Neo-Templários em Coimbra…

O Código Da Vinci, escrito por Dan Brown e publicado em 2003, terá dado nova visibilidade - com as referências ao Priorado de Sião - à Ordem dos Templários fundada no século XII na sequência das Cruzadas e extinta no início do século XIV, por pressão de Filipe o Belo [teria uma insustentável dívida soberana perante a Ordem] tendo contado com a benção do papa Clemente V, que pouco a controlava e a acusou de heresia.

Portugal – enquanto estado soberano – deve muito à ordem dos Templários estando os fundadores da 1º. Dinastia [de Borgonha], extremamente ligados aos cavaleiros borgonheses [na sua maioria templários] que rodeavam o Conde D. Henrique.

Em Portugal, a extinção ocorre no reinado de D. Dinis que a transformou - com autorização papal - na Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo [a actual Ordem de Cristo] herdando o [riquíssimo] património da Ordem dos Templários. Segue-se um longo período em que a protecção das diferentes casas reais portuguesas foi uma constante e garantiu uma enorme influência da Ordem de Cristo [em Portugal a legítima sucessora da extinta Ordem dos Templários].

A Ordem de Cristo entreviu em múltiplos processos históricos relevantes [os Descobrimentos, p. exº.] e sofreu diversas reformas [D. João III, D. Maria I] até à extinção generalizada das ordens religiosas no séc. XIX, com o advento do liberalismo. D. Maria II, entretanto, transformou esta centenária ordem monástico-militar numa ordem honorífica.
A República, em 1910, extingue novamente a Ordem mas, em 1918 [plena I Guerra Mundial] reaparece reformulada ao mesmo tempo que as antigas ordens, agora com o estatuto de ordens de mérito civil e/ou militar.

Todavia, a extinção da Ordem do Templo, no século XIV, não ocasionou o seu banimento do Mundo. Os cavaleiros da Ordem que escaparam ao morticínio ter-se-iam refugiado na Escócia, Inglaterra e Portugal, onde se juntaram à Maçonaria.

Mais tarde, no séc. XVIII-XIX, Luís Filipe de Orleães reconheceu-lhes o estatuto de 1705 [o polémico testamento de Larmenius], dando origem à Neo-Ordem dos Templários.

Hoje, os que reclamam a sua origem templária e que se sobrevivem graças ao estatuto outorgado pela casa de Orleães, congregam-se numa Ordem “ecuménica” que se dedica a actividades em prol do bem estar e moral da civilização e do progresso do ser humano de forma integral, como ajuda a orfanatos, amparo à velhice e às crianças desamparadas…
Serão estes sobreviventes da Ordem do Templo que escolheram Coimbra para se reunirem com o fim de discutirem uma reaproximação com o Vaticano. Este passo é sustentado pela descoberta nos Arquivos do Vaticano do pergaminho de Chinon [cuja cópia só foi disponibilizada em 2007 – 700 anos depois!] no qual Clemente V teria revogado as acusações de heresia… link

Mas a "nova Ordem Templária", depois das inúmeras vicissitudes, continua com particularidades especiais e a suscitar especial interesse, nomeadamente, pelo seu esoterismo.
Um exemplo:
Fernando Campelo Pinto Pereira de Sousa Fontes, actual 51º. Grão-Mestre, por sucessão dinástica [o seu pai António Campello Pinto de Sousa Fontes foi o 50º. Grão-Mestre!] lidera-a há 50 anos!
Uma ancestral Ordem com um dirigente vitalício [?]…

Curiosidades históricas….sucintamente alinhadas [mal-alinhadas?] por um “curioso” amador nestas questões.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Cavaco Silva – O bilioso de Boliqueime

Tunísia – Caminho da democracia ou cemitério da laicidade ?