A posição da Renovação Comunista

Sobre a situação política em Timor-Leste

A evolução da situação política em Timor-Leste tem sido acompanhada com crescente preocupação pela Renovação Comunista, dado estarem a verificar-se naquele país vários acontecimentos que configuram uma grave ruptura entre os diferentes órgãos de soberania com repercussões no normal funcionamento dasinstituições e na desejável estabilidade social.

A cronologia e a natureza dos acontecimentos conhecidos, exaustivamentenoticiados pela imprensa nacional e internacional, os métodos que têm vindoa ser utilizados no seu desencadeamento e as exigências dos protagonistasque vêm reclamando a condução dos confrontos das últimas semanas, apontam para a existência de uma acção concertada no sentido de desestabilizar avida política naquele território e impor uma solução governativa à margem da legalidade democrática e constitucional e contrária à vontade manifestadapelos timorenses em eleições.

Os instigadores deste clima de conflitualidadetêm explorado a arma de uma falsa divisão entre a população para a virar contra o governo liderado por Mari Alkatiri e contra a Fretilin. A ocupaçãode Díli durante vários dias sob a protecção das tropas australianas e os distúrbios e ameaças verificados nessa altura serviram como arma de pressãopara levar à demissão do primeiro-ministro, à paralisia do Governo e daAssembleia e à concentração de poderes no Presidente da República.

Tem-se devido à clarividência, à experiência e ao alto sentido de responsabilidades demonstrados pela direcção política da Fretilin a contenção de um enfrentamento com os opositores do governo, evitando dessa forma danos maiores entre os timorenses.

Para a situação que actualmente se vive em Timor-Leste não é seguramente alheia a existência de importantes recursos naturais naquele território e de quem os pretende controlar.

Conhecida a intenção do governo chefiado porMari Alkatiri de seguir uma política autónoma relativamente às potênciasregionais, deve procurar-se na ingerência externa a causa principal, embora não a única, para a tensão actualmente existente naquele país.

Compete aos timorenses, mas também a Portugal e às Nações Unidas darem o seu contributo para o livre exercício das liberdades e o respeito pela ordem democrática.

A Renovação Comunista manifesta toda a sua solidariedade à Fretilin e aos timorenses na procura de uma solução democrática para a actual situação e apela a todos os democratas portugueses para intervirem a favor do povo deTimor-Leste, apoiando a sua autonomia e independência.

Lisboa, 30 de Junho de 2006

A Comissão Permanente da Renovação Comunista

Nota: Surpreende o silêncio dos partidos políticos portugueses.

Comentários

Anónimo disse…
o silencio sempre me surpreendeu, depois percebi porque quando me tornei mais adulto.................

mas nada mudará enquanto não se praticar e compreeder o poder que tem a nossa liberdade de escolha.

e por fim:

Você tem-me cavalgado
Voçê tem-me cavalgado seu safado
Mas uma coisa é o que pensa o cavalo.
Outra quem está a montá-lo.
Anónimo disse…
Nem sempre o silêncio é de ouro. Por vezes o ouro pode ser negro (petróleo). E o silêncio torna-se escuridão.

Outras vezes, é o sacro silêncio. Sons abafados pelas sotainas e um indelével odor a incenso e a mirra.

Martinkus (ex-correspondente australiano em Timor-Leste), em artigo recente, afirma que personalidades da Igreja e da oposição, acompanhadas por dois elementos estrangeiros, tentaram convencer, repetidas vezes, Matan Ruak e o coronel Falur a derrubarem o Governo (de Alkatiri).

Todos trabalharam no silêncio.

Até que apareceu o elo mais fraco - Rogério Lobato, um mero instrumento político - resta saber a soldo de quem - para atingir Alkatiri ( provavelmente sem consciência política do facto), o que foi conseguido, com os distúrbios em Dili. Railós, foi o "jagunço" de serviço das perturbações e, depois, submisso interlocutor dos australianos.
O "grupo" referido por Martinkus - com sensibilidades alargadas mas com finalidades estreitas e comuns - que tentou aliciar Ruak e Falur não deve (não pode)ser estranho a todas estas movimentações.

Xanana, aproveitou para quebrar o silêncio e, nesta confusão, resolveu ajustar contas, antigas e recentes, com a Fretilin, ouvir Railós, programas australianos e, finalmente, exigir a demissão de Alkatiri.

Em Portugal, o comunicado da Renovação Comunista pouco ou nada altera o silêncio que por cá habita.

De recordar, sem para já querer inferir outras consequências, que a Galp Energia perdeu, para a italiana ENI, a exploração de petróleo e gás natural no Mar de Timor. Por decisão do governo de Alkatiri.
O que podendo não causar o silêncio absoluto, baixou muito os decibéis.

Para além da efusiante alegria que temos visto nos GNR's em Timor - relativa às vitórias da equipa portuguesa no Mundial 2006 -pouco mais sabemos.
Outro silêncio.

Timor, para os portugueses, permanece um labirinto onde sucessivamente se vão virando esquinas atrás de esquinas, mas não encontramos a saída.

E, sendo assim, sepultado nos silêncios que tanto nos incomodam ouve-se o "ruído" da poesia:

" De todo o silêncio
ouço só o esplêndido
silêncio das árvores.

Pois o silêncio de quem fala
e cala
é incompleto.

Por isso, ouço o silêncio
distante
das árvores que nunca vi."

Fabio Rocha

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