Nem tudo são rosas

Apesar do ímpeto reformador do actual Governo, da luta contra a burocracia que, pela primeira vez, dá passos de gigante e da agenda que não tropeçou no calendário eleitoral, nem tudo é favorável a Sócrates.

Manuela Ferreira Leite elogiou a actuação do Governo no programa semanal «Falar Claro», na Rádio Renascença.

Aliás, a quase unanimidade dos louvores que tem merecido, da parte da Direita, é razão para reflectir no que possa ter feito menos bem.

Quando os adversários nos elogiam devemos perguntar-nos onde errámos.

Comentários

pedro silva disse…
Carlos

Erraram em deixar socrátes chegar lá.

Erraram em continuar a dar-lhe beneficio da dúvida.

Erraram em não perceber que a oposição de direita elogia-o porque ele está a fazer aquilo que eles próprios quereriam e desejariam fazer.
Pedro Silva:

Isso também é válido para despenalização do aborto, para a legislação em relação à reprodução Medicamente Assistida e para a descentralização administrativa com base nas 5 regiões?

Quando a esquerda não compreende as diferenças, arrisca-se a pôr a direita pura e dura no Governo.
pedro silva disse…
""Isso também é válido para despenalização do aborto, para a legislação em relação à reprodução Medicamente Assistida ""


Sobre isto ainda estou para ver.

""para a descentralização administrativa com base nas 5 regiões?""

Sobre isto sou completamente contra.
Contra a ideia e contra os metódos usados para a implementar.
Mais:é uma "toerização das coisas" que vai fazer muito mal á esquerda e ao ps em particular.
Com o ps nãoestou preocupado,coma esquerda sim - a ideia d esquerda na sociedade;ponhamos assim
pedro silva disse…
e carlos:a "esquerda" actual não é esquerda de coisa nenhuma.
É a direita neoliberal encapotada de esquerda.

Quando as pessoas de "esquerda" usam uma definição da treta chamada "liberalismo de esquerda" já decidiram deixar de pensar...

Quando derem o salto em frente e atacarem directamente o SNS ver-se-á em todo o seu esplendor a direita neoliberal no governo.

nota: não digo isto para irritar gratuiramente o carlos esperança ou só para ser teimoso.
É o que eu vejo aqui nos arredores de lisboa em funcionamento...
Justino disse…
O Socrates arrisca-se a ser o mais reformista e realizador Primeiro-mistro desde o 25 de Abril.

O gajo tem "tomates" e sabe para onde vai.

Digo eu, que:
- fui grande apoiante de Ferro Rodrigues o mais vilipendiado politico desde o 25 de Abril. Autenticamante "morto" pelos jornais sensacionalistas e outros que não o sendo por definição, foram -no por acção.

- que apoiei como muita vontade e determinação o Manuel Alegre para secretário-geral.

Hoje, Ferro está, e muito bem, na OCDE.

Hoje Alegre está do lado de Marques Mendes e da sua agenda populista.

Socrates,Portugal precisa de coragem, inteligência e determinação.

Os Portugueses, mesmo os sacrificados, que todos dias ouço na mercearia de bairro, apesar das difuculadades recinhecem que estás a ir na direcção certa.

Não te esqueças é dos "Grandes interesses" e dos monopolitas-eternos mamões do Estado.
Que o criticam quando não dá (MUITO) leite, mas estão sempre na primeira linha do acesso à mama.

Pedem menos Estado, quando lhes interessa, e apoio do Estado qunado querem fazer os grandes negócios.
O habitual desde o Estado Novo.

Cuidado com estes.
Há que mexer neles.

Ficamos à espera.
Estou de acordo com o Justino e em desacordo com o Pedro Silva.

Há quem pense ter o direito de dizer quem é e quem não é de esquerda. Isso é arrogância ou maniqueísmo.

Até à data, apesar das medidas impopulares, ainda não vi neste Governo um comportamento claramente de Direita.

O SNS é a pedra de toque da esquerda. Eu serei adversário de quem quer que destrua a universalidade e gratuitidade tendencial. No entanto, e sei bem do que falo, a suatentabilidade exige uma gestão muito cuidada e sacrifícios de algumas regalias dos médicos, enfermeiros e técnicos.

Há muitas outras coisas que um Governo de esquerda terá de fazer. A solidariedade social é uma tarefa que a direita jamais fará.
1313 disse…
O ímpeto reformador do actual governo continua de olhos fechados a muita coisa. É só fumaça como dizia o outro. Um primeiro ministro que já foi ministro do ambiente continua alheado de assuntos que têm sido abafados com inverdades e desinformações pelos responsáveis dos organismos ditos competentes do MAOTDR, nomeadamente a CCDRC, por exemplo no que respeita à vigilância das nossas águas públicas (rios, praias etc) da região centro.
1313:

É verdade que o Governo continua de olhos fechados a muita coisa mas, há muito, que nenhum Governo os abria tanto.

