“corporativismos financeiros” numa Europa em crise…

Em Portugal, aprovado o OE/2011, começou a lufa-lufa na procura de vários caminhos e estratagemas para continuar a distribuir bonificações [e outras benesses] aos executivos das empresas públicas.

O exemplo da CGD que reivindica um estatuto especial remuneratório dada a especificidade do mercado bancário, bem como a manutenção de bónus, da progressão nas carreiras e não redução dos salários, causou mau estar entre os portugueses.
Já anteriormente a sua posição na assembleia de accionistas da PT permitindo a antecipação dos dividendos resultantes a venda de acções da VIVO, não foi compreendida por muita gente. No campo político foi dramática a solidão de Francisco Assis ao terçar armas, junto ao grupo parlamentar do PS, pela não taxação desses dividendos, segundo argumentou, para não “desautorizar” o Governo…

A situação no Banco de Portugal que, por ser um Banco Central, pretende ficar de fora dos cortes salariais, será outro [mau] exemplo, neste caso, apoiado pelo Banco Central Europeu…

As remunerações compensatórias dos Açores e os subsídios de insularidade da Madeira têm sido outros factores de desestabilização da coesão nacional, drasticamente enfraquecida, em afanosa busca de factores de solidariedade, baseados em esforços equitativos…

E poderíamos continuar a expor inúmeras propostas de excepção…

O “tigre celta”, a tão vilipendiada Irlanda, nos difíceis tempos que correm, foi confrontada com o mesmo tipo de reacção dos gestores e executivos. Mais parece uma acção corporativa de âmbito europeu.

O Allied Irish Banks [AIB], poderosa entidade financeira irlandesa, anunciou que vai pagar 40 milhões de euros de bonificações a 2.400 gestores e executivos. Uma fuga antecipatória "tipo PT". A razão para esta medida é que as bonificações tinham sido acordadas em 2008 [antes do “rebentar” da crise]. el pais
Brian Leniham, Ministro das Finanças irlandês anunciou de imediato que o governo taxará em 90% as bonificações dos executivos dos bancos nacionais que – como sabemos – sobrevivem debaixo de garantias estatais, a fim de proteger depósitos e as dívidas. Este novo imposto será incluído - com carácter de urgência – na Lei de Finanças irlandesa.
Todavia, estas medidas de emergência, não afectarão as bonificações a ser distribuídas pelo AIB. A Justiça irlandesa aceitou os argumentos do Banco… e manteve o acordo de 2008.

Quantos gregos, irlandeses, portugueses, espanhóis [só para falar dos mais “castigados” pela austeridade] viram expectativas profissionais, económicas e quanto ao nível de vida, que alimentavam em 2008, serem defraudadas em 2010 e, liminarmente, excluídas daí para a frente?

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