Brasil censura propaganda ateia


Empresas da comunicação social  impedem uma campanha publicitária com mensagens contra a religião patrocinada pela Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos). As firmas recusaram-se a veicular os anúncios mesmo depois de o contracto já ter sido assinado.

A Atea estuda as medidas judiciais possíveis.

Comentários

e-pá! disse…
O Brasil é um espaço social e cultural riquíssimo e diversificado assediado por uma multidão de religiões, seitas, grupos, congregações, associações etc. que lutam por "quotas de mercado".
Mercado não no sentido figurativo do termo. Mercado financeiro, a sério, vivo, interveniente e lucrativo. Mercado a condizer, p. exº., com a opulência de Edir Macedo.

A campanha da ATEA, por mais justa que seja, perturba o "negócio religioso" porque questiona a essência do problema: a crendice irracional.

E quanto às disposições das perfeituras basta reter na memória as mais recentes eleições brasileiras para vislumbrar quanto o poder político mantem elos de ligação e de próximidade com pias instituiçõrs religiosas. Ligações políticas, sociais, culturais e financeiras.
Por detrás do financiamento de campanhas eleitorais [federais, estatuais e perfeituras] existe sempre uma pia [e vultuosa] "esmola", mais ou menos visível, que tem o "seu" preço. Um dia chega a cobrança.

As empresas de comunicação social não tiveram isso em conta quando assinaram os contratos com a ATEA. Queriam fazer negócio. Mas quando começaram a circular os "bondes" com publicidade nas cidades, apareceu, primeiro, o incómodo e logo de seguida, o "establishment"...que, perantes estes negócios, estabeleceu as "suas" prioridades...
E a capacidade de qualquer organização expressar e propagandear as suas ideias não está no topo dessas prioridades.
Algum valor mais alto se alevantou...
Marco Tanoeiro disse…
No Brasil, assim como em vários lugares do mundo, a religião, muito mais que um negócio rentável, serve como ferramenta de controle social.
A ocupação dos morros cariocas por traficantes é o exemplo de delegação, por parte dos governantes, às religiões e ao tráfico, do controle da população local. As consequencias são sempre de uma nocividade ímpar.
No caso das propagandas em questão, creio que atingiriam muito mais o íntimo do cidadão brasileiro que o bolso dos donos de igreja. A indignação do povo com a propaganda poderia até mesmo representar um ganho extra a esses empresários da fé.
Vejam, por exemplo, o que ocorreu com a campanha presidencial quendo veio à tona o tema "aborto". Deixou-se de lado questões importantes como o pré-sal e passou-se a discutir se a candidada Dilma era a favor ou não da discriminalização do aborto, tendo o tema sofrido intervenção até mesmo de Bento XVI.
No mais, a campanha da ATEA é brilhante, corajosa, mas aquém da compreensão do cidadão brasileiro comum. Por ora!
Marco Tanoeiro:

«Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura» (adágio popular)

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