É esse mérito que lhe reconheço e com que ganhou jus ao meu apreço.
e-pá! disse…
O problema não é Socrates.
- O problema é o PS!

A descaracterização ideológica do PS vai, ao contrário que muitos pensam, conduzir à catastrofe.
A "desburocratização" do aparelho de Estado - chamar isso "Reforma Administrativa" é confundir o Rossio com a betesga - não é um "produto político" da Esquerda. É, antes, um produto tipicamente neo-liberal. O exemplo acabado disto são as políticas "made in States".
A Direita sabe fazer "isso" tão bem, ou melhor, do que a Esquerda.
Esta manobra política desenvolve-se no sentido de "endossar" responsabilidades para a sociedade civil, sem custos. Cada um trata de si. O Estado é um grande ausente. "Emagrecer o Estado" - bandeira política da Direita.
Por exemplo, as questões importantes não se colocam nas marcações de consultas pela Internet (como fazemos para marcar uma passagem de avião...) mas no perfil, abrangência e sustentabilidade do SNS.
Aqui, o PS,começa a soçobrar e a inquietar a Esquerda. Como aliás em toda a política social.
Ao (se) falhar neste campo o PS entregará o poder à Direita.
Porque o povo sabe que para fazer política de Direita - pragmática, tecnocrata, economicista - não precisa de intermediários - tem a própria ...Direita.
chuva miudinda disse…
"O SNS é a pedra de toque da esquerda. Eu serei adversário de quem quer que destrua a universalidade e gratuitidade tendencial. No entanto, e sei bem do que falo, a suatentabilidade exige uma gestão muito cuidada e sacrifícios de algumas regalias dos médicos, enfermeiros e técnicos."

Já destruiram a gratuitidade e a universalidade está cada vez mais comprometida.

Regalias dos médicos, enfermeiros e técnicos.

Depois de desnatados ficam uns quantos a quem a privada pagará melhor.

Tem muitos anos de Saúde para ingenuidades.
Anónimo disse…
Questão sobre o sistema de saúde:

É melhor:
A) um sistema que assegure cuidados de saúde a todos independentemente da qualidade;
B)um sistema que assegure cuidados de saúde de acordo com a sua capacidade financeira;
C) um sistema que assegure cuidados de saúde de qualidade elevada a todos;

Penso que todos responderão C.
Se este é o objectivo, interessará muito a forma como é atingido?
e-pá! disse…
Chuva muidinha

O SNS é uma questão política e social,isto é, da política social dos governos.
E não, uma questão centrada nos profissionais de sáude (médicos, enfermeiros,técnicos). Aliás, as "regalias" são tantas (na administração pública) que, se tiver atento, verá um progressivo abandono do barco - partem para "outra" - por parte destes.
Mesmo assim, estamos bem cotados no "ranking" da Organização Mundial de Saúde.

Quando se pensa que o SNS só sobreviverá à custa do "sacrificio" (no sentido biblico do termo) dos profissionais de saúde, é passar ao lado. O SNS tem de ser resguardado dos políticos que, encapatodamente, têm a intenção de o destruir.
O resto são manobras de diversão...
tipicamente portuguesas - arranjar "bodes expiatórios"!
cãorafeiro disse…
Quando os adversários nos elogiam devemos perguntar-nos onde errámos.

exactamente.

nem tudo são rosas, e os cravos estão fora de moda.

tudo o que de bom foi feito nos primeiros dez anos após 25 de Abril de 1974 está a ser sistematica e cuidadosamente destruido.

só não vê isso quem não quer, quem não tem interesse em ver para não ter de tirar ilacções, e quem anda desligado da realidade do que é a vida de pelo menos metade da população que vive em Portugal.

JUSTINO:
ALEGRE AO LADO DE MARQUES MENDES, só porque também está contra o encerro da maternidade de elvas?

assim vai a democracia em Portugal. quem discorda é imediatamente apelidado de populista, ou de radical, ou de irresponsável, etc,etc,etc.

