Eleições legislativas- algumas observações
TGV e política de verdade- não consigo entender como é que Sócrates continua a embarcar no debate sobre o TGV, o que só faz o jogo de MFL, sendo que este parece ser o único tema em que o PSD marca alguns pontos. De qualquer forma, é um perfeito abuso de direito por parte de MFL e do PSD, que aprovaram o projecto do TGV quando estavam no Governo, criando compromissos com Espanha e com a UE que vinculam o estado português. Que política de verdade é esta de MFL e do PSD? Que verdade e honestidade é que há quando se aprova uma medida que compromete o Estado e depois, como medida eleitoralista, se volta atrás na palavra dada? E deplorável em MFL é o discurso serôdio, nacionalista que procura capitalizar algum renvanchismo anti-espanhol para captar votos. Horrível, como já deplorou o presidente da Região Autónoma da Extremadura espanhola. O PNR já aplaudiu.
Ingovernabilidades virtuais- PS, PSD, bem como "comentadores políticos" geralmente a soldo do centrão e dos lóbis fazem prognósticos de ingovernabilidade para o desenlace destas eleições... ora, só há ingovernabilidade quando os partidos colocam os seus interesses mesquinhos e questiúnculas pessoais à frente dos interesses do país. Quando o povo coloca a sua confiança num partido através do voto, este partido deve colaborar nas mais altas responsabilidades no Estado, devendo ser fiel às expectativas dos eleitores que nele votaram. Se for necessária uma coligação ou um apoio no parlamento, devem os partidos negociar, de boa fé, ponto a ponto. Um Governo minoritário ou de coligação é sempre possível, desde que os partidos colaborem de boa fé, independentemente de questões pessoais e teimosias, de estratégias de vitimização ou jogos políticos, e sem contas de mercearia para apuramento do número de boys a colocar no aparelho de estado.
Esquerdismos? Surpreenderam nesta campanha o PCP e o BE ao se prontificarem para asumir responsabilidades governamentais, oferecendo-se para integrarem uma coligação de esquerda (mas nunca com o PS, não se entendendo que coligação seria esta...). Isto é positivo. Estes partidos procuram quebrar com a sua matriz genética de partido de protesto, dispondo-se a uma coligação. O PCP tem tido uma campanha murcha, procurando aguentar os resultados que tem tido. O BE joga muito mais nesta campanha: o seu objectivo não nem mais nem menos que repetir o resultado que alcançou nas Europeias, e que lhe permitiria duplicar o número de deputados na AR, convertendo-se num partido capaz de influenciar uma AR bastante atomizada. E pode consegui-lo, cavalgando a onda de descontentamento da esquerda com o PS. Bastante interessantes são as suas propostas para a fiscalidade: fim dos benefícios fiscais, que só introduzem opacidade e complexidade no sistema fiscal, sendo frequentemente medidas isoladas em que não há visão de conjunto, de duvidosa racionalidade financeira ou de duvidosa eficácia, destinando-se por vezes a oferecer alguns rebuçados a alguns lóbis poderosos (banca, seguradoras, profissionais liberais). Curiosamente, as multinacionais que querem investir num país, tendem a preferir sistemas fiscais transparentes (menores custos de informação e de transacção). Outra medida interessante é a de tributar os pagamentos em espécie. A ver vamos. Seguramente que uma coligação PS/BE seria interessante.
(In)justiça- um dos temas esquecidos nesta campanha parece ser o da justiça, que é um tema crucial para o desenvolvimento e a paz social em Portugal. Nenhum partido se pronuncia, a não ser sobre os faits divers e pequenezes de protagonistas do calibre dos representantes do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, ou para sugerir o aumento das penas. Nenhum partido apresenta qualquer ideia credível sobre o assunto... lamentável...
Ingovernabilidades virtuais- PS, PSD, bem como "comentadores políticos" geralmente a soldo do centrão e dos lóbis fazem prognósticos de ingovernabilidade para o desenlace destas eleições... ora, só há ingovernabilidade quando os partidos colocam os seus interesses mesquinhos e questiúnculas pessoais à frente dos interesses do país. Quando o povo coloca a sua confiança num partido através do voto, este partido deve colaborar nas mais altas responsabilidades no Estado, devendo ser fiel às expectativas dos eleitores que nele votaram. Se for necessária uma coligação ou um apoio no parlamento, devem os partidos negociar, de boa fé, ponto a ponto. Um Governo minoritário ou de coligação é sempre possível, desde que os partidos colaborem de boa fé, independentemente de questões pessoais e teimosias, de estratégias de vitimização ou jogos políticos, e sem contas de mercearia para apuramento do número de boys a colocar no aparelho de estado.
Esquerdismos? Surpreenderam nesta campanha o PCP e o BE ao se prontificarem para asumir responsabilidades governamentais, oferecendo-se para integrarem uma coligação de esquerda (mas nunca com o PS, não se entendendo que coligação seria esta...). Isto é positivo. Estes partidos procuram quebrar com a sua matriz genética de partido de protesto, dispondo-se a uma coligação. O PCP tem tido uma campanha murcha, procurando aguentar os resultados que tem tido. O BE joga muito mais nesta campanha: o seu objectivo não nem mais nem menos que repetir o resultado que alcançou nas Europeias, e que lhe permitiria duplicar o número de deputados na AR, convertendo-se num partido capaz de influenciar uma AR bastante atomizada. E pode consegui-lo, cavalgando a onda de descontentamento da esquerda com o PS. Bastante interessantes são as suas propostas para a fiscalidade: fim dos benefícios fiscais, que só introduzem opacidade e complexidade no sistema fiscal, sendo frequentemente medidas isoladas em que não há visão de conjunto, de duvidosa racionalidade financeira ou de duvidosa eficácia, destinando-se por vezes a oferecer alguns rebuçados a alguns lóbis poderosos (banca, seguradoras, profissionais liberais). Curiosamente, as multinacionais que querem investir num país, tendem a preferir sistemas fiscais transparentes (menores custos de informação e de transacção). Outra medida interessante é a de tributar os pagamentos em espécie. A ver vamos. Seguramente que uma coligação PS/BE seria interessante.
(In)justiça- um dos temas esquecidos nesta campanha parece ser o da justiça, que é um tema crucial para o desenvolvimento e a paz social em Portugal. Nenhum partido se pronuncia, a não ser sobre os faits divers e pequenezes de protagonistas do calibre dos representantes do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, ou para sugerir o aumento das penas. Nenhum partido apresenta qualquer ideia credível sobre o assunto... lamentável...
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