PAÍS BASCO: ETA e o FUTURO…


A ETA tem um balanço trágico contraído perante o povo basco, os outros povos de Espanha e ao Mundo: 40 anos de violência e mais de 8 centenas de mortos.

O anúncio feito hoje - através de um vídeo enviado à BBC –[ link ] de mais um cessar fogo, acompanhado de repetidas intenções no sentido de regressar aos processos democráticos, os representantes da ETA afirmaram:

“No seu empenhamento dentro do processo democrático e a fim de decidir livremente e democraticamente o nosso futuro, por intermédio do dialogo e da negociação, a ETA está pronta hoje como no passado a aceitar as condições democráticas mínimas necessárias para iniciar um processo democrático, se o governo espanhol o desejar.”
…/…
“ Nós transmitiremos igualmente esta decisão à comunidade internacional e convocamos a responder à vontade e ao empenhamento da ETA a fim de tomar parte na construção de uma resolução durável, justa e democrática da luta política pluricentenária…”


Quer o Governo de J L Zapatero [em 2006 a ETA anunciou uma trégua “permanente” que durou cerca de 10 meses…], quer os partidos políticos representados nas Cortes espanholas, receberam com cepticismo e prudência esta comunicação da ETA.
Mas – talvez - a reacção mais importante e que mais interessará à ETA vem do Governo basco que declarou o anúncio como: “absolutamente insuficiente porque não responde aquilo que a imensa maioria da sociedade basca pede e exige da ETA, que é o abandono definitivo da actividade terrorista… Não foi produzida esta declaração, portanto, a ETA, uma vez mais, faz um comunicado ambíguo e enganador.”

Num Euskadi pacificado a intenção da ETA será a realização de um referendo sobre a independência. Essa é a “luta política pluricentenária” referida no comunicado de hoje.

Todavia, entre uma ampla autonomia e a independência, existirá, hoje, no País Basco, enormes divergências.
Durante o franquismo provavelmente que as correntes independentistas seriam mais poderosas. Hoje, numa Europa que privilegia as Regiões, onde as fronteiras diluíram-se, esvaneceram-se e as culturas se miscegenaram as Regiões para serem sustentáveis e manterem a sua autonomia têm de se abrir ao Mundo e abjurar conceitos nacionalistas que foram extremamente empolados no século passado.
De certo modo, esta evolução política da Europa é uma das [múltiplas] causas do profundo enfraquecimento da ETA [facto que não será estranho a esta proclamação].

Em resumo, é inegável que a ETA deu um passo. Só a verificação da credibilidade deste passo poderá arrancar o País Basco de um longo impasse. O Governo de Madrid que, há poucos anos, sofreu um sério revés político com as atitudes da ETA que se revelaram ambíguas e falsas, saberá como estudar e testar esta oportunidade política.

Estou convicto que J.L. Zapatero não temerá a normalização democrática da situação no País Basco. Mas há em Espanha gente que a receia. Outros levantarão as cíclicas questões – sempre que vislumbravam eventuais acordos ou tréguas – dos “crimes de sangue”. Outros, ainda, exigirão a humilhação pública de uma deposição definitiva das armas...

Pelo que, a partir daqui, deverá iniciar-se uma longa e cautelosa caminhada em busca de uma difícil resolução democrática. A pacificação do Euskadi não é para amanhã, mas poderá – mais uma vez – ter começado…

Esperemos - em nome da Paz - que sim!

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