O feitiço e o feiticeiro

A aposentação de Manuel Alegre, aos 70 anos, por imposição legal, conferiu-lhe direito a uma pensão de 3.219,15 euros mensais.

Se, como afirmou um diário, a pensão é fruto de uma efémera passagem pela RDP e ele a recebe efectivamente, é motivo de escândalo.

Mas se, pelo contrário, não a requereu aos 65 anos e é fruto duma carreira contributiva, passada com mérito e destaque na vida política, só se estranha que um vice-presidente da AR se aposente com menos 2.000 euros mensais do que um notário, conservador ou magistrado, por exemplo.

Marques Mendes, ao ter engrossado a onda de demagogia e o coro de calúnias, deve uma explicação ao País. É a ele que cabe agora provar o comportamento reprovável de Manuel Alegre ou assumir o ónus ignóbil da calúnia que ajudou a alimentar contra um colega parlamentar.

Manuel Alegre nunca faria o que fizeram numerosos autarcas que se aposentaram na véspera de um novo mandato. E esses estavam na casa dos cinquenta anos e não tiveram a reprovação do presidente do PSD.

Comentários

Manel disse…
Estranho é o poeta andar a pagar todos os meses para CGA e nem saber de tal!
Estranho é, mas o poeta não deve ligar muito ao dinheiro, isto é, à falta dele.
É como eu.

Vi o baixinho Marques Mendes, que deve ver mal ao longe, em Cantanhede na Expofacic, em que a Galp ofereceu aos que trabalham nas trasquinhas bonés publicitários de cor laranja. Marques Mendes ao ver a cor do boné tenta abraçar um indivíduo, bem encorpaddo por sinal, chamando-o de "companheiro". Resposta deste: companheiro o carvalho!
Não sei se Marques Mendes já marcou consulta médica.
Anónimo disse…
o que se discute não é a legalidade nem o mercimento.
O que se discute é se é eticamente reprovável ou não que após Abril se tenha permitido este "desaforo" (num País com dificuldades)de criar tanta desigualdade quando a promessa de Abril era outra,LIBERDADE IGUALDADE FRATERNIDADE.
O que se discute é se todas estas excepções de reformas aos oito anos com reformas com meses de trabalho a acumulação de reformas os subsidios de reintegração e todas estes critérios de diferenciação dos cargos politicos e outras benesses se ENQUADRAM NO ESPIRITO DE ABRIL QUE PERMITIU O DERRUBE DO ESTADO NOVO.
O que se discute é porque agora está a S. Social com dificuldade e se aumenta a idade dos trabalhadores mandando as malvas os (direitos tambem esses adquiridos)se reduz as reformas, mas continua-se a criar regimes especiais para alguns.
Pois é C.E. sejamos francos.
Anónimo disse…
O Bobo:

Desculpará, mas o que está em causa é uma reforma, aos 70 anos, a moralidade do seu montante e da carreira contributiva que lhe deu origem.

Quanto ao resto nada tenho a dizer, porque concordo.

Um destes dias convém perguntar qual foi o efeito na segurança social da contagem de tempo de que não houve descontos.

Não se discute a justiça da medida, apenas o impacto na sustentabilidade do sistema.

As medidas demagógicas devem ser denunciadas.
Anónimo disse…
O interessante disto tudo é que M.A. obteve a reforma aos 70 anos. Idade em que compulsivamente se é obrigado a reformar e a receber as reformas, independentemente de se querer reformar ou não.
A medida é tão mais injusta quando uma pessoa que aos 65 anos decide não se reformar e mesmo que já tenha uma vida contributiva completa continuará a descontar como até aí para o sistema de reformas. Pior é que quando compulsivamente é reformado aos 70 anos recebe o mesmo montante do que receberia se se reformasse aos 65 anos. Assim senddo Manuel Alegre é apenas culpado de uma coisa: não ter pedido a reforma aos 65 anos e ter perdido cinco anos de reforma.
Se recebe a reforma por ter estado escassos meses na RDP isso deve-se a lacunas da lei (note-se mais uma vez que ele não pediu a reforma, foi reformado compulsivamente), uma vez que quando se é eleito deputado mantém em suspenso o lugar que tinha sendo que os descontos como deputado contam para a contagem de contribuição efectiva. Se por acaso M.A. não tivesse sido eleito numa das eleições regressaria às suas funções na RDP.
Pior do que querer caluniar um homem, pior do que sair em defesa deste é de facto não se saber a lei. Mais uma prova dos políticos medíocres que aprovam leis sem as conhecer, sem estarem informados, nem fazer um esforço para tal.

el s.

el s.
Anónimo disse…
Adenda:
1 - A subvenção mensal vitalícia é atribuída aos membros do Governo, deputados, juízes do Tribunal Constitucional que não sejam magistrados de carreira, ex-Presidentes da República e ex-primeiros-ministros, desde 09 de Abril de 1985.
(Estatuto extinto em Outubro de 2005, por José Sócrates)

2 - Aníbal António Cavaco Silva (Boliqueime, Loulé, 15 de Julho de 1939) é o actual Presidente da República Portuguesa.