É PÁ: estou a 100% de acordo consigo. conheço razoavelmente o SNS por dentro, não sou profissional de saúde, sou apenas utente, mas já passei muitos meses dentro de hospitais, acompanhando familiares doentes.

o desinvestimento no SNS nos últimos 20 anos, comparativamente com o desenvolvimento económico do país permitiu a degradação do SNS.

interessa agora dizr que o SNS não tem reforma possível. como interessa dizer que daqui a 10 anos não haverá dinheiro para pagar pensões.

assim, quem pode, vai a correr ter com as seguradoras fazer seguros, tratar-se nos hospitais deles, etc.

é o 24 de Abril a emergir, sem pudor, sem decoro. como um facto consumado, porque a culpa é da globalização, que tem as costas largas.

para que se fez então o 25 de abril? para que a geração que o fez esteja agora bem de vida, enquanto aos que vieram a seguir se diz que não vão ter pensões?

termino citando Salgueiro Maia:

»Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos E O ESTADO A QUE ISTO CHEGOU!«
cãorafeiro disse…
CARLOS: com todo o respeito que tenho por ti, e é muito, discordo destas palavras:

»Há quem pense ter o direito de dizer quem é e quem não é de esquerda. Isso é arrogância ou maniqueísmo«

perdooa-me a metáfora, que não é de modo algum provocatória:

não se é de esquerda porque se diz que se é de esquerda. e aqui entra a metáfora:

é pelos frutos que se conhecem as árvores
Caorafeiro:

Em primeiro lugar quero reiterar-te a consideração pessoal e reconhecer a honestidade com que defendes as tuas posições.
Quanto à estima e simpatia, é escusado repetir.

Vamos aos factos:

O SNS foi o melhor instrumento para o desenvolvimento e progresso do País. Os níveis de mortalidade e mobilidade regrediram, a mortalidade infantil coloca-nos hoje ao nível dos países mais avançados do mundo, a qualidade da assistência é das melhores, reconhecida pela OMS.

Pela minha parte tornar-me-ei um adversário do PS se se prestar a ser coveiro do SNS.
O ministro é um técnico competente mas já manifestei as minhas apreensões com o caminho seguido.

Posto isto, há que dizer o seguinte:

1 – A saúde não tem preço mas custa dinheiro;

2 – As companhias de seguro, o grande capital e a direita querem destruir o SNS.

3 – Os custos do SNS a aumentarem à razão de 2 dígitos anuais é insustentável.

(Não é verdade que «o desinvestimento no SNS nos últimos 20 anos, comparativamente com o desenvolvimento económico do país permitiu a degradação do SNS» como afirmaste num comentário). É absolutamente falso.

4 – A percentagem do PIB gasta com o SNS tem sido constantemente aumentada.

5 – Não podemos defender o que quer que seja sem apresentarmos alternativas e a única alternativa que eu não aceito é a que destrua a «universalidade e gratuitidade tendencial do SNS».

Nota: Há médicos pagos a 100 euros à hora (24 horas seguidas) para se deslocarem a outros hospitais. 50 euros é frequente.

6 – Todos gostaríamos de ter um hospital à porta e um bloco de partos na rua mas foi a criação de hospitais ao sabor dos interesses autárquicos que tornou mais difícil a gestão da saúde. (Exemplo: Santarém, Tomar, Torres Novas, Abrantes, num raio exíguo).

7 – Manter uma maternidade com poucas centenas de partos anuais é um erro e um perigo. (talvez poucas pessoas saibam que não se fazem partos em clínicas longe de uma maternidade). Em caso de perigo o Estado tem médicos de obstetrícia, enfermeiros especializados, pediatras neo-natologistas, anestesistas e tudo o mais).

8 – A maternidade de Elvas serve para a discussão parola e nacionalista de portugueses que vão nascer ao «estrangeiro». Um parto é um acto relativamente banal. Há quem venha do outro lado do Mundo fazer uma operação ao coração a Portugal.

Um destes dias perco os pruridos que me têm impedido de tratar assuntos relacionados com a Saúde e faço um artigo documentado.

Resta dizer que temos excelentes médicos e enfermeiros.
cãorafeiro disse…
Pela minha parte tornar-me-ei um adversário do PS se se prestar a ser coveiro do SNS.

carlos: para mim, basta-me que digas isto. aliás, nem precisavas de o dizer.

quanto ao investimento, é certo que houve muitos investimentos em saúde nos últimos 20 anos. mas muitas vezes muito mal canalisados.

e aconteceu uma coisa ABSOLUTAMENTE CRIMINOSAS: a redução do número de vagas para medicina e a imposição do numerus clausus que favoreceu os marrões e aqueles que tinham dinheiro para pagar explicações e assim ter 19 a matemática.

digo isto com muita mágoa porque gostaria de ter sido médico. mas apesar de ter uma média de 16, 18 valores a biologia, um tipo e raciocínio muito baseado no racionínio por analogia e uma excelente memória, caracteristicas intelectuais fundamentais para a medicina, e uma capacidade pouco comum para lidar com o sofrimento alheio, sem me impressionar ou sem mostrar que me impressiono, não pude concretizar o meu sonho, pelas razões que todos conhecemos.

abriram-se centros de saúde e hospitais. o centro de saúde da minha área funcionava, há 20 anos, num andar velho. depois fizeram um excelente edifício, mas cada vez que eu precisava do meu médico ele estava em congressos.

