Terá havido algum golpe palaciano?

A Drª. Manuela Ferreira Leite trata o José Sócrates como um seu amanuense, solicitando-lhe, penso que com urgência, mais e melhores informações sobre o défice orçamental previsto para 2009.
Diz que precisa desses dados para elaborar o programa de Governo e, claro, fazer as suas promessas. Precisa que o Governo, ou a AR, lhe forneça as tão almejadas "verdades" que parecem tão dificeis de encontrar, como o programa eleitoral...que se supõe estar concluído em Outubro!
O tal “amanuense” é, para todos os efeitos e na posse de todas as competências constitucionais – o 1º. Ministro deste País.

O presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF) trata José Sócrates como “traidor” e de “mentir sistematicamente”. Diz que para compensar a liberalização da propriedade das Farmácias fez pessoalmente um acordo chamado “compromisso para a Saúde” que o governo não tem cumprido.
Esse compromisso foi um dos erros crassos do Governo que tendo alargado o campo de acção das farmácias praticamente não conseguiu “tocar” na propriedade das farmácias, porque elas estão estruturadas em holding…
Este compromisso é um dos tais “para rasgar”…quando o Governo mudar (qualquer que seja o futuro Governo…)
O “mentiroso compulsivo” e o “traidor” é, para todos os efeitos e na posse de todas as competências constitucionais – o 1º. Ministro deste País.

José Sócrates deslocou-se ao Porto para uma reunião com um grupo de empresários com a finalidade de debater os problemas do país, num jantar-debate.
Este encontro reuniu cerca de 150 empresários.
Por problemas de agenda, chegou com 1 hora de atraso…
O filho do marajá dos negócios (vários) a retalho do País, de seu nome Paulo de Azevedo, abandonou ostensivamente o encontro, visando, rotular o promotor da reunião de ser um recalcitrante incumpridor de horários. Alimentaria a “esperança” do seu gesto de protesto ser acompanhado por outros empresários. Saiu sozinho…
Presume-se que o ocupado “incumpridor” é, para todos os efeitos e na posse de todas as competências constitucionais – o 1º. Ministro deste País.

As eleições para a Assembleia da República estão marcadas para 27 de Setembro. A partir dessa Assembleia é que sairá o XVIII Governo Constitucional.

Entretanto, alguém "sem rosto" (para aproveitar a expressão de João Cordeiro) parece tê-lo despedido, antecipadamente.
Daí para cá tem sido o "fartar vilanagem"...
A 1ª. tentativa foi pública e protagonizada por Paulo Rangel, na noite das eleições europeias.
Daí para cá tem sido um rodopio, com a “serena” complacência dos media.

Comentários

E-Pá:

Alguém se há-de encarregar de lembrar aos almocreves citados a falta de educação de que dão provas.

Infelizmente é neles maior o desamor à democracia.
O presidente da Associação de Farmácias (ANF), João Cordeiro, recua e muda o alvo das críticas. Cordeiro tinha apelidado o primeiro-ministro, José Sócrates, de «traidor» e «mentiroso», por causa de uma alteração ao regime das farmácias hospitalares, mas vem agora retirar o que disse e atribuir as culpas ao secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos.

TVI
André Pereira disse…
Tanto ódio, tanta raiva. Caro José Sócrates: tu foste forte, és forte e serás forte para aguentar esta gente habituada aos desmandos e a reinar sem lei, nem ordem. Estamos contigo!
e-pá! disse…
CE:

João Cordeiro não recua em nenhum dos propósitos que define, não toma iniciativas sem objectivos e parece-me inverosímil que tenha cometido inconscientemente a atoarda, de que pretendeu retratar, ainda em cima do acontecimento, como uma inocente gafe.

A situação resulta de, como, ontem, coube, ao SES Francisco Ramos, que tutela a área dos medicamentos, o membro do Governo que lhe respondeu e que publicamente e peremptoriamente afirmou que o Governo "não cede a pressões", classificando liminarmente os objectivos da conferência de Imprensa de João Cordeiro e desmascarando a estratégia subjacente .

Na verdade, mais do que as farmácias nos hospitais, ou o “compromisso para a Saúde” este é a momento em que se discute a margem de comercialização dos medicamentos e covinha fazer “pressões” públicas…principalmente para quem tem interesses directos na produção, distribuição, comercialização – e decorrente do tal “compromisso para a Saúde”- no aconselhamento dos doentes.
Contudo, mais do que a satisfação integral de compromissos o que move João Cordeiro é a tentativa de integração global da Saúde na órbita da ANF.

João Cordeiro, depois de em conferência de Imprensa ter acusado o 1º. Ministro de "mentir", "voltar a mentir" e "mentir repetidamente"..., atente-se, que reportou esse indigno comportamento de Sócrtes a 4 anos, vem mais tarde tentar assestar o fogo, no mesmo dia, em cima da hora, sobre Francisco Ramos, esperando que deste modo – ao mudar o alvo físico – conseguia passar uma esponja sobre as acusações de aleivosia que reportou ao 1º. Ministro…

Finalmente, depois de insinuar que as farmácias comerciais instaladas em alguns Hospitais (que ao parece fogem ao controlo da ANF, por isso "não têm rosto") de serem uma dos factores causais da actual situação clínica dos 6 doentes do foro oftalmológico internados no H. de Sta Maria com endoftalmites – logo em risco de cegar - causadas pela administração de um fármaco objecto de averiguação prioritária dirigida pelo INFARMED, não teve a rectidão de carácter para corrigir que confundiu essas farmácias com o Serviço Hospitalar de Farmácia, entidade que integra a estrutura orgânica dos Hospitais e fornece os meios terapêuticos para serem utilizados nos doentes hospitalizados.
O facto de se atrever a tentar usar estes 6 doentes como meio de chantagem contra o Governo, mostra o calibre deontológico do homem que, há dezenas de anos, repetidamente, preside à ANF.

É nítido que algo perturba o presidente da ANF. Talvez o diga em futuras conferências de imprensa…
polytikan disse…
O presidente da ANF até já goza de imunidade parlamentar?
Sócrates não pode permitir esses insultos, e tem o dever de preservar e defender a dignidade do estatuto do PM.

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