Foi primeiro-ministro de Portugal de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995, tendo sido o homem que mais tempo governou em Portugal, desde o 25 de Abril. A 22 de Janeiro de 2006 foi eleito Presidente da República, tendo tomado posse em 9 de Março do mesmo ano. (Wikipédia)
Anónimo disse…
António Rebelo

Fico com uma dúvida:

1 - M Alegre, estava com uma licença sem vencimento desde 1975. De cada vez que era reeleito, "não se esquecia" de renovar a licença(disse-o na entrevista na Rádio).
2 - Na F Pública, apesar de estarem com licença sem vencimento, continuam a "subir" na carreira e a actualizar vencimento e são reformados, aliás como no privado, aos 70 anos?
3 - São reformados com o "último vencimento actualizado?
4 - Não me parece que isto resulte da reforma de deputado. Essa não tem outro regime?
5 - Não está em causa o direito do MA a receber, mas à forma como na Função Pública isto se adquire.
6 - O Ministro da Segurança Social, deu como exemplo de fuga à segurança social os regimes dos futebolistas e militares.
7 - Ora vejamos: taxas regime geral 23.75+11 = 34.75%
Futebolistas e basquetebolistas 17.5+ 11 = 28.5% menos 6.25%
( aqui quem beneficia é o CLUBE )
Militares em Regime de Voluntariado e ou contrato ( NOVA VAGA nas FA'S)
3+0 = 3% (menos 31.75%)
Docentes não abrangidos pela CGA, quando contratados pelo MINISTÉRIO NACIONAL DA EDUCAÇÃO ou pelo ensino particular ou cooperativo
21+8 = 29 % (menos 5.75%)
e quando abrangidos pela CGA, quando contratados pelo ensino particular e cooperativo
10 + 0 = 10% ( menos 24.75%)

Afinal quem é PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELA FUGA às contribuições?
O ESTADO!!!!

E ISTO SEM CONTAR COM TAREFEIROS E "FALSOS RECIBOS VERDES"
(enfermeiros, médicos, porteiros, maqueiros, professores do ensino profissional do estado, etc.)

Acho muito bem que se acabe com o regime dos futebolistas e TODOS OS OUTROS.

Mas agitar com os futebolistas é pura demagogia.

Eles têm direito a fundo de desemprego e baixa? duvido.

Mas tenho a certeza que, no actual regime de reformas ( os melhores 10 dos últimos 15) a carreira contributiva de um futebolista vai p´ro tinteiro quando ele chega aos 65 anos.

Por isso Senhor Ministro ao passar a contar com TODA a carreira contributiva o VITOR BAIA, O JARDEL, O SIMÃO só têm que lhe ficar agradecidos.
Pode ir ver um joguinhos à borla...

Ou se calhar o Ministro não soube o que propôs...
António Rebelo
Anónimo disse…
el.s a reforma aos 70 anos não é compulsiva.
Decorre da lei, essa expressão é usada como penalização quando há uma pena decorrente do estatuto de funcinario publico.

o que está em causa é precisamente isso C.E. a reforma aos 70 a moralidade do seu montante e da carreira contributiva que lhe deu origem.


Quanto aqueles que não fizeram descontos foram integrados no regime geral após o 25 de Abril e muito bem pois este sistema deve ser universal mas olhe que não é por ai que o gato vai as filhoses,pois são pensões exiguas quase todas minimas pois tratavam-se de rurais e mesmo esses não todos pois muitos ainda faziam desconto para as antigas casas do povo,eram sobretudo mulheres.
Tambem ao menos ainda lucraram com Abril,o resto esse é que foi um fartar como nos vai saltando á vista.
Anónimo disse…
O bobo:

Lembro-lhe que a contagem de 4 ou 5 anos de tropa tanto apanhou os que têm reformas de 300 ou de 12.000 euros mensais (1 para 40).

E não foi preciso descontar.

Obs.: Demagogia de Paulo Portas.
Anónimo disse…
o que me preocupa e me doi mais não é o que faz a direita,mas aquilo em que eu acredito na esquerda,e essa porque feita por homens cada vez me desilude mais.
Anónimo disse…
O Homem comum é exigente com os outros;
o homem superior é exigente consigo mesmo.

Marco Aurelio
Anónimo disse…
Ó malta nova, os que têm mais de 50 fizeram a sua revolução e estão a ter a respectiva compensação.
Agora, vão ter que os carregar ao colo, se quiserem também mamar um pouco.
A pensão da velhinha, ou Felini tornado realidade.
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