Todas as greves são justas ? Esta, NÃO

Reunido de urgência, o Conselho de Ministros espanhol acaba de declarar o Estado de Alarme em Espanha devido à greve selvagem dos controladores aéreos. Com esta declaração os profissionais que controlam o espaço aéreo incorrem em penas de prisão que podem ir entre os 8 aos 15 anos caso não regressem ao trabalho.

Comentários

e-pá! disse…
Com certeza que nem todas as greves são justas e a História demonstra-nos isso. Basta recordar as greves do séc. XIX nos primórdios da época industrial, com o intuito de proteger a mão de obra perante a introdução de evoluções tecnológicas ...

Mas uma coisa é a avaliação da justeza de algumas greves - recordemos que são "decretadas" por avaliações de situações feitas por seres humanos - outra será o inalienável "direito à greve".

O pecadilho desta greve é ser "selvagem".
Não ter sido convocada de acordo com a regulamentação existente em Espanha [e na maior parte do Mundo].
A medida de excepção tomada pelo Governo de Zapatero é, como se lê na notícia, temporária. Para ser prorrogada necessita da concordância das Cortes.
Isto demonstra o melindre da decisão face aos direitos constitucionais dos cidadãos.

É natural que a partir daqui se verifique um "braço de ferro" entre os controladores áereos e o Governo.
Medidas deste tipo - equivalentes à "requisição civil" existente entre nós - nunca foram boas soluções. São "medidas de força", de "alarme" [conforme o texto refere] que provocam, quase sempre, uma reactividade excessiva, por vezes, incontrolada.

A normalidade democrática [a contenção no uso de medidas excepcionais] é muito mais importante do que medidas de força e penso que o Governo espanhol tem isso em conta.
Não conheço o processo que conduziu ao "alargamento" do horário de trabalho dos controladores aéreos espanhóis...
Desejo que, uma vez suspensa a greve, tenha lugar um normal [em democracia] período de negociações. Mesmo perante o espectro de uma inusitada influência política dos omnipresentes e voláteis "mercados" que, certamente, prefeririam o uso discricionário do poder político para salvaguardar interesses económicos...
A intromissão permanente de "medidas profiláticas" para obviar a eventuais julgamentos negativos dos "mercados" que começa a colidir com direitos de cidadania e a incomodar os cidadãos...

Quero salvaguardar com este comentário, sei que não seria essa a intenção do post, que - em democracia - deve-se, sempre, procurar manter equilibrios mas, por outro lado, manter inflexibilidade no que diz respeito aos direitos e deveres cívicos.
Acho, portanto, conveniente e importante separar as águas, caso contrário, a Direita apressar-se-à a "agarrar" o mote e a utilizá-lo, genericamente, contra o "direito à greve".
Assim, a par da liberdade de elaboração de juízos sobre a justeza desta [ou de qualquer] greve, deve contrapôr-se [ou reafirmar-se] a grande vitória política e social que foi a "conquista" [pelas duras lutas dos nossos antepassados] do direito à greve.
Caro É-Pá:

Não é o direito à greve que ponho em causa. Quem o põe em causa são os que fazem uma greve selvagem ao arrepio dos sindicatos.
e-pá! disse…
CE:

Estou farto de saber isso!

Aliás, referi no comentário:

"Quero salvaguardar com este comentário, sei que não seria essa a intenção do post, que - em democracia - deve-se, sempre, procurar manter equilibrios mas, por outro lado, manter inflexibilidade no que diz respeito aos direitos e deveres cívicos."

Nestas situações de luta social [onflitos laborais] nunca é redundante reafirmar o óbvio.

É que a Direita poderá, a partir de erros pontuais, querer fazer passar um outra mensagem: "todas as greves são injustas..."

Foi, "isso", e só "isso" que salvaguardei...
E-Pá:

Não estão em causa discordâncias entre nós, neste caso, mas a posição ambígua ou cúmplice do PP, a favor da greve e contra todas as forças de esquerda é, segundo julgo, motivo de desconfiança.
Concordo inteiramente com o post.
Sou, obviamente, partidario do inalienavel direito ah greve, mas isso nao nos obriga a concordar com toda e qualquer greve. O direito ah greve nao pode tolher a liberdade de pensamento e opiniao de qualquer cidadao; qualquer cidadao tem o direito de nao concordar com esta ou aquela greve. Eu, por exemplo, nao tenho concordado com muitas greves feitas por profissionais, por vezes dos que mais regalias e ateh privilegios tem, e que para defender essas regalias e privilegios fazem uma especie de greves "contra o povo", prejudicando milhares de cidadaos muito mais carenciados do que eles. Eh o caso de muitas greves de motoristas, pilotos de avioes, medicos, policias, procuradores da Republica e ateh juizes. Algumas dessas greves, mesmo quando sao legalmente declaradas, chegam a ser escandalosas e revoltantes.
Assim como ha direito ah greve, ha tambem casos de abuso do direito ah greve.
Mas alem disso esta concreta greve eh ilegal e selvagem, e portanto inadmissivel num pais, como a Espanha, onde ha amplo direito ah greve.
Acho portanto que o governo espanhol tem toda a legitimidade para tomar as medidas que tomou e concordo que as tenha tomado.
e-pá! disse…
CE:

Depois de ter percorrido de viés a imprensa espanhola de hoje estou convicto que o inopinado abandono massivo dos postos de trabalho por parte dos controladores aéreos nada tem a ver com o exercicio do direito à greve...

A impressão residual é que esta atitude dos controladores aéreos, ao que parece concertada com dirigentes do PP, foi desencadeada para provocar o caos [nesta época sensível] com o intuito de perturbar, ou levar à queda, o governo presidido por J L Zapatero. Logo, em vez de uma greve, uma desajeitada "conspiração" contra o Governo legítimo de Espanha...

De posse desta informação mais detalhada não poderia deixar de fazer esta correcção [relativamente ao teor dos meus comentários anteriores].
Anónimo disse…
¿Nueva "conspiración judeo-ateo-masónico- marxista"?
e-pá! disse…
Filomeno2006:

conspiración popular y cristiana. ¿Puede ser?

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