Cavaco e a Ota

Independentemente do que, em Portugal, cada um dos 10 milhões de especialistas aeroportuários pensa da localização do novo aeroporto de Lisboa, há um que devia manter reserva a esse respeito – o Presidente da República.

Em primeiro lugar porque, sendo sua a função de manter o regular funcionamento das instituições, tem deveres de reserva e cautela a que os outros cidadãos não são sujeitos.

Depois, o respeito que é devido ao mais alto magistrado da Nação é incompatível com a abusiva interferência nos assuntos do Executivo cujas funções deve respeitar, ainda que o seu perfil seja mais adequado para funções que já exerceu do que para as actuais. Se não concorda com o Governo pode demiti-lo, mas não pode dar-lhe conselhos públicos.

Finalmente, o árbitro que não resiste a entrar no jogo sujeita-se a ataques incompatíveis com a honra e consideração que lhe são devidas.

A Associação pró-Ota ataca a reflexão pedida por Cavaco, numa atitude que fragiliza o inquilino de Belém em assuntos que não são da sua conta. Moita Flores, o mediático presidente da Câmara de Santarém (PSD) considerou que a reabertura do debate sobre a localização do novo aeroporto se insere [“numa miséria moral e política”, derivada do “velho do Restelo que nos habita” e que nos leva a continuarmos “parados e hesitantes. É tão patético!”].

O presidente da República não pode correr o risco de que os portugueses o tomem como alvo destas palavras.

Comentários

CA disse…
O PR não é a Raínha de Inglaterra. Ele tem um mandato directo e pode perfeitamente intervir quando estão em causa assuntos suficientemente sérios. Que é o caso da Ota.

Não votei Cavaco mas penso que ele tem estado bem.
Anónimo disse…
Acabo verificar DN hoje, que Moita Flores Presidente CM Santarem (pelo PSD), adepto solução Ota, foi anteriormente adepto solução Rio Frio!
Resultado de ter mudado de residência?
Na RTP/Prós e Contras domingo passado, pronunciaram-se três pilotos, um de forma neutral/institucional (Associação de pilotos de linha), dois de forma bem explícita (um no activo, outro na reforma)- com as pistas a leste da serra Montejunto, um atentado à segurança de vôo em condições de visibilidade limitada! E de limitação de operaçoes em situação de clima normal.
Evidente, que parafraseando Vital Moreira sobre o desplante dos engenheiros do Técnico e da Ordem, configurando uma «república de engenheiros», era o que faltava, virmos a ter uma «república de pilotos».
Pilotos, que deviam ter sido os primeiros e os últimos a ser ouvidos neste processo.
Vale, que foi uma decisão política.
Esclarecida?
Anónimo disse…
A maior lição da vida é a de que, às vezes,até os tolos têm razâo.


Winston Charchill (1874-1965)
Braveman disse…
sim. deve estar calado e deixar as borradas continuarem.

ou seja, o PR deve ser muleta do Governo, aí está o entendimento Socialista do Cargo
Anónimo disse…
o tema OTA esteve na mente dos eleitores que deram a cavaco a presidência à primeira
quem não se lembra da resposta que deu à pergunta: concorda com a OTA?
Anónimo disse…
O PR tem todo o direito de "por os pontos nos is"...afinal, ele é o presidente de todos os portugueses.

É preciso meter este governo na ordem.
chuva miudinha disse…
Este presidente não é o da Ota.Esta estava pré-definida e concordou com elana campanha eleitoral. Igreja oblige.

Este é, se quizer, o presidente dos otários, mas se fôr asim só dura um mandato.
Anónimo disse…
A coêrencia dos autores do blog.
Qd Mário Soares fazia as suas presidências abertas com intervenções directas sobre os governos de Cavaco Silva era aplaudido; qd J. Sampaio fazia as intervenções sobre a forma de governar de PSL era aplaudido, qd Cavaco Silva o faz é criticado, porquê?
Pq na verdade este blog e os seus autores defendem sempre o PS mudando argumentos qd lhes convém.
Anónimo disse…
Anónimo Sex Jun 08, 11:31:00 AM:

1 - Quando Mário Soares fazia as suas presidências abertas o Ponte Europa não existia.

2 - Mário Soares não se pronunciou sobre a polémica do Centro Cultural de Belém;

3 - MS e Jorge Sampaio não entraram na polémica da Expo/98.
CA disse…
O impacto nacional da escolha do local do novo aeroporto não é comparável ao CCB ou à Expo 98.

Aliás não se viram nessa altura as reacções que se vêem agora. Um aeroporto na Ota e uma ANA monopolista privada podem comprometer o desenvolvimento do país durante muitas décadas. E Cavaco Silva sabe-o muito bem.

Só o governo se comporta como se o aeroporto fosse mais uma obra onde até dá jeito gastar mais do que o necessário porque isso faz algumas pessoas felizes.
Anónimo disse…
Amanhã o patronato, via CIP, irá entregar ao PR, um "estudo" que aponta para a optimização deas instalações do Campo de Tiro de Alcochete, onde só os Portugueses e os Belgas fazem tiro. Mais tiro menos tiro, esperemos; esta "história" do novo Aeroporto, quanto amim, está menos bem contada.
Ah, desculpem, eu vivo e escrevo directamente do deserto, por isso me perdõem a aridez das minahs ideias; deve ser do ... calor €€€

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