Legislativas 2009 - reflexões sobre o futuro do neoliberalismo...

As eleições Legislativas vão ser marcadas por inúmeros factores sociais, económicos e financeiros.
Será basilar considerar que a capacidade de colocar no terreno um modelo de desenvolvimento económico acompanhado de medidas de redistribuição da riqueza justas e a promoção de políticas sociais equitativas e adequadas no domínio do emprego, educação, saúde e segurança social, será, em princípio, um projecto ganhador.
Estes serão, assim, os dos pilares fundamentais para o sucesso.
Ficam de fora, ou melhor, terão um peso relativo menos evidente, as restantes vertentes sectorais (que integram a capacidade de desenvolvimento económico) da vivência de um País, como: a cultural, a justiça, científica, investigação, etc.
Ao enunciarmos estas simples convicções tudo parece fácil.
Todavia, falta considerar o cerne de todas as eleições – a vertente política.
Aliás, é o modelo político que determina a exequibilidade – e o mais importante – a veracidade dos pressupostos anteriores. De resto, a sua enunciação sem suporte político, logo ideológico, transforma-as em meras e duvidosas promessas. Esta a razão porque o PSD esvaziado de projecto político agarra-se, programaticamente, a um logro que tem como objecto a exaltação da verdade. De resto, se não efectuasse esta “pirueta”, todo o vago conteúdo programático, apareceria aos eleitores como inverosímil.
Mas, um partido político não é uma associação do tipo recreativo, artístico ou desportivo. Os seus dirigentes, a sua liderança central ou distrital (nas concelhias será diferente) têm, necessariamente, uma ideologia que está mais ou menos explicita na sua prática política.
Na Europa, foi na Grã-Bretanha, sob a batuta da Senhora Thatcher que, um País capitalista, economicamente avançado, pôs em pratica, com determinação e profundidade, o modelo neoliberal.
Todos conhecemos o desenrolar desta experiência.
O governo Thatcher promoveu a contracção da emissão monetária, subiu as taxas de
juros, baixaram drasticamente os impostos sobre os rendimentos altos, aboliu o controlo sobre os fluxos financeiros (favorecendo a fraude fiscal e a criação de off-shores) , criou níveis de desemprego massivos (desregulação do mercado de trabalho), engendraram uma nova legislação anti-sindical e praticamente anularam as despesas sociais.
Finalmente, Thatcher lançou num amplo programa de privatizações (habitação pública e indústrias básicas como o aço, a eletricidade, o petróleo, o gás e a água). Não chegou à Saúde (NHS) porque, entretanto, toda este emaranhado neoliberal foi implodindo.
John Major, um seu sucessor mais moderado, já não teve condições para governar e, progressivamente, começou a afundar-se e a "transferir" o poder aos trabalhistas.
E, em Portugal?
Por exemplo, em relação ao PSD, Manuela Ferreira Leite é uma Thatcher de 3ª. geração. Primeiro Cavaco, depois Durão e agora Ferreira Leite.
Tem de ser mais sofisticada, mais enigmática mas, também, será mais tosca já que se trata de uma cópia (de qualidade duvidosa).
São estas insuficiências que MFL pretende esconder com fábulas economicistas, arremedos nacionalistas e falácias de verdades inatingíveis, mas que não passam do anúncio de uma política neoliberal.
O PSD sabe que o neoliberalismo economicamente fracassou, não tendo conseguido a revitalização ou modernização do capitalismo. Pelo contrário, conduziu através da deificação do mercado livre, incapaz de se auto-regular, ao desembocar da actual crise financeira e, depois, económica, cuja gravidade e profundidade só pode ser comparada à crise de 1929.
O PSD sabe que o neoliberalismo, no campo das políticas sociais, o melhor que conseguiu foi criar sociedades tremendamente desiguais, embora tenha sido contido na sua ânsia incontrolável de desestatização, isto é, só parcialmente conseguiu privatizar na área social. Ficou aquém dos seus íntimos desejos.
O PSD sabe, também, que apesar destas incongruências a disseminação da ideologia neoliberal ultrapassou as expectativas dos seus fundadores (a Sociedade de Mont Pèlerin, 1947) e, alguns decénios tarde, depois do desmoronamento do império soviético, tornou-se hegemónica. Criou-se a ilusão de que não haveria alternativas para os seus princípios e que as suas normas são incontornáveis.
A tarefa do momento para os opositores ao neoliberalismo, naturalmente os socialistas e os sociais democratas, será oferecer outras receitas, preparar outros sistemas, fundar outros regimes.
E devemos começar pelo mais simples, pelo que é consensual, como resumimos ao encabeçar este comentário.
Porque, sem querer ser visionário, depois da hecatombe financeira de 2008/09/- ..., uma enorme “onda” (neoliberal) aproxima-se da praia.
Só não sabemos quando “quebra”, enrola-se na areia… e desaparece!
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