Outro exemplo: a crise bancária em Cabul...

O Banco de Kabul – o maior banco comercial do Afeganistão - passa por um grave crise de liquidez.
Por detrás dessa crise – que levou o Banco Central afegão a afastar os principais accionistas da administração – estão investimentos ilícitos no mercado imobiliário do Dubai, utilizando abusivamente os depósitos de clientes. link
Mais no fundo desta questão surge o irmão do actual presidente - Mahmood Karzai – que detendo cerca de 7% das acções do banco tem utilizado os meandros políticos [na sombra do presidente-irmão] para fazer investimentos em proveito próprio.
A vinda à superfície de uma cadeia de escândalos levou a que grande número de depositantes [muitos deles são funcionários do Governo afegão obrigados receber os vencimentos através deste banco] levantassem as suas poupanças, arrastando o banco para a eminência de um colapso...

Este banco “nasceu” há cerca de 5 anos, beneficiando de uma intricada [e corrupta] rede de membros clique política que têm controlado Cabul, bem como do generalizado ambiente de corrupção que tem merecido a mais completa complacência dos norte-americanos que controlam os meandros político-militares. link

Acresce ainda que o Banco de Kabul foi o grande patrocinador da última candidatura do actual presidente Hamid Karzai, cujos resultados – conotados com uma situação de fraude eleitoral generalizada - geraram uma intensa polémica internacional. link

Enfim, uma história - em nada - inédita nos meandros do “desregulado” mundo financeiro.
Um mundo que se mostra, efectivamente, global.
Os escândalos financeiros parecem clones uns dos outros e, tanto acontecem em Nova Iorque [p. exº.: Lehman Brothers], i. e., no coração do poder financeiro, como em Cabul - num inóspito, paupérrimo e devastado País, como é o Afeganistão.

País onde a corrupção – politica, económica e financeira – reina e, em consequência dessa inusitada convergência, a guerra eterniza-se.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Cavaco Silva – O bilioso de Boliqueime