Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
Totalmente de acordo com as suas apreciações, aliás acusações consensuais a toda a "frente anti-Barroso" liderada firmemente por Daniel Cohn-Bendit e de modo hesitante e ávido de compromissos por Poul Rasmussen (o incansável defensor da "flexisegurança") presidente do PSE.
Chegou a aventar-se a possibilidade do problema Barroso vir a criar uma fractura na tradicional "concertação" do Parlamento Europeu o que, em meu entender, seria uma benesse: libertaria a UE de peias intoleráveis, impostas pelos PPE's!
A situação que o Parlamento Europeu viveu nos últimos anos, mais parece ter sido vítima de uma captura ad eternum pelo PPE...e seus aliados.
Mas, diga-se a verdade, a Esquerda europeia (latu sensu), tem imensas culpas no cartório...
Alguns dos nossos políticos vivem um nacionalismo revivalista, inconsequente, que é aproveitado para nos mobilizar cá dentro, mas como é óbvio não tem qualquer reflexo na UE. Pelo contrário é a exibição saloia das nossas frustações comunitárias.
Concordo com a sua sugestão de ler o blog " Les coulisses de Bruxelles", onde fundamentadamente se interroga - "Barroso : l’investiture renvoyée aux calendes grecques?"
link
Ora, com as suas declarações, Cavaco está ilegitimamente a "condicionar" e a "fazer pressões" sobre esses deputados!
« Quand je suis parti, Daul, Schulz et Verhofstadt s’engueulaient encore », raconte Daniel Cohn-Bendit, le président du groupe Vert.
Também não vi referido os apoios a Barroso dos eurocépticos. Como diz Quatremer:
En outre, le fait que les deux groupes eurosceptiques du Parlement soutiennent la candidature de Barroso ne plaide évidemment pas en sa faveur. Car il apparaît de plus en plus qu’il est le candidat de ceux qui veulent moins d’Europe. Il n’est dès lors pas exclu que les défections soient nombreuses au sein du PPE lors du vote d’investiture qui aura lieu à bulletins secrets. Déjà, plusieurs députés de ce groupe m’ont confié qu’ils ne voteraient en aucun cas pour l’ancien Premier ministre portugais.