Notas Soltas - Janeiro/2010
PR – A mensagem de Ano Novo foi pobre na forma, pessimista no conteúdo e ameaçadora no tom, quiçá, para fazer esquecer o caso das escutas mas, se foi o sinal de partida para a recandidatura, foi devastadora para a urgente cooperação institucional.
Terrorismo – Três terroristas tentaram entrar na casa do ilustrador holandês Kurt Westergaard, autor de uma das polémicas caricaturas de Maomé, com intenção de o matarem. A polícia parou a tiro a devoção e o crime.
Casamento gay – A lei que consagra direitos, negados a uma minoria, coloca Portugal em sintonia com os países mais avançados. É um problema de liberdades que foi enfrentado com firmeza e determinação pelos partidos de esquerda.
Egipto – As perseguições aos cristãos coptas mostram a vocação totalitária dos crentes da religião dominante contra as minorias, na convicção de que o deus dos outros é sempre falso – o que pode ser verdade –, mas a violência torna-os malditos.
Centenário da República – Celebrar esta efeméride marcante é afirmar os seus valores: igualdade dos cidadãos perante a lei; separação da Igreja e do Estado; valorização do ensino e legitimação do poder pelo voto. Merece comemoração digna. Laica e democrática.
Venezuela – Hugo Chávez, ex-golpista convertido à democracia, eleito de forma limpa e incontestável, alterou a Constituição para se poder perpetuar no poder. Já está a tornar-se um reles ditador, populista e autoritário.
Monarquia – O partido (PPM) que teve nas últimas eleições legislativas 0,27% dos votos – 5.090 –, deseja um referendo para saber se os eleitores querem a monarquia, convencidos de que quem um dia foi cidadão gostaria de ser vassalo.
Haiti – A violência da destruição de um dos mais pobres países do Planeta é uma tragédia que remete para os piores pesadelos que ameaçam a humanidade e interpela as nações ricas. O apoio só aparece depois das tragédias.
Associação Ateísta Portuguesa – A AAP, a que presido, defende as liberdades, incluindo a religiosa, revê-se na Declaração Universal dos Direitos do Homem e repudia as guerras santas e o ódio, tão do agrado dos crédulos e supersticiosos. Para que conste.
Manuel Alegre – É o primeiro cidadão a anunciar a disponibilidade para se candidatar à presidência da República. Não sei se divide o PS – como dizem –, mas há a certeza de que Cavaco o une. Só lhe falta unir também o PSD. Contra si.
ETA – O grupo terrorista, várias vezes dado como moribundo, mostra a vocação sanguinária numa deriva sem objectivos nem lucidez. Portugal e a França não podem servir de refúgio a criminosos e devem à Espanha a colaboração que merece.
Apito Dourado – A violação do segredo de justiça devora a democracia e a Justiça. Os partidos usaram-na como arma partidária mas, agora, que não há políticos neste processo, é altura de os agentes judiciários serem confrontados com o crime.
Solidariedade – Portugal bateu o recorde de donativos em 2009, ano de crise, provando que a compaixão é um sentimento nacional que nos enaltece como povo e nos honra como cidadãos.
Orçamento de Estado – Foi penoso ver o oportunismo de Paulo Portas a saborear a falta de liderança do PSD enquanto Manuela Ferreira Leite parecia ser a correia de transmissão de Belém nas negociações com o Governo.
Gripe A – A suspeita aqui levantada há um mês, com a cautela que o alarme pode ter, acaba de ser assumida pelas autoridades da UE que acusam de falta de transparência as relações da indústria farmacêutica com a OMS. Pior que a epidemia é a desconfiança.
Belmiro de Azevedo – Em entrevista à Visão, chamou ditador a Cavaco Silva, insulto gratuito e injusto, apesar da falta de perfil do PR para o cargo. Belmiro mostra que o sucesso, como merceeiro, não o transformou num cavalheiro.
Holocausto – Sessenta anos depois do encerramento do campo de concentração de Auschwitz a memória da violência persegue-nos e não há resposta para a barbárie que assassinou milhões de judeus, ciganos e homossexuais num delírio racista do nazismo.
Coreia – A troca de tiros entre navios das duas Coreias, na fronteira disputada por ambas no mar Amarelo, é o prenúncio de uma catástrofe humana e de uma tragédia global se a China não refrear a demência belicista do seu incómodo aliado – Coreia do Norte.
João Paulo II – O hábito de dormir nu, no chão, e de se flagelar com um cinto especial, seria sinal de santidade, que facilita a canonização – como afiançam os padres –, mas não é recomendável deixar alguém assim, sem tratamento médico.
Durão Barroso – As alegadas interferências, no processo interno de disputa da liderança do PSD, não o prestigia nas funções internacionais que exerce nem melhora a sua imagem junto dos portugueses que recordam a sua fuga para Bruxelas.
Acordo Ortográfico – Peço desculpa aos leitores por, ao contrário da Agência Lusa, por exemplo, que já o respeita, só vir a aplicá-lo mais tarde, apesar de ainda me ser permitido pelas disposições legais, até ao fim de 2010.
Tony Blair – O ex-primeiro-ministro inglês, que a BBC apelidou de Kim Jong Blair, apesar da ilegalidade e das falsas razões invocadas, insiste que voltaria, hoje, a invadir o Iraque. Os malvados raramente se arrependem dos crimes.
