"eurobonds" e a crise ou o adiar de soluções?

Jean-Claude Juncker

Desde a última cimeira europeia que os “eurobonds” [emissão conjunta da dívida europeia] tornou-se a panaceia para ultrapassar a crise.
Neste momento, dois países da Euro Zona [Grécia e Irlanda] já foram obrigados a recorrer aos Fundos Europeus de Estabilidade Financeira e ao FMI para solucionar graves problemas orçamentais e de dívida pública.
A Europa continua a gerir a crise acorrendo a situações dramáticas, pejadas de factos consumados e país por país. Mas, estas “soluções” que acarretam pesados atrasos no crescimento e drásticas restrições ao Estado Social , só efemeramente, sossegaram os mercados. Passado o efeito inicial logo recomeçaram os ataques especulativos a outros Países [Portugal e Espanha].
Todavia, é de crer que os marcados não ficarão por aí. Há sempre novos alvos em perspectiva: Bélgica, Itália, etc.

Quando todo este edifício começar a abrir brechas, não colmatáveis, e elas surgirão se algum dia países com a dimensão da Espanha ou da Itália soçobrarem, as actuais soluções que contemplam caso a caso tornam-se inúteis [como de certo modo já o são…].
A crise para além de expor importantes debilidades no controlo orçamental e de gestão da dívida pública [neste momento objecto primordial de todas as intervenções comunitárias], demonstrou que o euro foi um projecto ambicioso que ficou a meio do caminho. Faltaram medidas harmonização da política fiscal prévias, não se impulsionou a competitividade [interna e externa à UE] e, concomitantemente, relegou-se o crescimento económico e a convergência no desenvolvimento para segundo plano, facilitando o desemprego galopante.

Presentemente, giramos muito à volta de questões financeiras que têm condicionado todo o tipo de retoma.
A proposta de Jean-Claude Juncker, presidente do Euro Grupo, aponta no sentido de organizar uma resposta global a uma crise sistémica. Criar na Europa um mercado homogéneo de obrigações públicas com uma amplitude comparável aos EUA. Reduzir a actual segmentação dos mercados de obrigações. Esta solução permitiria uma mais célere consolidação orçamental e facilitaria o serviço da dívida na medida em que dificultaria as manobras especultivas nos mercados. Claro que a proposta de Juncker passa ao lado de um grande problema europeu. A moeda única {euro] precedeu os indispensáveis esforços para conseguir uma união política.

E esse facto determina que, nos tempos mais próximos, o eixo franco-alemão obstaculize [vete] os “eurobonds”...

A ideia está lançada. Resta saber por quanto tempo incubará.
No dia em que Espanha [já demasiado pesada] tiver necessidade de recorrer aos Fundos Europeus de Estabilidade Financeira, eles revelar-se-ão insuficientes e os “eurobonds” serão a solução.

O problema de Jean-Claude Juncker é clássico na política. De nada serve ter razão antes do tempo.

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