Ditadura argentina – Trinta anos depois

Faz hoje 30 anos que o golpe militar argentino implantou o último regime de terror da América do Sul, depois dos golpes militares no Brasil e na Bolívia em 1964, passando pelos realizados no Chile e no Uruguai em 1973.

É o período mais sombrio da história do continente sul-americano. A coincidência de interesses das elites militares e do grande capital levaram a dor e o sofrimento aos povos da região com o apoio do governo dos EUA.

Milhares de pessoas foram executadas, centenas de milhares presas e torturadas, sem mandatos, outras tantas exiladas foi o saldo macabro das ferozes ditaduras. Torturas, sequestros, execuções sumárias e «desaparecimentos» foram levados a cabo em nome da «Segurança Nacional».

A democracia soçobrou sob a violência das casernas. Os sindicatos e os partidos foram proibidos, os movimentos estudantis, operários e camponeses, reprimidos e a censura tomou conta da comunicação social

O golpe argentino foi o mais sangrento de todos. Assimilou as tenebrosas experiências de tortura da ditadura brasileira – o “pau de arara” foi uma das mercadorias exportadas pela ditadura – e os fuzilamentos da ditadura de Pinochet, a ditadura argentina também aprendeu, com a chilena, que não valia a pena deter as pessoas. Pinochet disse a Videla que a experiência do Estado Nacional era negativa, que se sucediam campanhas pela libertação dos presos, que desgastavam o regime. Havia que “desaparecê-los”.

A partir dali, os presos que eram interrogados sem capuz sabiam que seriam fuzilados, porque não importaria a seus torturadores serem reconhecidos.

Milhares de pessoas foram lançadas no rio da Prata, nos dois voos semanais conhecidos como voos da morte, que eram acompanhados sempre por um capelão da Igreja católica argentina.

NOTA: Este texto é baseado num artigo de Emir Sader que pode ser lido em Bafafá On Line

Comentários

e-pá! disse…
Esma, o maior campo de concentração da ditadura militar argentina, é um indelével simbolo da morte.
Por aí passaram cinco mil opositores.
Poucos estão vivos para contar as histórias de horror.

Restam as Mães da Praça de Maio que, todas as 5ªs feiras, clamam pelos(as) desaparecidos(as).
Exigem - vida a troco da vida.
Na próxima 5ª. feira estarão lá!

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