O Irão e o risco nuclear


A reiterada recusa do regime teocrático do Irão de enriquecer urânio em território russo, numa empresa mista, com que a comunidade internacional se conformava, indicia que é a bomba atómica que pretende e, com ela, a hegemonia no mundo islâmico.

Não é, pois, como alegam os ayatollahs, a produção de energia eléctrica que pretendem, é a condução da política tendo o Corão como arma e a bomba nuclear como argumento.

A proposta de Moscovo, de criar no seu território uma empresa mista, tinha a vantagem do controlo internacional que impedia a utilização do urânio para fins militares. Mas os ayatollas têm uma agenda própria e objectivos de liderança.

Quem sabe se o sonho de um novo império persa não é o demónio escondido na cabeça do clero iraniano? A tentação de dominar árabes, turcos e magrebinos, com a guerra do Iraque e a desordem que grassa na região, serve-lhes de argumento contra o Ocidente.

A civilização árabe é um fracasso ameaçado pela globalização, a pobreza e a religião. Tem petróleo para alimentar as teocleptocracias e tapetes para usar cinco vezes ao dia para as genuflexões em direcção a Meca. O resto é desespero, violência e ódio.

A posição da França, da Inglaterra e dos EUA, os dois últimos com pouca credibilidade, endurecerá. Resta saber a resposta da China e da Rússia. Se também sentirem medo, o feitiço vira-se contra o feiticeiro.

Mas, se a geo-estratégia da Rússia ou da China, ou de ambas, as levar a contemporizar, o Irão é o cordão detonante de uma pavorosa explosão que se avizinha.

Apostila: Era uma boa altura para o desarmamento nuclear mundial. Doutro modo o arsenal, o clube nuclear e o perigo de guerra não param de se adensar.

Comentários

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Caro Esperança,

Mais uma vez, uma muita lúcida análise sobre os equilibrios geo-estratégicos e a ameaça que poderá constituir um Irão nuclear.

Cumprimentos,
AAF - Regionalização
Anónimo disse…
De total acordo com a apostila.
Todavia, quem vai, p. exº., desarmar os EUA e a Rússia ?

Não será melhor começar pela região (Médio Oriente)?
E englobar no desarmamento o arsenal nuclear de Israel?
As qualificações relativas às pretensões do "império Persa" não se aplicam também a Israel?

Logo, é necessário, imperioso, implementar um "novo tipo de relações internacionais".

Independente... dos "ocidentais", "islâmicos" e dos emergentes países do Oriente
(India, Pasquistão, Coreia N, China, etc.)

O actual modelo está esgotado. Só cria problemas à Humanidade.

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