MAS há que reconhecer e fazer justiça a maioria dos trabalhadores do SNS- muitos são pessoas dedicadas, que contornam a burocracia para bem dos doentes. sobretudo nos casos de doença grave e em urgências graves.

o pagamento do SNS tem de ser feito através dos impostos. porque não aumentar o IRC à banca em 1 ou 2%????

a banca não se deslocarizaria. ah, pois, mas e depois, os ministros quando deixassem de ser minisros iam trabalhar para onde?

MANUELA FERREIRA LEITE. SAIU DE MINISTRA E POUCO DEPOIS FOI TRABALHAR PARA O BANCO SANTANDER.
http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24757732

chama-se a isto pantouflage. mas não faz mal, trata-se de uma mulher muito séria (ri-se pouco)

enfim, podiamos fazer uma lista... no PS também encontravamos.
cãorafeiro disse…
temos falta de enfermeiros, mas temos centenas de enfermeiros a trabalhar no SNS com vínculo precário.

ainda não ouvi o ministro dizer que ia regularizar a situação deles, de modo a reconhecer a abnegação com que trabalham e a sua dignidade de trabalhadores.
caorafeiro:

Há coisas que não posso dizer publicamente mas, ainda assim respondo a uma afirmação tua:

e aconteceu uma coisa ABSOLUTAMENTE CRIMINOSAS: a redução do número de vagas para medicina e a imposição do numerus clausus que favoreceu os marrões e aqueles que tinham dinheiro para pagar explicações e assim ter 19 a matemática.

Resposta: Pergunta à Ordem dos Médicos.

Pessoalmente sou contra a existência de Ordens.
cãorafeiro disse…
Resposta: Pergunta à Ordem dos Médicos.

não, carlos, pergunto aos decisores políticos que ao longo dos anos governaram portugal e tomaram decisões que afectaram o curso da vida das pessoas.

se eles cederam a pressões, a responsabilidade tem de lhes ser imputada.

porque eles são politicamente responsáveis.

quem foi que permitiu que as corporações ditassem as leis. o regime de salazar auto-denominava-se CORPORATIVISTA.
depois do 25 de Abril, as corporações passaram a ter ainda mais poder.

quem é que é responsável? digo, politicamente responsável...

foi para isto que se fez uma revolução?

as reformas na educação fazem-se a longo prazo, diz-se. quase 32 anos depois do 25 de Abril, já era tempo de vermos resuldados positivos.

pelo contrário, a que assistimos?

universitários que se os erros ortográficos contassem, jamais chegariam a doutores...
e-pá! disse…
Os comentários deslizaram para o SNS, serviço público fundamental, que merece uma reflexão global, séria e objectiva, nomeadamente na perspectiva dos doentes.
Mas os problemas do actual governo - no que concerne ao seu desvio (político) à direita - não ficam por aí - atingem quase todos os sectores daquilo a que se chama o "Estado Social", entre os quais é extremamente relevante aquilo que foi dito (na oposição) sobre a legislação laboral de Bagão Felix e o actual comportamento.
Ou por exemplo, quando se levantam questões sobre a sustentabilidade da Segurança Social (estudos "encomendados" pelos grupos seguradores interessados no "negócio"?)relativamente à sustentabilidade do pagamento de reformas. Qual o grau de confiança dos portugueses, neste momento, quanto à capacidade governamental em defender as reformas dos portugueses? O governo preocupa-se prioritariamente com os níveis de confiança (económicos) dos empresários . Por estas e por outras, é que a Direita "fez" eleger um PR da sua área política.

Não será tempo de o PS - partido no poder - defender as necessárias Reformas do Estado - administrativas, judiciais, educativas, saúde etc. mas, ao mesmo tempo, garantir (alto e em bom som) que: NINGUÉM TOCA NO "ESTADO SOCIAL"!
Chuva Miudinha disse…
À procura do bode

O expiatório !

Não há falta de médicos em Portugal.
Ah o que ele está a dizer !!!!

Não ! há é milhares de médicos que trabalham 2 horas por dia - das 10 às 12.

