Debate PP / MFL: a inaptidão desmascarada…

No debate de ontem, diga-se, foi difícil encontrar diferenças. Foram tantas as “pontes” de convergência que, para este imaginário confronto de políticas, o mínimo que se pode dizer é era perfeitamente dispensável.
Mas a equidade no tratamento dos partidos a isso nos obriga!
Todavia, apesar do "ambiente familiar", foram compagnons de route, no XV Governo Constitucional (não esqueçamos), divergem sobre algumas questões.
Uma delas é sobre a política fiscal.
Manuela Ferreira Leite foi criticada por Paulo Portas por esta não prometer baixar os impostos…, acusando-a de conivência com o “actual patamar fiscal”, cuja “carga” quantificou em 38%.
Paulo Portas, ao menos, fez contas. Resta saber se as mesmas estão conformes.
M F L, fechou-se em copas. Desculpou-se que não era possível prever alterações na “carga fiscal”, porque “não se sabe o estado das contas…”.
Nunca os cidadãos - quanto mais os políticos - tiveram tanta informação disponível sobre as contas públicas.
Os relatórios do Banco de Portugal, do Tribunal de Contas, os dados do FMI, da OCDE, do Eurostat, do INE, o OGE, os valores do deficit orçamental, da dívida pública, deficit externo, balança de transacções, etc. permitem a qualquer político, minimamente empenhado e interessado, conhecer a situação financeira do País.
Uma situação tanto mais difícil de acreditar quando sabemos que estes dados são os instrumentos de trabalho que qualquer economista.
É difícil, por exemplo, alardear uma olímpica ignorância sobre o estado das contas públicas e dizer, peremptoriamente, que não há dinheiro para o TGV. Numa das duas situações há uma fuga à verdade!
Na realidade o programa do PSD não é simplificado e sintético. Há uma “qualidade” que não foi mencionada. Foi feito em cima do joelho.
A situação actual não pode deixar de nos recordar Durão Barroso e a promessa de abaixamento da carga fiscal através de um violento “choque fiscal” . Lembram-se?
Uma vez assumido o poder uma das suas primeiras medidas foi a subida de impostos…
O argumento utilizado foi exctamente o mesmo do que agora MFL começa a preparar a opinião pública. Poderiam ser, ao menos, mais criativos...
MFL e Durão Barroso são feitos da mesma "massa". Se, neste momento, a líder do PSD se refugia no “desconhecimento das contas públicas” é certo e sabido que, se alguma vez viesse a assumir a governação (cruzes canhoto!), haveria nova subida de impostos.
Este tipo de comportamento insere-se nas falácias que infestam o programa do PSD, cognominado (para os incautos) como “Compromisso de Verdade”!
Mas relevam muito mais.
Mostram como o PSD – enquanto maior partido da Oposição - passou a presente Legislatura entretido em “guerras intestinas” e não se preparou para ser uma alternativa política idónea.
Estes debates trazem ao de cima muitas insuficiências ocultas.
Uma delas, visível e notória, é a impreparação, ou melhor a inaptidão, para governar.
PS - Deixo de lado a Madeira onde o CDS, na Oposição, também sofre da tal "asfixia"... É a equidade de AJJ!. Chega para todos...
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