nossa. E depois respondemos com o discurso de que "somos pequeninos" e os outros não nos deixam ganhar nada...
Disparates. Não ganhamos o EURO 2004 por manifesta incompetência. Houve tudo para que isso acontecesse. A culpa é sempre dos outros?
Pior só a França, com um treinador arrogante e patético e um Zidane violento, a quem a FIFA, de forma absurda, ainda decidiu premiar com uma escolha como o melhor jogador. Incompreensível.
Anónimo disse…
a académica sempre foi um excelente alibi...
Anónimo disse…
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