Há milhares de médicos em que os doentes não têm confiança e vêm a correr aos Hospitais por duas razões - tudo e nada.

Dentro de 5 anos somos excedentários em médicos ! Pois estamos a formar 1500 por ano.

Depois no desemprego vamos ver a questão social e política.

Temos maior número total de especialistas na maioria das especialidades que a Inglaterra. Eu sei que não são exemplo e estão também a destruir o seu SNS, mas são 50 milhões. Porque os General Practitioner´s resolvem situações que aqui só são resolvidas nos Hospitais.

Os HUC são simultâneamente um hospital concelhio - para amigdalites; um Hospital Distrital para consultas e diferenciação; e um Hospital Central e mesmo Nacional nalgumas áreas.

Julgam que é possívela co-habitação ? E se não a culpa é da Ordem ?

Não ! a culpa é da desordem organizativa a que chegou o SNS.
Se o Governo pretende tributar o subsídio de habitação dos juizes, ataca a independência da magistratura e, segundo um sindicalista que se diz juiz, é uma vingança por terem sido constituídos arguidos militantes do PS;

Se o Governo pretende avançar com o protocolo de Bolonha é um ataque aos professores;

Se avança com leis de descentralização administrativa quer subverter os resultados do referendo;

Se legisla sobre reprodução medicamente assistida, devia fazer um referendo;

Enfim, como dizia Miguel Torga: «Quem faz o que pode, faz o que deve».
...................

Quanto ao Pedro Silva que me interpelou no primeiro comentário:

«Erraram em deixar socrátes chegar lá.

Erraram em continuar a dar-lhe beneficio da dúvida».

Com que legitimidade é que o Pedro Silva ou eu, que não pertencemos ao PS, nos arrogamos no direito de censurar os militantes que o elegeram com quase 80% dos sufrágios?

Eu combato o PSD e o CDS mas não me atrevo a dizer que os militantes escolheram mal. Ou queremos que os partidos concorrentes designem comissões administrativas para os adversários?
e-pá! disse…
Pois!

O bode não expiou nada!

A culpa ou é de uns médicos "sacanas" ou da Ordem. De uns poucos ou de todos.
Desde o 25 de Abril que não tivemos responsáveis políticos na área da Saúde e da Educação.
Só médicos discípulos de Maquiavel.

"Dentro de 5 anos somos excedentários em médicos ! Pois estamos a formar 1500 por ano.
Depois no desemprego vamos ver a questão social e política."

A relação médico/habitantes será assim tão má, como se infere. Ou já há médicos excedentários?

O exemplo inglês é muito mau. Se há país na Europa onde há escandalosas "filtragens" no acesso às especialidades é em Inglaterra. Quando se diz que os GP's, em Inglaterra, resolvem casos que, em Portugal, são drenados para os Hospitais é preciso pensar nas condições do exercício médico cá e, também, no "english patient".
E, depois, nas inacreditáveis situações vividas nos serviços de urgência hospitalares. Quando, na Europa, mencionamos o nº. de doentes observados em serviços de urgência - p. exº. dos Hospitais Centrais - arriscamos a passar por mentirosos...
A desorganização grassa, mas a culpa é dos ...médicos.
Os orçamentos hospitalares encolheram (nas novas tecnologias, na inovação, na participação medicamentosa, etc) mas só se fala do desperdício...dos médicos.
O nível de educação sanitária da população é desastroso, mas os responsáveis são ... os médicos.
Os níveis salariais nos Hospitais públicos são dos mais baixos da Europa, mas os médicos...são cá uns ricaços, uns previlegiados.
Em Portugal, já quase ninguém morre de doença...mas de negligência médica.
E, por aí adiante...

Conclusão:
Não é preciso haver "bodes expiatórios", já existem os médicos.
Ricardo Alves disse…
Numerus Clausus em Medicina quando há falta de médicos?
Perguntem às Faculdades de Medicina, e aos seus «barões», tão ciosos do prestígio que dá um curso em que só se entra com média de 19 ou 20...
Numero Clausus em Medicina porque, mais ou menos há um número a partir do qual não há ensino capaz. Ponto.

Nunca foram as Faculdades de Medicina a seleccionar os seus futuros alunos, mas as Escolas do Ensino Secundário onde se praticam crimes graves.
cãorafeiro disse…
CARDEAL:

O MÉDICO GENTL MARTINS TINHA MÉDIA DE 16 QUANDO TERMINOU O LICEU.

ENTROU EM MEDICINA PORQUE NÃO EXISTIA NUMERUS CLAUSUS.
Anónimo disse…
What a great site »

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