31 de Janeiro – Da revolta fracassada de 1891, do idealismo dos heróis vencidos, ficaram as sementes republicanas que foram germinando e desabrocharam em 5 de Outubro de 1910.
Terrorismo – Três terroristas tentaram entrar na casa do ilustrador holandês Kurt Westergaard, autor de uma das polémicas caricaturas de Maomé, com intenção de o matarem. A polícia parou a tiro a devoção e o crime.
Casamento gay – A lei que consagra direitos, negados a uma minoria, coloca Portugal em sintonia com os países mais avançados. É um problema de liberdades que foi enfrentado com firmeza e determinação pelos partidos de esquerda.
Egipto – As perseguições aos cristãos coptas mostram a vocação totalitária dos crentes da religião dominante contra as minorias, na convicção de que o deus dos outros é sempre falso – o que pode ser verdade –, mas a violência torna-os malditos.
Centenário da República – Celebrar esta efeméride marcante é afirmar os seus valores: igualdade dos cidadãos perante a lei; separação da Igreja e do Estado; valorização do ensino e legitimação do poder pelo voto. Merece comemoração digna. Laica e democrática.
Venezuela – Hugo Chávez, ex-golpista convertido à democracia, eleito de forma limpa e incontestável, alterou a Constituição para se poder perpetuar no poder. Já está a tornar-se um reles ditador, populista e autoritário.
Monarquia – O partido (PPM) que teve nas últimas eleições legislativas 0,27% dos votos – 5.090 –, deseja um referendo para saber se os eleitores querem a monarquia, convencidos de que quem um dia foi cidadão gostaria de ser vassalo.
Haiti – A violência da destruição de um dos mais pobres países do Planeta é uma tragédia que remete para os piores pesadelos que ameaçam a humanidade e interpela as nações ricas. O apoio só aparece depois das tragédias.
Associação Ateísta Portuguesa – A AAP, a que presido, defende as liberdades, incluindo a religiosa, revê-se na Declaração Universal dos Direitos do Homem e repudia as guerras santas e o ódio, tão do agrado dos crédulos e supersticiosos. Para que conste.
Manuel Alegre – É o primeiro cidadão a anunciar a disponibilidade para se candidatar à presidência da República. Não sei se divide o PS – como dizem –, mas há a certeza de que Cavaco o une. Só lhe falta unir também o PSD. Contra si.
ETA – O grupo terrorista, várias vezes dado como moribundo, mostra a vocação sanguinária numa deriva sem objectivos nem lucidez. Portugal e a França não podem servir de refúgio a criminosos e devem à Espanha a colaboração que merece.
Apito Dourado – A violação do segredo de justiça devora a democracia e a Justiça. Os partidos usaram-na como arma partidária mas, agora, que não há políticos neste processo, é altura de os agentes judiciários serem confrontados com o crime.
Solidariedade – Portugal bateu o recorde de donativos em 2009, ano de crise, provando que a compaixão é um sentimento nacional que nos enaltece como povo e nos honra como cidadãos.
Orçamento de Estado – Foi penoso ver o oportunismo de Paulo Portas a saborear a falta de liderança do PSD enquanto Manuela Ferreira Leite parecia ser a correia de transmissão de Belém nas negociações com o Governo.
Gripe A – A suspeita aqui levantada há um mês, com a cautela que o alarme pode ter, acaba de ser assumida pelas autoridades da UE que acusam de falta de transparência as relações da indústria farmacêutica com a OMS. Pior que a epidemia é a desconfiança.
Belmiro de Azevedo – Em entrevista à Visão, chamou ditador a Cavaco Silva, insulto gratuito e injusto, apesar da falta de perfil do PR para o cargo. Belmiro mostra que o sucesso, como merceeiro, não o transformou num cavalheiro.
Holocausto – Sessenta anos depois do encerramento do campo de concentração de Auschwitz a memória da violência persegue-nos e não há resposta para a barbárie que assassinou milhões de judeus, ciganos e homossexuais num delírio racista do nazismo.
Coreia – A troca de tiros entre navios das duas Coreias, na fronteira disputada por ambas no mar Amarelo, é o prenúncio de uma catástrofe humana e de uma tragédia global se a China não refrear a demência belicista do seu incómodo aliado – Coreia do Norte.
João Paulo II – O hábito de dormir nu, no chão, e de se flagelar com um cinto especial, seria sinal de santidade, que facilita a canonização – como afiançam os padres –, mas não é recomendável deixar alguém assim, sem tratamento médico.
Durão Barroso – As alegadas interferências, no processo interno de disputa da liderança do PSD, não o prestigia nas funções internacionais que exerce nem melhora a sua imagem junto dos portugueses que recordam a sua fuga para Bruxelas.
Acordo Ortográfico – Peço desculpa aos leitores por, ao contrário da Agência Lusa, por exemplo, que já o respeita, só vir a aplicá-lo mais tarde, apesar de ainda me ser permitido pelas disposições legais, até ao fim de 2010.
Tony Blair – O ex-primeiro-ministro inglês, que a BBC apelidou de Kim Jong Blair, apesar da ilegalidade e das falsas razões invocadas, insiste que voltaria, hoje, a invadir o Iraque. Os malvados raramente se arrependem dos crimes.
31 de Janeiro – Da revolta fracassada de 1891, do idealismo dos heróis vencidos, ficaram as sementes republicanas que foram germinando e desabrocharam em 5 de Outubro de 1910.
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